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Lula condena uso da força e neocolonialismo contra países em desenvolvimento.
© Valter Campanato/Agência Brasil
Em um discurso contundente proferido durante a 10ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e do I Fórum Celac-África, em Bogotá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teceu duras críticas ao crescente uso da força e às intimidações à soberania de nações em desenvolvimento. Lula condenou o que classificou como uma retomada da política colonialista por parte de potências mundiais, especialmente os Estados Unidos, contra países da América Latina e do Caribe. Ele enfatizou a inaceitabilidade de que qualquer nação se considere “dona” de outras, questionando a legitimidade de tais ações e a passividade das instituições internacionais frente a essas violações. O presidente brasileiro destacou que tais práticas minam a autodeterminação e o potencial de desenvolvimento das regiões afetadas.
Crítica ao uso da força e neocolonialismo
Durante seu pronunciamento, o presidente Lula foi enfático ao questionar a base legal e ética para a intervenção de países poderosos em assuntos internos de outras nações. Ele indagou em que parágrafo ou artigo da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) estaria previsto o direito de um país invadir outro, ou de submeter sua soberania a pressões externas. O presidente afirmou categoricamente que “não existe nada que permita que isso aconteça”, classificando tais ações como a “utilização da força e do poder para nos colonizar outra vez”.
Lula citou diretamente as situações de Cuba e Venezuela, cujas soberanias teriam sido repetidamente violadas por potências estrangeiras, levantando dúvidas sobre o caráter democrático dessas intervenções. A retórica do líder brasileiro sugere uma forte oposição a qualquer forma de intimidação que vise subjugar a vontade política ou econômica de estados autônomos. A crítica abrange não apenas a ocupação militar, mas também outras formas de pressão que comprometem a independência e a capacidade de autogoverno, reforçando a necessidade de respeitar a integridade territorial e política de todas as nações.
A exploração de recursos e a soberania boliviana
A tese de um neocolonialismo foi ilustrada por Lula com o exemplo da Bolívia. O país sul-americano, rico em minerais críticos como o lítio – essencial para a transição energética global devido ao seu uso em baterias elétricas –, estaria sofrendo forte pressão dos Estados Unidos para a venda de seus recursos. Lula ressaltou que a América Latina, o Caribe e a África têm um passado comum de exploração colonial, onde suas riquezas minerais como ouro, prata e diamantes foram sistematicamente saqueadas.
Agora, diante da valorização de novos minerais estratégicos, o presidente alertou para o risco de um novo ciclo de espoliação. Ele defendeu que esses materiais devem ser utilizados para promover o desenvolvimento tecnológico e a industrialização dos próprios países produtores, permitindo um “salto de qualidade na produção de combustíveis alternativos” e em outras áreas tecnológicas. A intenção é que as nações em desenvolvimento não se limitem a ser meros exportadores de matéria-prima, mas que atraiam investimentos que gerem valor agregado e tecnologia local, garantindo sua participação na cadeia produtiva global em condições mais justas. A advertência de Lula é um clamor pela autodeterminação econômica e pela valorização da soberania sobre os recursos naturais, impedindo que “já levaram quase tudo da Bolívia”, e agora com a chance dos minerais críticos, o país não seja apenas um exportador.
O papel falho do Conselho de Segurança da ONU
Lula estendeu suas críticas à ineficácia das instituições globais, focando no Conselho de Segurança da ONU. Para o presidente, o que se observa atualmente no mundo é uma “falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas”. Ele lembrou que o Conselho de Segurança e seus membros permanentes foram criados com o propósito primordial de manter a paz mundial. Contudo, Lula argumentou que, na prática, são justamente esses membros que estão fomentando conflitos e guerras.
O presidente enumerou uma série de conflitos e tensões internacionais, incluindo os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o que ele descreveu como genocídio na Faixa de Gaza, os conflitos na Líbia, e as guerras no Iraque e na Ucrânia. Sua fala demonstrou uma profunda preocupação com a proliferação de hostilidades e a incapacidade do principal órgão da ONU em intervir de forma decisiva para preveni-las ou resolvê-las. Lula questionou abertamente quando a ONU convocaria uma reunião extraordinária para redefinir o papel de seus membros permanentes e por que não se promove uma renovação e ampliação do Conselho, incluindo mais países.
Contraste entre gastos militares e desafios globais
Um dos pontos mais contundentes do discurso de Lula foi a comparação entre os astronômicos investimentos em armamentos e guerras e a persistência de desafios humanitários urgentes. O presidente lamentou que, enquanto o mundo gastou US$ 2,7 trilhões em armamentos e conflitos no ano passado, milhões de pessoas ainda sofrem de fome (aproximadamente 630 milhões), falta de energia elétrica e acesso à educação.
