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Missa marca oito anos do assassinato de Marielle e Anderson Gomes
© Rovena Rosa/Agência Brasil
O Rio de Janeiro foi palco neste sábado (14) de uma missa em memória dos oito anos do brutal assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes. A celebração, realizada na Igreja Nossa Senhora do Parto, no centro da cidade, reuniu familiares, amigos e apoiadores em um momento de profunda lembrança e reflexão. Este ano, a data ganha um significado especial, sendo a primeira vez que a missa ocorre após a condenação dos mandantes do crime. A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que resultou na condenação dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, entre outros envolvidos, trouxe um alívio parcial à família e reforça a persistente busca por justiça por Marielle e Anderson, mantendo viva a memória de seus legados. A luta por um Brasil mais justo e igualitário continua, ecoando o clamor por respostas e reparação.
Oito anos de luta e uma vitória judicial histórica
A missa em memória de Marielle Franco e Anderson Gomes, celebrada na manhã deste sábado (14), marcou os oito anos de um crime que chocou o Brasil e o mundo. O evento reuniu familiares, amigos e uma vasta rede de apoiadores na Igreja Nossa Senhora do Parto, um espaço de acolhimento e fé que se tornou um ponto de convergência para aqueles que buscam manter viva a memória das vítimas. Este ano, a celebração foi permeada por um sentimento misto de dor persistente e um vislumbre de justiça, sendo a primeira vez que a família e os apoiadores se reúnem no dia do crime após a condenação dos mandantes. A decisão judicial, que condenou figuras proeminentes do cenário político e de segurança do Rio de Janeiro, representa um marco significativo na longa e árdua jornada por verdade e justiça.
A voz da família: dor, gratidão e o triunfo da persistência
No encerramento da missa, as palavras dos pais de Marielle Franco, Antonio Francisco da Silva Neto e Marinete da Silva, expressaram a dualidade de sentimentos que permeia a família. Antonio Francisco destacou que aquele era um dia de dor que ele jamais imaginou que sua família enfrentaria, sublinhando a ferida que ainda persiste. Contudo, ele também fez questão de agradecer a todas as pessoas que se mantiveram ao lado da família durante esses oito anos de incansável busca por justiça, culminando na condenação dos mandantes. “Tivemos uma grande vitória que foi a condenação dos mandantes. Eles não esperavam que isso ia acontecer com eles um dia. Tivemos esse êxito”, afirmou Antonio Francisco, refletindo a surpresa e a força da união que levou a esse resultado.
Marinete da Silva, por sua vez, ecoou o agradecimento a todos que compartilharam a dor e a saudade pela perda de sua filha. Com a voz embargada pela emoção, mas firme em sua convicção, ela ressaltou o legado de Marielle: “Ela floresce e deixou um legado ímpar.” Marinete reforçou o compromisso da família com a continuidade da luta, não apenas por Marielle, mas por todas as mulheres que foram vítimas de violência e injustiça em todo o país, transformando a dor pessoal em uma causa coletiva.
A irmã de Marielle e Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, também esteve presente e compartilhou uma experiência profundamente pessoal. Anielle revelou ter servido de modelo para a estátua da vereadora erguida no Buraco do Lume, no centro do Rio. “Nunca na minha vida imaginei que eu serviria de modelo para o corpo de minha irmã para uma homenagem como essa. Nenhuma família deveria passar por isso”, desabafou, evidenciando o impacto indelével e a brutalidade do crime na vida de seus entes queridos. A condenação dos mandantes, conforme notícias relacionadas, foi vista por Anielle como um “recado para quem debochou de Marielle”, indicando que a impunidade não prevalecerá.
O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou por unanimidade, em 25 de fevereiro, o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ) Domingos Brazão e o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, irmão de Domingos, pelo assassinato de Marielle e Anderson. Além deles, foram condenados o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa; o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula; e o ex-policial militar Robson Calixto, assessor de Domingos. Os irmãos Brazão foram sentenciados a 76 anos de prisão, em uma decisão histórica que representa um passo crucial para desvendar completamente as circunstâncias e motivações por trás do brutal duplo homicídio.
O legado de Marielle: memória, cultura e mobilização contínua
Além da missa e do significativo avanço judicial, a memória de Marielle Franco e Anderson Gomes continua sendo homenageada e celebrada através de uma série de eventos culturais e mobilizações sociais, que buscam perpetuar seu legado e reforçar a luta por direitos humanos. Essas iniciativas demonstram que, mesmo após oito anos, a mensagem de Marielle ressoa e inspira a ação coletiva.
