Pinacoteca de São Paulo celebra retrospecto da obra da artista chilena Cecilia Vicuña

 Pinacoteca de São Paulo celebra retrospecto da obra da artista chilena Cecilia Vicuña
Compatilhe essa matéria

Primeira grande mostra da artista no Brasil, a exposição reúne cerca de 200 obras que abrangem os 60 anos de sua produção.

A mostra “Sonhar a água – Uma retrospectiva do futuro (1964…)”, da artista chilena  Cecilia Vicuña é uma colaboração da Pinacoteca com o Museu Nacional do Chile, em Santiago, e com o Malba, em Buenos Aires. A curadoria é do peruano Miguel López e levará pinturas, fotografias, vídeos, peças sonoras, esculturas e instalações da artista para a Pina Contemporânea.

A primeira grande exposição da artista chilena no Brasil, reúne cerca de 200 obras que abrangem os 60 anos de sua produção e apresenta  o compromisso de Vicuña com as lutas populares, o respeito aos direitos humanos e a proteção ambiental.  O nome da exposição representa um convite para mudarmos nossa relação com a terra.

A exposição é organizada em nove núcleos. O primeiro é “Tribu No“, nome de um grupo de jovens artistas e poetas de Santiago que, como ela, buscavam expressar sua oposição às forças conservadoras do Chile. O segundo núcleo “Pinturas, poemas e explicações” apresenta algumas de suas primeiras pinturas produzidas em Santiago, Londres e Bogotá, junto com textos explicativos.

Uma série de documentos, fotografias e materiais impressos relacionados com as campanhas de solidariedade com o Chile compõem o núcleo “Artistas pela democracia“, enquanto o núcleo “Vicuña na Colômbia” representa o momento em que Vicuña atravessou um período de explosão criativa no qual deu vida a centenas de desenhos, colagens e pinturas, ações em espaços públicos, oficinas educativas, projetos cenográficos e filmes experimentais em 16 mm.

O quinto núcleo da exposição leva o nome “Palabrarmas” e representa o período (1973) em que a artista começou a produzir uma série de desenhos, colagens e vídeos que refletiam sobre o papel da poesia em um tempo de repressão política e desaparecimentos forçados na América do Sul.

O “Quipu desaparecido” faz alusão ao legado de sequestros e assassinatos por motivos políticos perpetrados por várias ditaduras latino-americanas do século XX.  O núcleo 7, “Precarios” traz as primeiras obras precárias de Vicuñacriadas na Praia de Concón, no Chile, em 1966.  A instalação “Quipu menstrual” , (O sangue dos glaciais), um dos seus trabalhos mais emblemáticos, nomeia o oitavo e último núcleo da mostra. Na Pina, visitantes poderão ver uma versão feita para o espaço da Grande Galeria.

Cecilia Vicuña é poeta, artista visual e ativista feminista. Boa parte de sua produção se volta para sua relação com seu país natal, a cordilheira dos Andes, as lutas feministas, a memória têxtil pré-colombiana e a emancipação das comunidades indígenas. Desde os anos 1960, a obra visionária da artista dedica-se a honrar o equilíbrio e a reciprocidade do mundo natural. Seu trabalho valoriza a dimensão ritual, medicinal e curativa da arte.

Seu trabalho se debruça sobre o mundo moderno, olhando para a destruição ambiental, direitos humanos e homogeneização cultural. Nascida e criada em Santiago, no Chile, a artista vive no exílio desde 1970, ano do golpe militar contra o presidente Salvador Allende. A artista é cofundadorado grupo “Artistas pela Democracia”, criado em Londres, em 1974. Em 2022 ganhou o Leão de Ouro da Bienal de Veneza pelo conjunto de sua obra. No mesmo ano, foi comissionada pela Tate Modern de ocupar o icônico espaço Turbine Hall.

Vale a pena conferir!

Exposição Cecilia Vicuña: Sonhar a água – Uma retrospectiva do futuro (1964…)

Quando: Até 15 de setembro de 2024 – De quarta a segunda, das 10h às 18h

Quanto: Á partir de R$ 32,00

Onde: Pina Contemporânea (Grande Galeria) – Avenida Tiradentes, 273 Luz/SP.

 

Relacionados