Em atos, movimento negro pede investigação independente sobre operação no rio
© Paulo Pinto/Agência Brasil
Movimento negro exige apuração rigorosa sobre operação policial no Rio de Janeiro
Atos de protesto coordenados pelo movimento negro ecoaram em diversas cidades do país na última sexta-feira, com o objetivo de denunciar e exigir justiça em relação à Operação Contenção, realizada no Rio de Janeiro. A ação policial, que resultou em um número alarmante de 121 mortes, é considerada a mais letal da história do país, gerando indignação e clamor por uma investigação independente e transparente.
No Rio de Janeiro, epicentro da controvérsia, moradores dos complexos da Penha e do Alemão, juntamente com outras comunidades marginalizadas, realizaram uma caminhada em protesto. Apesar da chuva, milhares de pessoas se reuniram na Vila Cruzeiro, uma das comunidades do Complexo da Penha, marcando presença em um campo de futebol para expressar sua revolta. Entre os manifestantes, destacaram-se mães de jovens que perderam suas vidas em operações policiais anteriores, unindo suas vozes em busca de justiça e reparação.
Em São Paulo, a Avenida Paulista foi palco de uma manifestação onde o movimento negro reivindicou a federalização da investigação da ação policial. Além disso, os manifestantes exigiram a criminalização do governador Cláudio Castro e dos policiais militares envolvidos na operação. Douglas Belchior, da Coalizão Negra por Direitos e da Uneafro Brasil, enfatizou a necessidade de políticas de acolhimento e acesso à justiça para as famílias das vítimas, bem como a reparação pelos danos morais e psicológicos causados pela “política genocida do Estado brasileiro”. O ato, que teve início em frente ao Masp, seguiu em passeata até a Rua da Consolação, reunindo diversas entidades como o Movimento Negro Unificado (MNU), a Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, a União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro), além de entidades sindicais e movimentos populares. Zezé Menezes, fundadora da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, comparou o número de mortos na operação com o de conflitos armados, ressaltando a persistência da violência contra a população negra no Brasil.
Em São Luís, Maranhão, os movimentos sociais se reuniram na Praça Deodoro, no centro da cidade, com cartazes e faixas expressando sua indignação contra a violência policial. O estudante Alex Silva criticou a “necropolítica” que, segundo ele, segrega as populações pobres e periféricas de cor preta. Claudicéia Durans, integrante do movimento Quilombo Classe e Raça, enfatizou que a pobreza não justifica operações como essa em comunidades carentes, defendendo políticas públicas que amparem a população. Saulo Arcângelo, da central sindical Conlutas, criticou a ausência de políticas públicas de educação, cultura e geração de renda para a juventude, tornando-a vulnerável ao tráfico de drogas.
Em Brasília, a manifestação ocorreu próximo à Esplanada dos Ministérios, onde os participantes defenderam uma investigação independente da Operação Contenção. Maria das Neves, integrante do Conselho Nacional de Direitos Humanos, classificou a operação como um “brutal atentado contra a vida do povo preto e favelado”. O conselho solicitou ao STF que o governador Cláudio Castro preste informações sobre a ação policial e pediu à ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, uma perícia independente.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br