De ervilha a jaca: churrascaria reinventa o churrasco com opções veganas
G1
Em Campinas, interior de São Paulo, uma churrascaria inova ao apresentar um cardápio totalmente vegano, simulando pratos tradicionais da culinária brasileira sem utilizar nenhum ingrediente de origem animal. O restaurante “Chama Verde”, com dois anos de existência, oferece desde carne de proteína de ervilha no espeto até coxinha de jaca e feijoada com linguiça de trigo.
A proprietária, Priscila Nunes, idealizou o negócio com o objetivo de expandir as alternativas veganas na região, onde, segundo ela, as opções ainda são limitadas. “Essa cidade carece muito de opções vegetarianas e veganas. Algumas pessoas acabam indo para São Paulo só para comer em restaurantes veganos”, afirma Priscila.
A proposta do estabelecimento reproduz a atmosfera de uma churrascaria convencional, tanto no espaço quanto no serviço, porém, com um menu 100% livre de proteína animal. A iniciativa tem atraído um público crescente, incluindo pessoas interessadas em experimentar novos sabores e até mesmo em mudar seus hábitos alimentares. Priscila relata que alguns clientes entram no restaurante sem saber que é vegano e, mesmo assim, decidem experimentar os pratos.
Arthur Genoni, churrasqueiro do local, explica o processo de preparo dos espetos de carne vegetal, que são temperados com um molho de alho e ervas e, em seguida, levados à churrasqueira para adquirir o sabor defumado característico. “Nós, aqui, queremos preservar a cultura brasileira de sentar à mesa com a família para comer o churrasco, mas sem maltratar nenhum animal”, declara a proprietária.
O chef Manolo de Souza, vegano, destaca a variedade de opções oferecidas no buffet, que muda diariamente, incluindo sobremesas. Entre os pratos, é possível encontrar cogumelos empanados, lasanha de berinjela e coxinha de couve-flor.
A estudante Ana Carolina Ribeiro, vegetariana há sete anos e moradora de Indaiatuba, ressalta a escassez de restaurantes com opções sem carne ou veganas em sua cidade. Ela menciona um debate dentro da comunidade vegana sobre a necessidade de “imitar” alimentos de origem animal, já que o veganismo prega o não consumo de produtos de origem animal. Apesar disso, Ana acredita que “a nomenclatura pode até democratizar o nosso movimento. Uma pessoa que vê o nome do churrasco vegano fica curiosa e vai procurar para saber o que é, acaba vindo e conhecendo um novo tipo de culinária”.
Priscila Nunes também comenta sobre o estranhamento que o nome de seu restaurante causa em algumas pessoas, gerando críticas, principalmente nas redes sociais. “Aqui, vejo muitas pessoas que consomem carne querendo experimentar o churrasco vegano. Eu quero levar o veganismo até as pessoas, principalmente em Campinas”, conclui.
Fonte: g1.globo.com