Autoritarismo global: estudo alerta para retrocesso democrático em 100 países

 Autoritarismo global: estudo alerta para retrocesso democrático em 100 países

© REUTERS/Antranik Tavitian/Proibida reprodução

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Um recente relatório global, divulgado esta semana, levanta um sério alerta sobre o preocupante aumento do autoritarismo global e o retrocesso significativo da democracia em mais de 100 países. O documento destaca que as salvaguardas e proteções dos direitos humanos em todo o mundo têm sido severamente impactadas pelas ações de lideranças influentes, especialmente a administração dos Estados Unidos sob Donald Trump, bem como pela persistente atuação de nações como Rússia e China. Diante desse cenário complexo, o estudo aponta para um desafio geracional sem precedentes e apela veementemente para que as democracias estabeleçam uma aliança estratégica robusta, visando preservar a ordem internacional baseada em regras e conter a onda autoritária que se espalha globalmente.

A escalada do autoritarismo e o papel dos Estados Unidos

A análise aprofundada do relatório revela que o sistema global de direitos humanos se encontra em perigo iminente. Sob forte pressão, a ordem internacional, que se fundamenta no direito e na cooperação, está sendo sistematicamente minada. O estudo atribui grande parte dessa deterioração às políticas e à retórica da administração americana, que teria desferido ataques diretos ao Estado de Direito e às liberdades fundamentais, gerando repercussões de vasta escala em todo o planeta.

Impacto doméstico da administração americana

No âmbito doméstico, a administração dos Estados Unidos é apontada como a principal propulsora dessa onda autoritária. O governo americano, segundo o relatório, teria sistematicamente diminuído a responsabilização governamental, atacado a independência judicial e desrespeitado ordens judiciais, enfraquecendo pilares essenciais da democracia. Entre as medidas citadas, destacam-se cortes drásticos na ajuda alimentar e nos subsídios de saúde, revogação de direitos das mulheres e obstrução ao acesso ao aborto. Além disso, a administração teria minado medidas de reparação por danos raciais, retirado proteções a pessoas trans e intersexo e corroído a privacidade individual.

O relatório também detalha o uso do poder governamental para intimidar adversários políticos, veículos de comunicação social, escritórios de advocacia, universidades, a sociedade civil e até mesmo comediantes, criando um clima de censura e medo. No que tange à imigração, agentes do serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) são acusados de usar força excessiva, aterrorizar comunidades e prender indevidamente cidadãos. Há menções a casos trágicos, incluindo mortes injustificadas, como as ocorridas em Minneapolis, e a constatação de que a maioria dos imigrantes detidos não possui antecedentes criminais, intensificando as críticas às políticas migratórias.

A política externa e a desordem internacional

A política externa da administração americana também é alvo de severas críticas. O documento aponta que, ao alegar um risco de “apagamento civilizacional” na Europa e ao usar estereótipos racistas para descrever populações inteiras como indesejáveis nos EUA, a retórica governamental alinhou-se a ideologias nacionalistas brancas. A mensagem implícita seria clara: em uma “nova desordem mundial”, o poder dita o que é certo, e atrocidades não são impeditivas para acordos.

A política externa, segundo o estudo, subverteu os fundamentos da ordem internacional baseada em regras, que historicamente buscava promover a democracia e os direitos humanos. O governo americano teria, inclusive, vangloriado-se de não precisar do direito internacional como restrição, confiando apenas em sua própria moralidade. Concretamente, o país cancelou abruptamente quase toda a ajuda externa, incluindo financiamento para assistência humanitária vital, e retirou-se de instituições multilaterais essenciais para a proteção global dos direitos humanos, como o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e o Acordo de Paris sobre o Clima.

