Os Caminhos de Anchieta: Uma Jornada Histórica Pelas Cidades Paulistas

 Os Caminhos de Anchieta: Uma Jornada Histórica Pelas Cidades Paulistas

Agência SP

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O legado do Padre José de Anchieta, um dos pilares da história brasileira, permanece vivo no estado de São Paulo através de roteiros turísticos que convidam à exploração de locais por onde o jesuíta deixou sua marca. Considerado uma figura central na formação cultural e geográfica do Brasil colonial, Anchieta é lembrado anualmente em 9 de junho, data de seu falecimento em 1597, e sua relevância foi eternizada com a canonização em 2014.

Para honrar a memória e os passos do 'Apóstolo do Brasil', a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) mapeou e promove destinos que foram palco de sua intensa atuação, transformando-os em roteiros que conectam visitantes à rica trajetória do jesuíta e à própria história paulista.

A Vida e o Legado de José de Anchieta

Nascido em 1534, nas Ilhas Canárias, Espanha, José de Anchieta possuía ascendência judaica sefardita, pertencendo a uma família de cristãos-novos. Esta herança, que o impedia de ingressar em seminários na Espanha, o levou a Portugal, onde estudou na Universidade de Coimbra. Aos 17 anos, uniu-se à Companhia de Jesus, embarcando para o Brasil em 1553. Sua chegada em Salvador e posterior deslocamento para a Capitania de São Vicente marcaram o início de uma missão que moldaria a sociedade e a geografia da colônia.

A contribuição de Anchieta vai além da catequese. Em maio de 1560, ele produziu a célebre “Carta de São Vicente”, um relatório detalhado que descrevia a deslumbrante Mata Atlântica, a geografia física e humana, além da vasta fauna e flora da então Capitania. Sua imersão na cultura local o levou a aprender o tupi, resultando na compilação da primeira gramática indígena da história, ferramenta crucial para a comunicação e evangelização e um registro linguístico de valor inestimável.

Caminhos Turísticos por Onde Anchieta Deixou Sua Marca

A presença de Anchieta reverbera em diversas localidades paulistas, que hoje oferecem aos visitantes uma imersão na história e na fé, através de atrações que celebram sua passagem. Estes roteiros são um convite para desvendar as cidades por uma perspectiva histórica e cultural única.

Itanhaém: Entre a Poesia e a História

A segunda cidade mais antiga do Brasil, a 116 km da capital, Itanhaém, foi um dos palcos da vida de Anchieta entre 1563 e 1595. Seus 'Caminhos de Anchieta' compreendem seis pontos turísticos de grande significado: a Cama de Anchieta, uma formação rochosa onde o jesuíta encontrava repouso e inspiração para compor; a Passarela de Anchieta, um passadiço suspenso com vista panorâmica para o mar; o Pocinho de Anchieta, uma engenhosa estrutura de pedras construída por indígenas; os Painéis de Anchieta, mosaicos que retratam sua vida; o Monumento a Anchieta na Praça Narciso de Andrade; e a Igreja Matriz de Sant’Anna, que guarda a venerada imagem da Virgem de Anchieta.

Ubatuba: Versos na Areia e Ilhas Paradisíacas

Em 1563, nas areias de Iperoig, hoje conhecida como Praia do Cruzeiro, em Ubatuba (a 220 km da capital), Anchieta protagonizou um feito notável: compôs um poema de mais de 5.700 versos dedicado à Virgem Maria. Sem papel, memorizava os versos e os registrava temporariamente na areia com um cajado. A Praia do Cruzeiro, além de seu valor histórico, é hoje um vibrante centro com calçadão, espaços para esportes, feirinha de artesanato e restaurantes. Ubatuba também abriga a Ilha Anchieta, a segunda maior do litoral paulista, que presta homenagem ao jesuíta. Este paraíso natural oferece praias deslumbrantes, vida marinha rica, trilhas históricas e as ruínas de um antigo presídio.

Itu: Catequese e Berço do Barroco Paulista

Na atual Itu, a 96 km de São Paulo, Anchieta esteve na aldeia de Maniçoba, às margens do Tietê, dedicando-se à catequese indígena, ao aprendizado das línguas nativas e ao reconhecimento do território. A cidade homenageia o padre no Largo do Bom Jesus, rebatizado como Praça Padre Anchieta. Foi nesta praça que se ergueu a antiga capela de Nossa Senhora da Candelária, marco inicial do município em 1610 e que deu origem à Igreja Matriz. Este templo é um magnífico expoente do barroco paulista, abrigando o maior patrimônio do estilo na região, com altares e órgãos grandiosos, além de ser o coração histórico de Itu, cercado por atrações como o Museu Republicano da USP e os famosos itens “gigantes” da cidade.

São Paulo: O Coração da Fundação Jesuíta

A capital paulista preserva inúmeras referências à presença de Anchieta. O Pateo do Collegio, marco zero de São Paulo, foi fundado em 1554 pelo Padre Manuel da Nóbrega e seus colaboradores, incluindo Anchieta. Neste local sagrado, a Igreja São José de Anchieta guarda relíquias do santo e exemplifica a arquitetura barroca. Em frente à Catedral da Sé, o Monumento a Anchieta, uma escultura de bronze de 1954, comemora o quarto centenário da cidade. Complementando o conjunto histórico, o Museu Anchieta, também no Pateo do Collegio, exibe objetos históricos e uma maquete da Vila de São Paulo de Piratininga no século XVI, transportando os visitantes para os primórdios da metrópole.

Outras Cidades com Passagens Históricas

Além dos destinos mencionados, Anchieta esteve em outras importantes estâncias turísticas. Em São Vicente, por onde desembarcou na Capitania em 1553, ele aprimorou o tupi e iniciou a escrita da gramática indígena. No Guarujá, o jesuíta celebrou missas e catequizou indígenas na Ermida de Santo Antônio do Guaibê, uma das igrejas mais antigas do Brasil, notável por sua construção com pedras de sambaquis, óleo de baleia e conchas. Já em Bertioga, antes de seguir para suas missões em Ubatuba, Anchieta encontrou refúgio no Forte de São João, outro relevante ponto turístico que testemunhou sua passagem no século XVI.

Uma Herança Que Inspira o Turismo e a Cultura

Os roteiros de Anchieta pelo estado de São Paulo transcendem a mera visita turística; eles oferecem uma profunda conexão com as raízes do Brasil, revelando a dedicação de um homem que desbravou territórios, culturas e línguas. Ao percorrer esses caminhos, o visitante não apenas admira paisagens e monumentos, mas também mergulha na trajetória de um jesuíta que, com sua fé e intelecto, ajudou a moldar a identidade de uma nação. A iniciativa da Setur-SP em destacar esses locais reforça a importância de preservar e valorizar a herança de José de Anchieta, tornando-a acessível a novas gerações e promovendo um turismo cultural e histórico enriquecedor.

Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br

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