Nações do Atlântico Sul fortalecem compromisso por paz e desenvolvimento sustentável
Buscas por vítimas das chuvas em Juiz de fora são encerradas
© Rovena Rosa/Agência Brasil
A tragédia das chuvas em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, atingiu um novo estágio com o encerramento oficial das operações de busca na cidade. A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou a localização do corpo do último desaparecido, o menino Pietro, de 9 anos, no bairro Paineiras, no último sábado (28 de janeiro). Este doloroso achado eleva o número de mortos para 72 em todo o estado, com 65 fatalidades registradas somente em Juiz de Fora. Enquanto a cidade tenta lidar com a perda e iniciar a recuperação, os moradores do bairro Paineiras, uma das áreas mais atingidas, permanecem deslocados de suas casas, enfrentando incertezas e desafios diários após os devastadores deslizamentos de terra. A situação em Ubá, onde uma pessoa ainda está desaparecida, mantém as equipes de busca em alerta máximo para intensificar os trabalhos.
O encerramento das buscas e o impacto humano
A dolorosa descoberta de Pietro e o balanço estadual
O anúncio do encerramento das buscas em Juiz de Fora trouxe um misto de alívio e profunda tristeza. A localização do corpo de Pietro, de 9 anos, no bairro Paineiras, marcou o fim de dias de intensa procura e esperança para sua família e para toda a comunidade. O menino era a última pessoa que se tinha notícia de desaparecimento na cidade, após os violentos temporais que assolaram a região. A confirmação de sua morte elevou o número de vítimas fatais em Juiz de Fora para 65. Em Minas Gerais, o total de óbitos relacionados às chuvas e deslizamentos subiu para 72, sendo sete deles registrados na cidade de Ubá.
A Polícia Civil tem trabalhado incessantemente para identificar e liberar os corpos, com todos os 72 encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML). Este balanço, embora represente o fim de uma fase crítica de resgate em Juiz de Fora, sublinha a magnitude da catástrofe que atingiu diversas localidades mineiras. Enquanto a cidade de Juiz de Fora tenta processar o luto coletivo e a dimensão das perdas humanas, os esforços de busca não cessam em Ubá. As autoridades informaram que uma pessoa ainda permanece desaparecida neste município, e as equipes de resgate estão se preparando para intensificar as operações na área, focando todos os recursos disponíveis para localizar o indivíduo. A tragédia revela a vulnerabilidade de inúmeras comunidades frente a fenômenos climáticos extremos, deixando um rastro de destruição e um longo caminho de reconstrução.
Paineiras: O epicentro da devastação e a luta dos moradores
A memória de um bairro e a noite do desastre
O bairro Paineiras, conhecido por sua arquitetura que mescla casarões antigos e prédios residenciais de classe média, tornou-se o epicentro de uma das maiores tragédias de Juiz de Fora. Na noite de segunda-feira (23 de janeiro), um massivo deslizamento de terra vindo do Morro do Cristo atingiu diversas propriedades, transformando a paisagem e a vida de centenas de famílias. A Defesa Civil agiu rapidamente, orientando a retirada das famílias devido ao iminente risco de novos desmoronamentos, agravado pela instabilidade na encosta do morro.
Guilherme Belini Golver, um engenheiro civil que vive em um casarão na rua atingida com seus pais, relata o cenário aterrador daquela noite. Ele estava fora, buscando sua filha na faculdade, quando a chuva se intensificou. Ao sair, por volta das 22h10, percebeu a gravidade: “Quando eu saí, já havia muita água, parecia um rio, de cor assim, amarronzada. Tava igualzinho um rio”, descreveu. Vinte minutos depois, recebeu a ligação de um vizinho com a notícia devastadora: “Quando ele chegou aqui fora, já estava essa tragédia toda. A terra invadindo a casa, dentro do portão, da garagem.” Desde então, a família de Guilherme não pôde retornar ao imóvel. Ele lembra que, há cerca de 40 anos, pequenas pedras já haviam deslizado da encosta, levando à instalação de contenções. Contudo, a escala do deslizamento atual é incomparável, e o medo de novos episódios assombra os moradores: “A cabeça da gente fica meio preocupada, aquele medo de acontecer de novo.” Guilherme tem retornado apenas para tentar limpar a lama e vigiar a casa, que ficou vulnerável após o impacto da terra, perdendo inclusive a tranca do portão.