Um exemplo notório é a postura em relação à Ucrânia, onde os esforços de paz da administração teriam consistentemente minimizado a responsabilidade da Rússia por graves violações. Em vez de exercer pressão significativa sobre o presidente russo para que pusesse fim a crimes, o governo americano teria repreendido publicamente o presidente ucraniano, exigindo um acordo exploratório de minerais e pressionando o país a ceder grandes extensões de território.

A ameaça global e o desafio das democracias

Embora o foco recaia sobre as ações americanas, o relatório ressalta que o declínio da democracia e a ascensão do autoritarismo são fenômenos globais complexos, com raízes que antecedem a mais recente administração dos EUA. No entanto, as posturas das grandes potências exacerbam a situação, criando um ambiente propício para que regimes menos democráticos ganhem força.

Esforços de China e Rússia e a “recessão democrática”

A China e a Rússia são descritas como agentes que persistentemente minam a ordem internacional regida por leis. Ambas as nações têm promovido seus próprios modelos de governança, muitas vezes em detrimento das liberdades individuais e dos direitos civis. O relatório observa que a onda democrática que teve início há mais de 50 anos foi seguida pelo que estudiosos denominam de “recessão democrática”. A democracia, atualmente, está de volta aos níveis de 1985, com cerca de 72% da população mundial vivendo sob regimes autoritários. O estudo afirma que a Rússia e a China são hoje menos livres do que eram há duas décadas, ilustrando a gravidade da regressão.

Outros países, que poderiam liderar a luta pela preservação dos direitos humanos, foram enfraquecidos por forças internas não liberais. Além disso, muitos são impedidos de agir pelo receio de antagonizar os Estados Unidos e a China. Há uma crescente percepção de que os direitos humanos e o Estado de direito são vistos como um obstáculo, em vez de um benefício, para a segurança e o crescimento econômico, o que dificulta a formação de uma frente unida.

O apelo por uma aliança estratégica

Diante de um cenário tão desafiador, o estudo faz um apelo urgente. É crucial que os Estados que genuinamente valorizam os direitos humanos e a ordem internacional baseada em regras se unam. Essa união deve ir além de meras declarações, transformando-se em uma força política poderosa e um bloco econômico substancial, capaz de enfrentar a onda autoritária e preservar os avanços democráticos conquistados ao longo de décadas. A cooperação e a solidariedade entre as democracias são apresentadas como a única via para reverter a atual trajetória.

Panorama e perspectivas futuras

O panorama global dos direitos humanos e da democracia é, inegavelmente, sombrio. O relatório detalha um cenário de crescente autoritarismo, com nações poderosas minando as instituições e os princípios que sustentam a ordem internacional. A erosão das proteções dos direitos humanos em mais de uma centena de países é um testemunho da urgência em agir. Reverter essa “recessão democrática” e restabelecer o respeito pelo Estado de Direito representa o maior desafio desta geração, exigindo uma resposta coordenada e inabalável das democracias. O futuro da liberdade e da dignidade humana depende, em grande parte, da capacidade de formar uma aliança estratégica eficaz.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. O que é autoritarismo global?
O autoritarismo global refere-se à tendência crescente de governos e líderes ao redor do mundo de concentrar poder, suprimir dissidências, minar instituições democráticas e violar direitos humanos, afastando-se dos princípios do Estado de Direito e da governança democrática.

2. Quais os principais fatores que contribuem para o retrocesso democrático?
Diversos fatores contribuem para o retrocesso democrático, incluindo a ascensão de líderes populistas, o enfraquecimento da imprensa livre, a polarização política, a instrumentalização da justiça, a erosão de instituições democráticas, a desinformação e a influência de grandes potências que desvalorizam o direito internacional.

3. Como as democracias podem combater essa tendência?
Para combater o retrocesso democrático, as democracias precisam fortalecer suas próprias instituições, promover a educação cívica, apoiar a sociedade civil e a imprensa independente, e formar alianças estratégicas robustas. A cooperação econômica e política entre nações democráticas é vista como essencial para criar um contrapeso ao autoritarismo crescente.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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