Mulher-Maravilha: A capa que não nos serve mais

 Mulher-Maravilha: A capa que não nos serve mais
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Por Selma Cezar, primeira-dama e Secretária da Mulher e da Família

Se você é mulher, com certeza já sentiu aquela pressão de ter que dar conta de tudo ao mesmo tempo. A gente tenta ser a profissional perfeita e, como Secretária da Mulher e da Família, a demanda é bem intensa. Mas também queremos ser a mãe impecável, a esposa dedicada, a filha atenciosa, a amiga presente e, no meu caso, cumprir o papel como primeira-dama da nossa Santana de Parnaíba. Nessa rotina acelerada, há um tempo, percebi que estava sofrendo da “síndrome da mulher-maravilha”.

Mas eu quero te fazer uma pergunta: até quando a gente consegue carregar esse peso?

Com a agenda cheia, se não tomarmos cuidado, não sobra tempo para nós mesmas. Por muito tempo, eu também achei que ser forte era dar conta de tudo; tentei carregar tudo e todos, mas cada vez me afastava mais de mim.

Um bom relacionamento é feito de conexões, e a gente acaba se desconectando da nossa essência. Como tudo tem retorno, uma hora a conta chega — e chega com juros. O corpo adoece, a mente enfraquece e só então conseguimos parar e olhar para nós mesmas. Foi assim que eu mergulhei no autoconhecimento; foi assim que descobri uma verdade que liberta: a gente não precisa de uma capa de super-heroína. O que a gente precisa é ser de verdade, é ser inteira. E ser inteira é não ter medo de mostrar a nossa vulnerabilidade.

Conhecer a si mesma não é algo complicado. É simplesmente parar um pouco e entender o que nos faz bem, o que nos cansa e, principalmente, aprender que está tudo bem não dar conta de tudo. Quando a gente se conhece, para de tentar agradar todo mundo e começa a respeitar os nossos próprios limites. A gente para de gerar expectativa e se liberta de ter que atender às expectativas dos outros; a gente aprende a dizer “não”, mas aprende também a ouvir “não”.

Em Santana de Parnaíba, eu encontro mulheres incríveis todos os dias. Vejo batalhadoras que correm atrás dos seus sonhos, cuidam das suas famílias e da nossa comunidade, levam e buscam filhos na escola, vão às reuniões, fazem cursos, empreendem… Eu acho isso fantástico!

Realmente, a mulher tem se superado a cada dia. Mas eu quero dizer uma coisa para cada uma de vocês: você não precisa ser perfeita para ser valiosa.

Pedir ajuda é necessário, e isso não é sinal de que você está falhando, é sinal de que você é humana. Tirar um tempo para descansar não é preguiça, é cuidado. Quando a gente deixa de lado essa ideia de ser “superpoderosa”, ganha a liberdade de ser quem realmente é.

Meu desejo para todas as parnaibanas é que possamos caminhar juntas, com os pés no chão e o coração leve. Vamos trocar a pressão da perfeição pela alegria de sermos mulheres inteiras, reais e, acima de tudo, gentis com nós mesmas.

“A nossa maior força não está na capa que tentamos sustentar, mas na coragem de dispensá-la para sermos, finalmente, nós mesmas.”

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