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Moraes mantém restrições para visitas de filhos na prisão domiciliar de Bolsonaro
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro que visava flexibilizar os horários de visitação e conceder “livre acesso” aos seus filhos que não residem na mesma casa onde ele cumpre prisão domiciliar temporária. A decisão, proferida no sábado (28), reafirma o caráter restritivo da medida, que foi concedida por razões humanitárias. Desde sexta-feira (27), Bolsonaro está em sua residência no Lago Sul, em Brasília, após receber alta hospitalar devido a um grave quadro de pneumonia bacteriana. A prisão domiciliar foi concedida na terça-feira (24) em substituição ao cumprimento da pena em estabelecimento prisional, considerando as condições de saúde do ex-presidente. A medida mantém o regime fechado, apenas com a mudança do local de cumprimento da pena, impondo uma série de limitações para garantir o respeito às diretrizes judiciais.
A decisão de Moraes e as restrições impostas
A negativa de Alexandre de Moraes reforça que, apesar da alteração do local de cumprimento da pena para a residência, o ex-presidente Jair Bolsonaro permanece submetido ao regime fechado. O pedido da defesa buscava conceder “livre acesso” aos filhos que não coabitam com Bolsonaro – Flávio Nantes Bolsonaro, Carlos Nantes Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro – fora dos horários preestabelecidos, equiparando-os ao acesso irrestrito concedido à esposa, Michelle Bolsonaro, à filha do casal e à enteada, que residem na mesma casa. O ministro, no entanto, manteve o rigor das condições estabelecidas, enfatizando a natureza excepcional da prisão domiciliar.
Manutenção do regime fechado e acessos diferenciados
Na decisão, proferida no âmbito da Execução Penal (EP) nº 169/DF, o ministro Alexandre de Moraes esclareceu que a prisão domiciliar concedida ao ex-presidente representa “uma medida excepcionalíssima fundamentada exclusivamente em razões de saúde, para substituir o recolhimento em estabelecimento prisional”. Esta condição de “excepcionalíssima” sublinha que a mudança de local não implica em qualquer abrandamento do regime de cumprimento da pena. O custodiado, portanto, continua sujeito às regras e restrições inerentes ao regime fechado, ainda que esteja em seu domicílio.
O despacho mantém a autorização de visitas para Flávio Nantes Bolsonaro, Carlos Nantes Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro às quartas-feiras e sábados, em um dos seguintes horários: das 8h às 10h, das 11h às 13h e das 14h às 16h. Para a esposa de Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, a filha do casal e a enteada, que possuem residência no mesmo imóvel, o acesso é livre e sem restrições de horários. Esta distinção reitera o entendimento do STF de que a prisão domiciliar não deve se converter em um regime semiaberto ou aberto, preservando o caráter punitivo e as limitações do regime fechado. A decisão visa garantir a integridade da pena imposta, mesmo diante das condições de saúde do apenado.
Contexto da prisão domiciliar e condenação
A concessão da prisão domiciliar a Jair Bolsonaro ocorre em um contexto de sérios problemas de saúde, que foram o principal argumento da defesa para a mudança de regime. Antes de ser transferido para sua residência, o ex-presidente cumpria pena no 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, conhecido como Papudinha. Essa transição reflete uma adaptação judicial às necessidades humanitárias, sem alterar a natureza da condenação.
Da condenação à medida domiciliar: saúde, monitoramento e restrições adicionais
Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado, no âmbito da ação penal referente à trama golpista. Os crimes pelos quais foi condenado incluem organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, e deterioração de patrimônio tombado. Essa condenação robusta estabeleceu a necessidade de cumprimento em regime de reclusão.
A mudança para a prisão domiciliar foi motivada por um agravamento do estado de saúde do ex-presidente. Em 13 de março, Bolsonaro foi internado no Hospital DF Star, em Brasília, após apresentar febre alta, queda da saturação de oxigênio, sudorese e calafrios, sendo socorrido por uma equipe do Samu-192. Ele foi diagnosticado com pneumonia bacteriana e permaneceu internado até a última sexta-feira (27), quando recebeu alta e passou a cumprir a medida domiciliar.
Inicialmente, a prisão domiciliar tem duração de 90 dias, prazo após o qual a manutenção do benefício será reanalisada pelo ministro Alexandre de Moraes, que poderá solicitar nova perícia médica para verificar a continuidade das condições de saúde que justificaram a medida. Além disso, Moraes determinou que Bolsonaro volte a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. Vale lembrar que, em novembro do ano passado, antes de ser condenado pela trama golpista, o ex-presidente foi preso após tentar violar o equipamento de monitoramento que utilizava. Em outra decisão proferida no sábado, o ministro também proibiu o sobrevoo de drones em um raio de 100 metros da casa de Jair Bolsonaro, visando preservar a segurança e a privacidade do local e do custodiado.
Implicações e o futuro da situação
A decisão do ministro Alexandre de Moraes sublinha a excepcionalidade da prisão domiciliar concedida a Jair Bolsonaro, reafirmando que, apesar da mudança de local, o ex-presidente permanece sob as restrições inerentes ao regime fechado. A manutenção das regras de visitação estritas para os filhos que não coabitam e a proibição de drones reforçam a vigilância sobre o cumprimento da pena. A medida, baseada em razões humanitárias de saúde, é temporária e sujeita a reavaliação, garantindo que o monitoramento do STF permaneça ativo e adaptado às circunstâncias, sem comprometer a integridade da condenação imposta. O cenário futuro dependerá diretamente da evolução do quadro de saúde do ex-presidente e das análises judiciais subsequentes.
Perguntas frequentes (FAQ)
Por que Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar?
Jair Bolsonaro foi transferido para prisão domiciliar temporária por razões humanitárias, devido a um grave agravamento de seu estado de saúde. Ele foi diagnosticado com pneumonia bacteriana e necessitou de internação hospitalar, o que tornou inviável seu retorno à penitenciária.
Quais são as regras de visitação para Jair Bolsonaro em prisão domiciliar?
Os filhos Flávio, Carlos e Jair Renan Bolsonaro podem visitá-lo às quartas-feiras e sábados, em horários específicos: das 8h às 10h, das 11h às 13h e das 14h às 16h. Para a esposa, Michelle Bolsonaro, a filha do casal e a enteada, que residem na mesma casa, o acesso é livre.
Qual a duração inicial da prisão domiciliar e como ela é monitorada?
A prisão domiciliar tem duração inicial de 90 dias e será reavaliada pelo ministro Alexandre de Moraes, que pode solicitar nova perícia médica. Além disso, Bolsonaro está sendo monitorado por tornozeleira eletrônica e há uma proibição de sobrevoo de drones em um raio de 100 metros de sua residência.
Quais crimes levaram à condenação de Jair Bolsonaro?
Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, e deterioração de patrimônio tombado.
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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br