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Mãe de Thiago Menezes depõe em júri de PMs acusados de matar
© Tomaz Silva/Agência Brasil
O julgamento dos policiais militares acusados pela morte de Thiago Menezes Flausino, de apenas 13 anos, avançou nesta terça-feira (10) com o depoimento da mãe do estudante, Priscila Menezes Gomes de Souza. A sessão do júri popular, realizada na zona oeste do Rio de Janeiro, trouxe à tona detalhes dolorosos do incidente ocorrido em agosto de 2023. Os dois agentes do Batalhão de Choque, Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria, enfrentam as acusações de homicídio e tentativa de homicídio. O menino, que sonhava em ser jogador de futebol, foi atingido por três tiros de fuzil, dois deles nas pernas, disparados de um carro descaracterizado. A expectativa de familiares e amigos é por justiça neste caso que chocou a comunidade e reacende o debate sobre a atuação policial.
O início do júri e as acusações
O julgamento, que começou no fim da manhã desta terça-feira no Tribunal de Justiça, está na fase de ouvir as testemunhas de acusação, sem previsão de horário para o anúncio da decisão final. Os réus são os policiais militares Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria, ambos integrantes do Batalhão de Choque. Eles são diretamente responsabilizados pela morte de Thiago, um incidente que gerou grande comoção e levantou questionamentos sobre a conduta das forças de segurança em operações urbanas. O caso atrai a atenção de ativistas, familiares e da sociedade civil, que buscam respostas e a devida responsabilização dos envolvidos.
Os detalhes da ação policial e as denúncias
As acusações contra os policiais são graves e multifacetadas. Além do homicídio de Thiago, que estava na garupa de uma motocicleta na entrada da Cidade de Deus quando foi baleado, os agentes também respondem por tentativa de homicídio contra Marcus Vinícius, o jovem que pilotava o veículo e foi atingido por um tiro na mão. As investigações indicam que, no momento da ação, a Polícia Militar realizava uma operação utilizando um carro particular descaracterizado. Um dos pontos cruciais das apurações é que os jovens não estavam armados e não havia qualquer confronto em andamento no momento em que os tiros foram disparados.
Além disso, os policiais são acusados de fraude processual. Segundo as denúncias, eles teriam plantado uma arma na cena do crime, tentando incriminar a vítima e forjar um cenário de troca de tiros para justificar a intervenção. Há também a acusação de que os agentes teriam alterado seus depoimentos iniciais, buscando confirmar que o veículo utilizado na abordagem não era uma viatura oficial com sirene, mas sim um carro particular. Para o Ministério Público, os policiais agiram com torpeza, em uma operação de tocaia considerada ilegal, utilizando uma arma de alta energia contra adolescentes desarmados. Ao longo do dia de terça-feira, durante mais de seis horas, foram ouvidos, além da mãe de Thiago, o sobrevivente Marcus Vinícius e seu pai, Wagner, cujos testemunhos são considerados fundamentais para o desfecho do caso.
O retrato de Thiago: um testemunho de amor e dor
A voz da mãe no tribunal
Durante seu depoimento, Priscila Menezes Gomes de Souza, mãe de Thiago, emocionou os presentes ao descrever seu filho. Ela reiterou que Thiago era um menino “educado, carinhoso, sorridente, feliz”. Em suas palavras, “Ele não dava trabalho, gostava de ir para escola, se arrumava sozinho para ir e gostava de jogar futebol”, revelando a rotina e os sonhos do adolescente. Thiago frequentava duas escolinhas de futebol na comunidade e era um aluno assíduo no colégio. Para comprovar seu comprometimento com os estudos, foi exibido um histórico escolar que mostrava mais de 91% de frequência, embora suas notas em português e matemática fossem baixas.
Priscila Menezes também reconheceu o filho em diversas fotografias apresentadas durante a sessão. As imagens mostravam Thiago com amigos, treinando futebol, em momentos de lazer com a família e, inclusive, andando de moto. Em uma das fotos, o menino aparecia recebendo um prêmio da escola pelo “caderno mais organizado”. A mãe, com a voz embargada, explicou: “Eu não sei se ele ficou em primeiro ou segundo lugar nessa competição, mas essas é a foto dele (comemorando)”, sublinhando o orgulho pelos pequenos feitos de seu filho. O testemunho da mãe foi crucial para humanizar a vítima e contrastar a imagem de um menino comum com a brutalidade de sua morte.
