Estado do Rio inicia distribuição da nova vacina contra a dengue

 Estado do Rio inicia distribuição da nova vacina contra a dengue

© Instituto Butantan/Divulgação

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A saúde pública do Rio de Janeiro marca um passo significativo na luta contra a dengue com o início da distribuição de uma nova vacina. Nesta segunda-feira, todos os 92 municípios fluminenses começam a receber as doses do imunizante produzido pelo Instituto Butantan. A iniciativa, coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), visa proteger a população contra a doença, que anualmente representa um desafio considerável. Com um total de 33.364 doses destinadas ao estado, sendo 12.500 para a capital, a estratégia inicial focará em grupos prioritários, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde. Este avanço na imunização contra a dengue é crucial para reforçar as defesas da população e mitigar os impactos das futuras ondas epidemiológicas, garantindo mais segurança aos cidadãos.

Distribuição e público-alvo prioritário

A distribuição estratégica da nova vacina contra a dengue marca um ponto de virada nas ações de saúde pública fluminenses. Desde a última segunda-feira, todos os 92 municípios do estado do Rio de Janeiro estão recebendo as remessas do imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, com a logística operacionalizada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ). Este lote inicial, composto por 33.364 doses, é fundamental para iniciar a campanha de imunização em solo fluminense, sendo que 12.500 dessas doses foram direcionadas especificamente para a capital, que concentra uma parcela significativa da população e, por vezes, maiores desafios epidemiológicos.

Fases iniciais da imunização

Em consonância com as orientações do Ministério da Saúde, a fase inicial desta campanha de vacinação tem como foco os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS). Este grupo prioritário não se restringe apenas aos profissionais que atuam diretamente no atendimento ao paciente, como médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem e odontólogos, mas também abrange as equipes multiprofissionais – incluindo nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, assistentes sociais e farmacêuticos. Além deles, os agentes comunitários de saúde (ACS) e os agentes de combate às endemias (ACE), que estão na linha de frente do combate ao mosquito vetor e na conscientização da população, também serão contemplados. A decisão de priorizar esses trabalhadores reflete o reconhecimento de sua exposição diária ao vírus e de seu papel indispensável na manutenção e promoção da saúde da comunidade. A expansão para outros segmentos da população será realizada em etapas subsequentes, acompanhando a disponibilidade de novas doses.

Estratégia de vacinação e cenário epidemiológico

A vacinação contra a dengue no Rio de Janeiro será implementada de maneira escalonada e gradual, levando em consideração tanto a disponibilidade de doses quanto a situação epidemiológica específica de cada município. A vacina do Instituto Butantan, licenciada para indivíduos de 12 a 59 anos, será utilizada preferencialmente na faixa etária de 15 a 59 anos. Essa diferenciação se deve ao fato de que a vacina do laboratório Takeda (Qdenga) já é preconizada para a população de 10 a 14 anos. A vacina do Butantan é de dose única e oferece proteção abrangente contra os quatro sorotipos da doença, o que representa um avanço importante na imunização.

Diferenças entre imunizantes

Keli Magno, gerente de Imunização da SES-RJ, esclareceu que a estratégia visa otimizar a cobertura vacinal. A vacina do Butantan será administrada para adolescentes a partir dos 15 anos e adultos até os 59 anos que não tenham sido vacinados com o imunizante da Takeda. Essa abordagem garantirá que diferentes faixas etárias sejam contempladas de forma eficiente, maximizando o impacto da campanha. A disponibilidade do imunizante de dose única simplifica o esquema vacinal, o que pode contribuir para uma maior adesão e cobertura da população.

Vigilância do sorotipo 3

No cenário epidemiológico atual do estado do Rio de Janeiro, os sorotipos 1 e 2 da dengue têm sido os mais predominantes. Contudo, uma preocupação crescente da SES-RJ reside na potencial reintrodução e disseminação do sorotipo 3. Este tipo do vírus não circula no estado desde 2007, o que significa que uma parcela significativa da população fluminense não teve contato prévio com ele, tornando-a vulnerável a uma eventual epidemia caso o sorotipo 3 comece a circular novamente. A vigilância é intensificada, especialmente porque essa variante já é encontrada em estados vizinhos, aumentando o risco de sua propagação no território fluminense. A campanha de vacinação, juntamente com o monitoramento constante, é essencial para mitigar os riscos associados a esta vulnerabilidade.

Prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti

Mesmo com a chegada da vacina e indicadores de dengue em níveis baixos no momento, a Secretaria de Estado de Saúde reforça a importância crítica das ações de prevenção. O alerta é especial para o período pós-Carnaval, quando as condições climáticas se mostram ideais para a proliferação do mosquito Aedes aegypti. As chuvas intensas que antecederam a folia, combinadas com o calor excessivo típico do verão, criam o ambiente perfeito para a reprodução do vetor, que é responsável pela transmissão não apenas da dengue, mas também da chikungunya e da zika.

