Lula: “todo mundo sabe o que ele fez” sobre prisão de bolsonaro

 Lula: “todo mundo sabe o que ele fez” sobre prisão de bolsonaro

© Valter Campanato/Agência Brasil

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “todo mundo sabe” o que o ex-presidente Jair Bolsonaro fez, referindo-se à sua prisão preventiva decretada no sábado. A declaração foi dada durante uma entrevista coletiva em Joanesburgo, África do Sul, onde Lula participou da Cúpula de Líderes do G20.

Questionado sobre a prisão de Bolsonaro, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, Lula evitou comentar diretamente a decisão da corte. “Eu não faço comentário sobre uma decisão da Suprema Corte. A Justiça tomou uma decisão, ele foi julgado, ele teve todo o direito à presunção de inocência, foram praticamente dois anos e meio de investigação, de delação, de julgamento. Ou seja, então, a Justiça decidiu, está decidido, ele vai cumprir com a pena que a Justiça determinou”, disse.

Lula também comentou sobre o relacionamento com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que teria retaliado o Brasil e ministros do STF devido ao julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe. “Acho que o Trump tem que saber que nós somos um país soberano, que a nossa Justiça decide e o que decide aqui está decidido”, acrescentou o presidente brasileiro.

A decisão de prender preventivamente Bolsonaro se baseou, segundo o ministro Moraes, no risco de fuga, diante da suposta tentativa do ex-presidente de violar a tornozeleira eletrônica e da vigília convocada por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, nas proximidades da residência onde ele cumpria prisão domiciliar.

Bolsonaro foi levado para a Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal, onde participou de uma audiência por videoconferência. Na sexta-feira, o ex-presidente teria usado um ferro de solda para tentar danificar a tornozeleira eletrônica, gerando um alerta para a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seap).

Na audiência de custódia, Bolsonaro alegou ter sofrido de “uma certa paranoia de sexta para sábado em razão de medicamentos que tem tomado receitados por médicos diferentes e que interagiram de forma inadequada”, negando qualquer intenção de fuga ou rompimento da cinta da tornozeleira. Seus advogados afirmaram que recorrerão da decisão e alegam que a tornozeleira eletrônica foi imposta para “causar humilhação” ao ex-presidente.

O STF deve analisar a decisão do ministro Alexandre de Moraes. O ministro Flávio Dino convocou uma sessão virtual extraordinária da Primeira Turma para referendar a decisão.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal da trama golpista. A defesa do ex-presidente chegou a pedir a concessão de prisão domiciliar humanitária, alegando que ele possui doenças permanentes que demandam acompanhamento médico intenso, pedido que foi rejeitado por Moraes.

Antes da prisão preventiva, Bolsonaro estava detido em sua casa, em Brasília, por descumprimento de medidas cautelares já fixadas pelo STF no inquérito que investiga a atuação de Eduardo Bolsonaro junto ao governo Donald Trump para promover retaliações contra o governo brasileiro e ministros do Supremo.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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