“Ouvir salva vidas”: Cotia reforça alerta contra abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes

 “Ouvir salva vidas”: Cotia reforça alerta contra abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes
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A cada hora, pelo menos três crianças sofrem algum tipo de abuso no Brasil, realidade que não é diferente em Cotia.  O dado alarmante foi apresentado durante a abertura da programação do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, realizada nesta segunda-feira (18), promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura de Cotia.  O encontro, no saguão do Centro Administrativo de Cotia – CAC, reuniu representantes da rede de proteção, conselheiras tutelares, profissionais da assistência social e autoridades municipais para discutir prevenção, acolhimento e denúncia.

E quem abriu o encontro foram exatamente as crianças e adolescentes do grupo Guaçatom, projeto musical formado por crianças e jovens de Caucaia do Alto sob regência da maestrina Isa Uheara, com apresentações musicais que envolveram os presentes, ao mesmo tempo que sensibilizaram para a importância do cuidado.

Paul Ledergeber reforçou o papel das famílias na proteção infantil (Roberto Pires)
José Bertuol: “crianças nascem anjos” (Roberto Pires)

“Crianças não nascem monstros, nascem anjos e nós estragamos, mas podemos cuidar das crianças e fazer um mundo melhor”, afirmou o secretário adjunto de Desenvolvimento Social, José Bertuol. Já o presidente da Associação Filantrópica Criança Feliz, Paul Ledergerber, reforçou o papel das famílias na proteção infantil. “A formação das crianças começa em casa. A gente colabora, mas a principal tarefa é da família”, destacou.

As falas dialogam com uma realidade preocupante: a maioria dos casos de abuso e exploração sexual acontece dentro do círculo de confiança das vítimas. Familiares, conhecidos ou pessoas próximas costumam ocupar o lugar do agressor, o que torna a identificação ainda mais difícil e dolorosa.

Durante o encontro, a psicóloga Monalisa Cristina de Oliveira e as conselheiras tutelares Maria Cristina, Mara Evangelista, Shirlei Araújo, Camila Alves, Cristiane de Almeida e Daniele Bretanha  alertaram para a importância da proteção e da prevenção, além da necessidade de olhar para os sinais apresentados pelas crianças e adolescentes. Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, dificuldade para dormir, alteração alimentar, medo excessivo de determinadas pessoas e até mudanças na forma de se vestir podem indicar situações de violência.

Grupo Guaçatom abriu evento (Roberto Pires)
Monalisa Cristina de Oliveira e as conselheiras tutelares Daniele Bretanha , Maria Cristina, Mara Evangelista, Shirlei Araújo, Camila Alves, Cristiane de Almeida (Roberto Pires)

O encontro contou com representantes de entidades que atuam diretamente no atendimento e acolhimento de crianças e adolescente e do público em geral. Entre os presentes, a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente Vivam Arata e Robson Dias, que também representou a Vida Casa de Apoio,  Geuza Costa da Associação Alfa,  Carmem Lúcia Toledo do Criança Feliz e Fátima Pina do Centro Profissionalizante Rio Branco – Cepro.

Um ponto destacado nas falas foi o crescimento dos casos de violência no ambiente virtual. Segundo as profissionais, muitos pais acreditam que os filhos estão seguros apenas por estarem dentro de casa, mas crianças e adolescentes também podem ser vítimas de abuso e exploração sexual pela internet, especialmente em redes sociais, jogos on-line e aplicativos de conversa.

As conselheiras também chamaram atenção para situações frequentemente normalizadas no cotidiano, como obrigar crianças a abraçar ou beijar adultos contra a vontade. Segundo elas, é fundamental ensinar limites, respeitar o corpo da criança e ouvir com atenção qualquer relato ou desconforto apresentado.

“Ouvir salva vidas”, destacou uma das conselheiras durante a roda de conversa ao reforçar que muitas vítimas deixam sinais antes mesmo de conseguirem verbalizar o abuso.

A campanha Maio Laranja tem como símbolo a flor amarela, representando a fragilidade da infância e a necessidade de cuidado e proteção permanentes. A mobilização nacional busca conscientizar a sociedade sobre a importância da prevenção e do enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes.

As profissionais reforçaram ainda que denunciar é fundamental e que qualquer suspeita deve ser comunicada aos órgãos responsáveis. As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100 e também na Guarda Civil de Cotia pelo 153.

“Não é dever apenas do Conselho Tutelar ou da rede de proteção. É dever de todos nós cuidar das crianças e adolescentes”, reforçaram as participantes do encontro.

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