Crítica a pedido de perdão tem tom misógino, diz presidente do stm

 Crítica a pedido de perdão tem tom misógino, diz presidente do stm

© José Cruz/Agência Brasil

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Presidente do STM Aponta Tom Misógino em Crítica de Ministro

A presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha, classificou como misógina a postura do ministro Carlos Augusto Amaral Oliveira ao criticá-la por ter pedido perdão pelas omissões da Justiça Militar durante o período da ditadura militar. A declaração foi feita na abertura da sessão desta terça-feira (4), a primeira após a manifestação do ministro.

No dia 25 de outubro, durante um ato ecumênico em São Paulo em memória dos 50 anos do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, Maria Elizabeth, na condição de presidente do tribunal, pediu perdão pelos “erros e as omissões judiciais” a todos que sofreram lutando pela liberdade no Brasil. O gesto da ministra foi recebido com aplausos.

Na última quinta-feira (30), Carlos Augusto, integrante da Aeronáutica no STM, expressou discordância com o pedido de perdão, afirmando que a ministra “precisa estudar um pouco mais” a história do STM e que sua fala não representava o posicionamento do tribunal.

Em resposta, na sessão desta terça-feira, Maria Elizabeth Rocha leu um discurso em que manifestou seu protesto contra a fala do colega, considerando-a desrespeitosa e misógina. “A divergência de ideias é legítima. O que não é legítimo é o tom misógino, travestido de conselho paternalista sobre estudar um pouco mais a história da instituição, adotado pelo interlocutor”, declarou a ministra, complementando que essa agressão atinge a magistratura feminina como um todo.

A presidente do STM também esclareceu que o ato simbólico de perdão não teve “intuito de humilhação” ou cunho político-partidário, mas sim foi um ato de responsabilidade pública.

Após a leitura do discurso, houve um bate-boca entre os ministros. Carlos Augusto reiterou que não delegou a Maria Elizabeth o direito de falar em nome dele, ao que ela respondeu: “Nem quero”.

Maria Elizabeth Rocha é a primeira mulher a ocupar a presidência do STM em 217 anos de história do órgão. Ela compõe o tribunal desde 2007, tendo sido indicada durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em setembro deste ano, Verônica Abdalla Sterman tornou-se a segunda mulher a integrar o STM, também nomeada por Lula. Ambas ocupam as cadeiras destinadas aos ministros civis. O STM é composto por 15 ministros, sendo cinco civis e dez militares.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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