A luta pela sobrevivência e os desafios pós-tragédia
A algumas dezenas de metros do casarão de Guilherme, a mesma rua guarda histórias igualmente dramáticas. Um policial penal, que havia se mudado para o bairro há apenas quatro meses, perdeu a vida durante o deslizamento. Em um dos prédios residenciais atingidos, onde três apartamentos eram alugados pela mesma família, mora o motoboy Paulo Barbosa Siqueira, de 25 anos. Ele também estava fora no momento do desabamento, por volta das 22h50, buscando sua irmã devido à forte chuva. “Quando curvei aqui para entrar no prédio, já tinha caído tudo”, recorda Barbosa.
Com o acesso principal bloqueado, os moradores precisaram improvisar rotas de fuga. “Teve gente que pulou de dois apartamentos para poder ir para o outro. Aí a gente fez o caminho. Isso, salvamos todo mundo”, conta Paulo, ressaltando a ausência de ajuda externa naquele momento crítico. “Ninguém veio ajudar a gente. Eu e um policial militar que fizemos o caminho para salvar todos.” A tristeza do episódio é agravada pela perda de um vizinho querido: “A gente perdeu um policial do nosso prédio”, lamenta.
Desde a tragédia, Paulo e os demais moradores vivem em um limbo, aguardando autorização para entrar nos imóveis e recuperar itens essenciais. O acesso permanece interditado devido ao risco estrutural. “A gente quer pegar o básico, documento, roupa. A gente está sem nada, de favor na casa dos outros. A gente está usando roupa dos outros. Sem nada para comer”, desabafa Paulo, que relata severas dificuldades para se alimentar e dormir desde o ocorrido. “Desde o dia do acontecimento, eu não como, não consigo comer. Nem dormindo direito a gente está.” A falta de um posicionamento formal por parte das autoridades sobre a situação dos prédios agrava a angústia: “Até agora a Defesa não deu um parecer para a gente, nem bombeiro.” Para completar o cenário de desamparo, moradores ainda denunciam saques noturnos nos imóveis interditados. Os deslizamentos no Paineiras atingiram dois pontos distintos em ruas próximas: um com danos estruturais e uma morte, e outro, onde equipes de resgate atuaram intensamente na busca por vítimas, incluindo Pietro.
Conclusão
A conclusão das buscas em Juiz de Fora, marcada pela trágica descoberta de Pietro, fecha um capítulo de apreensão, mas abre um período prolongado de luto, recuperação e desafios. A cidade e o estado de Minas Gerais enfrentam a árdua tarefa de reconstruir não apenas moradias e infraestruturas, mas também a vida de centenas de famílias que perderam tudo. A persistência dos problemas em bairros como Paineiras, onde moradores estão desabrigados, lidam com a incerteza e a vulnerabilidade de seus imóveis, e clamam por apoio e respostas das autoridades, demonstra a complexidade da crise humanitária e social desencadeada pelas chuvas. A lição extraída desta tragédia ressalta a urgência de políticas de prevenção eficazes, planejamento urbano resiliente e, acima de tudo, uma resposta humana e eficiente para aqueles que foram mais atingidos. O caminho à frente exige solidariedade contínua, investimentos em segurança e um compromisso inabalável com a dignidade e o bem-estar dos cidadãos.
FAQ
1. Quantas pessoas morreram devido às chuvas em Minas Gerais?
As chuvas e deslizamentos resultaram em um total de 72 mortes em Minas Gerais, sendo 65 em Juiz de Fora e 7 em Ubá.
2. As buscas por desaparecidos em Juiz de Fora foram encerradas?
Sim, as buscas por vítimas em Juiz de Fora foram oficialmente encerradas após a localização do corpo do menino Pietro, de 9 anos. No entanto, em Ubá, uma pessoa ainda permanece desaparecida e as buscas serão intensificadas.
3. Qual a situação dos moradores do bairro Paineiras após os deslizamentos?
Os moradores do bairro Paineiras que tiveram suas casas atingidas pelos deslizamentos permanecem fora de seus imóveis devido ao risco de novos desmoronamentos. Muitos estão abrigados em casas de parentes ou amigos, enfrentam dificuldades para obter itens essenciais e denunciam a falta de um parecer oficial sobre a segurança de seus prédios, além de relatos de saques nas propriedades interditadas.
4. A Defesa Civil já deu um parecer sobre os prédios atingidos no bairro Paineiras?
De acordo com relatos de moradores, até o momento, não havia um posicionamento formal da Defesa Civil ou do Corpo de Bombeiros sobre a situação estrutural dos prédios atingidos no bairro Paineiras, gerando grande incerteza para as famílias desabrigadas.
Diante da complexidade e da gravidade desta situação, é fundamental que a sociedade permaneça atenta e engajada. Mantenha-se informado sobre os desdobramentos desta tragédia e considere as diversas formas de apoio às comunidades afetadas, seja por meio de doações, voluntariado ou pela cobrança por políticas públicas que garantam a segurança e a resiliência de todos.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br