Exposição, festival e o chamado à ação coletiva
Neste sábado, a agenda de homenagens incluiu a abertura da exposição “Mulher Raça – O Legado de Marielle Franco”, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), localizado na Rua Primeiro de Março, 66, no Centro da cidade. A mostra oferece um mergulho na trajetória e nos ideais da vereadora, utilizando a arte e a cultura como ferramentas para manter viva sua memória e inspirar novas gerações a lutar por um mundo mais justo e inclusivo.
A mobilização se estende para este domingo (15), com a realização da 5ª edição do Festival Justiça por Marielle e Anderson, no Circo Voador. Este evento político-cultural consolidou-se como um espaço de confluência para artistas, movimentos sociais e apoiadores da causa, celebrando a vida de Marielle e Anderson, reforçando a demanda por justiça e promovendo debates e reflexões sobre temas importantes para a sociedade brasileira.
Paralelamente a essas iniciativas, a organização Anistia Internacional também marcou presença neste sábado e domingo no Largo da Lapa, centro do Rio, com uma ação focada na memória, mobilização e ação coletiva em torno dos oito anos dos assassinatos. A atividade foi dividida em duas partes distintas: a primeira, intitulada “Cartas para Quem Defende Direitos”, resgatou a força das cartas como instrumento de mobilização global por justiça e solidariedade. O segundo momento, “Cada Peça Importa”, convidou o público a refletir sobre a situação de outros defensores e defensoras de direitos humanos que, assim como Marielle e Anderson, ainda aguardam justiça e proteção. A Anistia Internacional reiterou que a conquista parcial da justiça no caso de Marielle e Anderson “só foi possível graças à mobilização de milhares de pessoas”, e que essa “mesma força coletiva precisa seguir ativa” para garantir a proteção, o reconhecimento e as respostas que muitos defensores de direitos humanos ainda esperam em todo o Brasil e no mundo.
A persistência da memória e o clamor por justiça plena
O oitavo aniversário do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, marcado por uma missa emocionante e uma série de eventos comemorativos, ressalta a importância inabalável da memória e da persistência na busca por justiça. A recente condenação dos mandantes representa uma vitória histórica, um alívio aguardado por anos pela família e por milhões de pessoas que se solidarizaram com a causa. Contudo, essa etapa, embora crucial, não encerra a demanda por respostas completas e pela garantia de que crimes políticos e atentados contra defensores de direitos humanos não permaneçam impunes. O legado de Marielle, de luta por igualdade, direitos e representatividade, continua a florescer e a inspirar a mobilização social e cultural, provando que a voz silenciada pela violência ecoa mais forte do que nunca. A jornada por justiça plena e pela proteção dos que defendem os direitos humanos segue sendo um imperativo para a democracia brasileira, reafirmando que a memória de Marielle e Anderson é um farol para um futuro mais justo e equitativo.
Perguntas frequentes
Quem foi Marielle Franco e por que seu assassinato gerou tanta comoção?
Marielle Franco foi uma socióloga, ativista e política brasileira, eleita vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL em 2016. Conhecida por sua atuação na defesa dos direitos humanos, dos direitos das mulheres, da população LGBTQIA+ e da população negra e periférica, Marielle foi brutalmente assassinada em março de 2018, juntamente com seu motorista Anderson Gomes. Seu assassinato gerou uma onda de comoção nacional e internacional devido à sua relevância política, à brutalidade do crime e ao simbolismo de um atentado contra a democracia e a liberdade de expressão.
Quais foram os desdobramentos recentes no caso do assassinato de Marielle e Anderson?
Em 25 de fevereiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou por unanimidade os mandantes do crime: o ex-conselheiro do TCE-RJ Domingos Brazão e o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, irmãos sentenciados a 76 anos de prisão. Também foram condenados o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa; o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula; e o ex-policial militar Robson Calixto. Essa foi a primeira vez que uma missa em memória das vítimas ocorreu após a condenação dos mandantes, representando um avanço significativo na busca por justiça.
Que tipo de mobilizações e homenagens estão sendo realizadas em memória de Marielle e Anderson?
Além da missa, diversas iniciativas marcam a memória de Marielle e Anderson. Entre elas, a exposição “Mulher Raça – O Legado de Marielle Franco” no CCBB, que celebra sua trajetória. Há também o 5º Festival Justiça por Marielle e Anderson, um evento político-cultural no Circo Voador. A Anistia Internacional realizou ações no Largo da Lapa, como “Cartas para Quem Defende Direitos” e “Cada Peça Importa”, que visam resgatar a força da mobilização coletiva e refletir sobre defensores de direitos humanos que ainda esperam por justiça.
Para acompanhar os próximos passos do caso Marielle e Anderson, apoiar iniciativas em defesa dos direitos humanos e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, mantenha-se informado e participe ativamente das discussões sobre temas cruciais para a democracia brasileira.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br