Imagens contestadas e a busca pela verdade
Durante seu depoimento, a mãe de Thiago demonstrou forte suspeita em relação a algumas imagens exibidas pela defesa dos policiais, que teriam sido encontradas no celular do jovem. Os advogados dos réus apresentaram fotos de armas, de adolescentes encapuzados com o rosto virado e outras imagens que supostamente retratariam Thiago. Priscila, no entanto, contestou a autenticidade de algumas delas. “Ali aparece o rosto dele, mas esse corpo está muito forte para ser o dele”, afirmou, referindo-se a uma das fotos de adolescentes.
Em outra imagem, que mostrava uma mão segurando uma arma, a mãe foi categórica ao negar qualquer ligação com seu filho, destacando que a mão apresentava uma tatuagem de coração, enquanto Thiago não possuía nenhuma tatuagem no corpo. A mãe reconheceu o menino apenas em uma fotografia na qual ele aparece com um objeto que aparentava ser uma arma longa, mas expressou desconfiança, sugerindo que o objeto poderia, inclusive, ser uma ferramenta utilizada para caçar ratos. Essa contestação das provas apresentadas pela defesa é um ponto chave no processo, reforçando a narrativa da acusação de que não havia indícios de que Thiago estivesse envolvido em atividades criminosas. Marcus Vinícius, o sobrevivente da ação policial e primeira testemunha a ser ouvida, também confirmou veementemente que nunca havia visto Thiago armado.
A espera por justiça e a voz da comunidade
Família e amigos em busca de respostas
Do lado de fora do Tribunal de Justiça, parentes e amigos de Thiago Menezes aguardavam ansiosamente o desenrolar do júri, torcendo por um veredito que trouxesse justiça. Antes do início da sessão, o pai do adolescente, Diogo Flausino, expressou a expectativa pela condenação dos réus. “Esperamos Justiça. Eles têm que pagar”, declarou, em meio a mais um ato de protesto contra a violência policial em frente ao tribunal. A defesa dos agentes, por sua vez, alega legítima defesa como justificativa para os disparos. Para tentar convencer o júri, foram escaladas dez testemunhas no total, sendo cinco de defesa e cinco de acusação.
Duas colegas de escola de Thiago, de 15 e 14 anos, também estiveram presentes e compartilharam memórias afetuosas do amigo. Elas o descreveram como um menino alegre e companheiro. “Era um menino muito legal, que zoava, brincava, sempre usando um pente no cabelo, vaidoso”, relembrou uma delas. A outra amiga acrescentou: “Ele era incrível, sempre ia com a gente para rodízios de pizza, sempre parceiro, o primeiro a confirmar . Ele era bom”, frisou, ressaltando as qualidades e o papel de Thiago em seu círculo social. Os depoimentos dos amigos complementam a imagem de um jovem integrado à comunidade, com planos e aspirações comuns aos adolescentes de sua idade.
A busca incessante por justiça
A jornada do júri popular que apura a morte de Thiago Menezes Flausino representa mais do que um caso isolado; é um símbolo da busca por justiça e responsabilização em ações policiais. O depoimento emocionado de Priscila Menezes Gomes de Souza trouxe à luz a imagem de um menino cheio de sonhos e alegria, reforçando a gravidade das acusações contra os policiais. A comunidade, juntamente com a família e amigos, permanece unida na esperança de que o veredito reflita a verdade dos fatos e traga algum alento diante da dor imensurável. A cada nova etapa do processo, o anseio por um desfecho justo e exemplar se intensifica, buscando honrar a memória de Thiago e de todas as vítimas de violência.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quem são os policiais acusados no caso Thiago Menezes?
Os policiais militares Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria, ambos integrantes do Batalhão de Choque da Polícia Militar, são os réus no júri popular.
Quais as principais acusações contra os agentes?
Eles são acusados de homicídio qualificado de Thiago Menezes, tentativa de homicídio de Marcus Vinícius (o jovem que pilotava a moto), e fraude processual por terem, supostamente, plantado uma arma na cena do crime e alterado depoimentos.
O que se sabe sobre Thiago Menezes, segundo o depoimento de sua mãe?
Thiago era um menino de 13 anos, descrito pela mãe como “educado, carinhoso, sorridente, feliz”. Ele sonhava em ser jogador de futebol, era assíduo na escola e gostava de se arrumar, sem histórico de envolvimento com criminalidade.
Para acompanhar as atualizações sobre este e outros casos de grande impacto social, mantenha-se informado através de fontes de notícias confiáveis e acompanhe de perto o desenrolar da justiça.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br