Além das condições climáticas favoráveis, a intensa movimentação de turistas no estado durante o Carnaval representa um fator de risco adicional. Visitantes de regiões onde há circulação ativa do vírus podem se tornar portadores, contribuindo para a introdução e disseminação de novos casos em áreas que antes estavam com a situação controlada.

Combate ao mosquito Aedes aegypti

Diante desse cenário, a recomendação primordial da secretaria é que cada cidadão dedique no mínimo dez minutos por semana para realizar uma inspeção detalhada em suas residências e arredores. Essa “varredura” inclui a verificação da vedação de caixas d’água, a limpeza rigorosa de calhas para evitar acúmulo de água, a colocação de areia em pratos de plantas e o descarte adequado da água acumulada em bandejas de geladeiras e ar-condicionados. A conscientização sobre o ciclo de vida do Aedes aegypti é vital: os ovos são depositados em locais com acúmulo de água e eclodem rapidamente com a incidência de sol e calor, transformando-se em mosquitos adultos em poucos dias. O verão, com sua alternância de chuvas e altas temperaturas, é a estação onde o ciclo de reprodução do mosquito encontra condições ideais, exigindo vigilância constante e ação comunitária.

Dados epidemiológicos recentes e ações complementares

O Centro de Inteligência em Saúde da SES-RJ mantém um monitoramento contínuo das arboviroses, com dados atualizados até o dia 20 do mês em curso. O estado registrou 1.198 casos prováveis de dengue e 56 internações, sem confirmação de óbitos até o momento. Em relação à chikungunya, foram contabilizados 41 casos prováveis e 5 internações. Importante destacar que, no território fluminense, não há casos confirmados de zika.

Tecnologia e diagnóstico

A vigilância da dengue, a arbovirose de maior circulação, é realizada por meio de um indicador composto que analisa o volume de atendimentos em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), as solicitações de leitos hospitalares e a taxa de positividade dos exames. Esses dados são cruciais para a tomada de decisões e podem ser acompanhados em tempo real na plataforma MonitoraRJ (monitorar.saude.rj.gov.br), garantindo transparência e agilidade na informação. Atualmente, os 92 municípios do estado encontram-se em situação de rotina, mas a vigilância permanece ativa.

Além da recente vacina do Butantan, o Ministério da Saúde iniciou em 2023 o fornecimento da vacina Qdenga, de fabricação japonesa. No estado do Rio de Janeiro, mais de 758 mil doses deste imunizante foram aplicadas. Do público-alvo inicial de 10 a 14 anos, mais de 360 mil crianças e adolescentes receberam a primeira dose, e 244 mil completaram o esquema vacinal com a segunda dose. A SES-RJ também investe na qualificação da rede de saúde através de videoaulas e treinamentos especializados. O estado foi pioneiro ao desenvolver uma ferramenta digital para uniformizar o manejo de casos de dengue nas unidades de saúde, um aplicativo que foi disponibilizado para outros estados brasileiros. Complementarmente, o Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ) foi equipado para realizar até 40 mil exames por mês, assegurando a detecção ágil não apenas para dengue, zika e chikungunya, mas também para a febre do Oropouche – uma arbovirose recentemente introduzida, transmitida pelo mosquito Ceratopogonidae, conhecido como Maruim, e não pelo Aedes aegypti. Essas ações integradas reforçam o compromisso com a saúde pública e a proteção da população fluminense.

Perguntas frequentes

Quem são os primeiros a receber a nova vacina contra a dengue no Rio de Janeiro?
Os primeiros a receberem as doses da nova vacina do Instituto Butantan são os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo médicos, enfermeiros, técnicos, dentistas, equipes multiprofissionais, agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.

Qual a faixa etária recomendada para a vacina do Instituto Butantan e para a vacina da Takeda (Qdenga)?
A vacina do Instituto Butantan é licenciada para uso na faixa etária de 12 a 59 anos, mas recomenda-se sua administração para indivíduos de 15 a 59 anos. A vacina da Takeda (Qdenga) é preconizada para a população de 10 a 14 anos.

Quais são os principais riscos epidemiológicos atuais no estado do Rio de Janeiro em relação à dengue?
Embora os sorotipos 1 e 2 sejam os mais frequentes, a principal preocupação da SES-RJ é com a possível reintrodução do sorotipo 3, que não circula no estado desde 2007. A população é considerada vulnerável a este sorotipo, que já circula em estados vizinhos.

Como posso acompanhar os dados da dengue no Rio de Janeiro?
Os dados podem ser visualizados em tempo real no MonitoraRJ, acessível em monitorar.saude.rj.gov.br, que apresenta um indicador composto de atendimentos em UPAs, solicitações de leitos e taxa de positividade.

Participe ativamente da prevenção! Dedique 10 minutos por semana à sua casa e elimine focos de água parada para combater o Aedes aegypti e proteger sua família.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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