Ele também destacou a situação de milhões de mulheres e crianças que se tornam vítimas colaterais dessas “guerras fratricidas”, ficando desabrigadas, sem documentos, sem residência e, em muitos casos, sem uma pátria onde morar. Lula defendeu uma mudança de paradigma, questionando quando a ONU convocará uma reunião extraordinária para discutir o papel de seus membros permanentes no Conselho de Segurança e propor uma reforma que inclua mais países, representando uma distribuição de poder mais equitativa e global. A reforma seria vital para impedir que as nações mais poderosas continuem a se considerar “donas” dos países mais frágeis, perpetuando um ciclo de intervenções e desigualdades.
Apelo ao multilateralismo e à cooperação sul-sul
A cúpula da Celac e o Fórum Celac-África, que reuniram líderes como o presidente colombiano Gustavo Petro, o uruguaio Yamandú Orsi e o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, além de vinte chanceleres, foram plataformas para Lula reforçar o valor do multilateralismo. Ele salientou que a cooperação entre os países africanos, da América Latina e do Caribe oferece vastas oportunidades para investimento, comércio e intercâmbio. Juntos, os 55 países da União Africana e os 33 países da Celac representam uma população combinada de aproximadamente 2,2 bilhões de pessoas, um potencial imenso para a construção de um novo modelo de desenvolvimento.
Lula argumentou que a ordem mundial ainda penaliza essas regiões com desigualdades estabelecidas durante o período de colonialismo e apartheid, e que a falta de representação adequada da América Latina e da África no Conselho de Segurança da ONU é um reflexo disso. O presidente defendeu a necessidade de manter o Atlântico Sul livre de disputas geopolíticas externas e instou os países a unirem esforços em uma “guerra” contra a fome, o analfabetismo, a falta de energia elétrica, além de combater as mudanças climáticas, preservar o meio ambiente, promover a transição energética e desenvolver a inteligência artificial. Para ele, essa é a verdadeira batalha a ser vencida para garantir um futuro mais justo e equitativo, assegurando que “não faz sentido que a América Latina e a África não tenham representação adequada no Conselho de Segurança da ONU”.
Conclusão
As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula Celac-África em Bogotá reafirmam uma visão de mundo onde a soberania nacional e o multilateralismo genuíno são pilares inegociáveis. Sua crítica veemente ao uso da força, às práticas neocolonialistas e à ineficácia do Conselho de Segurança da ONU ecoa a insatisfação de muitas nações em desenvolvimento com a ordem global vigente. Ao propor uma reforma substancial das instituições internacionais e defender que os recursos e o potencial de desenvolvimento sejam aproveitados pelas próprias regiões que os detêm, Lula busca pavimentar um caminho para um futuro mais justo. O apelo à cooperação sul-sul e o foco em desafios humanitários e ambientais, em contraste com a corrida armamentista, delineiam uma agenda política que prioriza a dignidade humana e o desenvolvimento sustentável sobre a hegemonia de potências. A posição do Brasil, manifestada por seu presidente, reforça a busca por um equilíbrio de poder que permita a ascensão de novas vozes e a construção de um sistema internacional mais representativo e pacífico.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual foi a principal crítica de Lula na cúpula Celac-África?
Lula criticou o uso da força e as políticas neocolonialistas por parte de nações ricas, que resultam em intimidações à soberania de países em desenvolvimento, especialmente na América Latina e África.
Que exemplos de intervenção estrangeira foram citados pelo presidente?
Ele mencionou as pressões sobre Cuba e Venezuela, além da Bolívia em relação aos seus minerais críticos. Também fez referência aos conflitos na Faixa de Gaza, Iraque, Ucrânia, Líbia e ataques ao Irã.
Qual a proposta de Lula para o Conselho de Segurança da ONU?
O presidente defendeu uma reforma do Conselho de Segurança, questionando seu funcionamento atual e a ausência de representação adequada para a América Latina e a África. Ele sugeriu uma reunião extraordinária para discutir o papel e a composição do órgão, buscando mais equidade.
O que Lula destacou sobre os gastos militares em comparação com outras necessidades?
Lula lamentou o gasto de US$ 2,7 trilhões em armamentos e guerras no último ano, enquanto milhões de pessoas ainda sofrem com fome, falta de energia e acesso à educação, criticando essa disparidade.
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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br