SP: Laudo Pericial Confirma Assassinato de PM Gisele Santana e Descarta Suicídio
© Gisele Alves Santana/ Instagram
A investigação sobre a morte da soldado Gisele Alves Santana, da Polícia Militar de São Paulo, ganhou um desfecho crucial com a divulgação de um laudo complementar. O documento, emitido pelo Instituto de Criminalística de São Paulo, refuta categoricamente a hipótese de suicídio e aponta para o assassinato da policial, reforçando a acusação de feminicídio contra seu então companheiro, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto.
Laudo Oficial Desmente Suicídio
O novo parecer pericial, assinado na última terça-feira (1º), analisou minuciosamente os elementos materiais e padrões de manchas de sangue encontrados no local do ocorrido. De acordo com o texto, o conjunto de evidências objetivas identificadas é “incompatível” com um evento suicida. O documento é explícito ao afirmar que a hipótese de intervenção de uma segunda pessoa “resistiu ao confronto com a totalidade dos elementos objetivos examinados, não tendo sido identificado elemento material que a contradissesse”, consolidando a tese de homicídio da soldado.
Acusação de Feminicídio Contra Tenente-Coronel
Com a confirmação pericial, fortalece-se ainda mais o processo contra o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que já figura como réu pela acusação de feminicídio. A morte de Gisele Alves Santana ocorreu em 18 de fevereiro deste ano, quando a soldado foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento que compartilhava com o oficial. Inicialmente, o tenente-coronel reportou o caso como suicídio, acionando o socorro, mas o registro policial foi posteriormente alterado para morte suspeita diante das inconsistências e da contestação imediata da família da vítima. Leite Rosa Neto foi detido em 18 de março e permanece no Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista.
Evidências Iniciais e o Histórico da Investigação
Desde o princípio das apurações, a família de Gisele e os peritos independentes já levantavam sérias dúvidas sobre a versão de suicídio. Laudos necroscópicos preliminares, realizados pelo Instituto Médico Legal (IML), foram fundamentais para essa desconfiança, revelando lesões contundentes na face e na região cervical da vítima. Essas lesões foram descritas como resultado de pressão digital e escoriações compatíveis com estigma ungueal – ou seja, marcas de unhas. Tais achados já apontavam para uma luta ou agressão prévia ao disparo.
Lacunas e Contradições na Cena do Crime
A investigação também destacou outras inconsistências cruciais. Uma testemunha vizinha relatou ter ouvido um disparo por volta das 7h28 do dia da morte de Gisele. Contudo, o acionamento do Copom por Geraldo Neto só ocorreu às 7h57, estabelecendo um intervalo de quase meia hora entre o incidente e o pedido de socorro. Além disso, a presença de uma arma na mão da vítima, em foto tirada pelos socorristas, foi apontada como um elemento incomum para casos de suicídio.
Outro ponto controverso que levantou questionamentos sobre a preservação da cena do crime foi a ida de três policiais femininas ao apartamento para realizar uma “limpeza” poucas horas após o ocorrido, fato já confirmado em seus depoimentos, adicionando complexidade ao cenário investigativo.
A Busca por Justiça: Próximos Passos Jurídicos
O advogado da família de Gisele, José Miguel Silva Junior, expressou que o resultado do laudo não é uma surpresa, uma vez que a tese de feminicídio sempre foi a principal linha de trabalho. Ele enfatizou que laudos anteriores e o testemunho da perita já indicavam a impossibilidade de Gisele ter cometido suicídio. Silva Junior também informou que as questões levantadas pela defesa do acusado foram devidamente respondidas e corroboram integralmente com o que já consta nos autos, isolando a negativa do réu em meio às evidências.
A próxima etapa crucial do processo está agendada para a próxima terça-feira (8), quando ocorrerá uma nova audiência e o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto será interrogado, em um momento decisivo para o avanço das apurações.
A divulgação do laudo complementar representa um passo significativo na elucidação do caso Gisele Alves Santana, solidificando a conclusão de que a soldado foi vítima de um assassinato. Com as evidências periciais e o histórico das investigações convergindo para a mesma direção, a justiça busca agora desvendar completamente os fatos e responsabilizar os envolvidos pela trágica morte da policial.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br