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Fuvest 2026: especialistas controvérsia em questão de matemática na primeira fase
G1
Uma questão da prova de matemática da Fuvest 2026, aplicada neste domingo (23), gerou controvérsia entre professores de cursinhos preparatórios. A falha estaria na questão número 3 da versão V1 do exame, segundo especialistas.
De acordo com Giuseppe Nobilioni, coordenador de matemática de um cursinho, o problema reside no fato de que nenhuma das cinco alternativas apresentadas garante uma resposta correta. Ele afirma que cada alternativa pode ou não ser verdadeira, tornando impossível determinar uma opção como sendo indiscutivelmente certa.
Victor Pompeo, professor de matemática de outro curso preparatório, compartilha da mesma opinião. Ele explica que a questão 3 da prova V1 aborda uma eleição para um conselho de cinco membros, com sete candidatos e 35 eleitores. O enunciado menciona um candidato, Aleph, que perde em todos os critérios de desempate e busca determinar quantos votos ele precisa para garantir sua eleição. Pompeo ressalta a importância da palavra “garantir” no enunciado, que exige certeza na eleição de Aleph.
O professor argumenta que, ao analisar diferentes cenários eleitorais para determinar a resposta correta, nenhum deles oferece uma análise que garanta a eleição de Aleph, como exigido pelo enunciado.
Pompeo exemplifica com a alternativa C, apontada como correta pela banca da Fuvest, que afirma que Aleph precisaria de cinco votos caso dois eleitores não compareçam. Ele discorda, argumentando que Aleph poderia ser eleito com apenas um voto se os demais candidatos recebessem as seguintes quantidades de votos: 8, 8, 8, 8, 0 e 0. Ele afirma que todas as outras alternativas apresentam problemas semelhantes.
A Fuvest informou que se pronunciará sobre o caso somente se algum candidato entrar com um recurso, que será analisado pela banca examinadora.
A prova, no geral, foi considerada desafiadora e inteligente por professores de cursinhos pré-vestibulares, que destacaram a interdisciplinaridade das questões. Nesta edição, 111.480 candidatos disputam 8.147 vagas, com uma taxa de abstenção de 9,17%.
A prova deste ano apresentou um conteúdo mais focado em questões ambientais, sociais e econômicas contemporâneas, abordando temas em destaque nas redes sociais, como a precarização do trabalho, a politização do carnaval e questões geopolíticas relevantes, como a disputa pelo Essequibo.
A organização do vestibular informou que, das obras de leitura obrigatória, apenas “Nebulosas”, de Narcisa Amália, não foi utilizada nas perguntas desta fase, com todas as outras oito obras sendo citadas em pelo menos uma questão.
Fonte: g1.globo.com