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Furões-pequenos surpreendem ao serem avistados em grupo na caatinga pernambucana
G1
Um momento raro e especial foi vivenciado na Caatinga do município de Buíque, em Pernambuco, quando um grupo de furões-pequenos (Galictis cuja) foi avistado em plena atividade. O flagrante aconteceu no dia 15 de outubro, durante uma atividade de rastejo, método utilizado para a busca de indícios de sítios arqueológicos.
O responsável pelo registro, Rafael dos Santos Batista, descreveu a experiência como um presente da natureza. “O sentimento foi bom. A Caatinga de vez em quando presenteia a gente quando está no mato. Pena que às vezes não dá pra fazer o registro de algumas coisas. Tem muita coisa bonita, mas essa foi singular, por conta da aproximação. Eles se dispersaram e depois voltaram”, relatou Rafael, que nunca havia avistado a espécie antes.
A raridade do evento é confirmada por especialistas. Segundo um mastozoólogo e doutor em Ecologia Aplicada pela USP, a cena é considerada incomum, principalmente devido à dificuldade de observação da espécie. “Mesmo nas regiões Sul e Sudeste, onde há mais registros, é difícil encontrá-lo porque o furão-pequeno é muito arisco, ágil e furtivo. Apesar de, eventualmente, ser visto cruzando rapidamente as proximidades de construções, ele evita muito a presença humana. Surpreendê-los e conseguir uma boa filmagem foi um evento bastante feliz”, explicou o pesquisador.
A formação de grupos familiares entre os furões-pequenos não é incomum. De acordo com o especialista, os filhotes permanecem por um tempo considerável com a mãe, acompanhando-a e aprendendo a caçar juntos.
O furão-pequeno demonstra grande adaptabilidade, sendo encontrado em diversos ambientes, desde os campos do Pampa até plantações de cana e milho no Sudeste. Um caso peculiar foi relatado em um fragmento florestal próximo a Jundiaí, onde um indivíduo foi flagrado arrastando uma gaiola com um gambá capturado, mostrando sua ferocidade e determinação na busca por alimento.
A distribuição da espécie abrange vastas áreas, incluindo Pampa, Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga. Nos biomas Cerrado e Caatinga, a ocorrência é mais frequente nas áreas de limite com a Mata Atlântica. No interior desses biomas, a Galictis vittata parece ser mais comum.
Essencialmente carnívoro, o furão-pequeno é um predador de pequenos vertebrados, como mamíferos, aves e répteis. Sua dieta, apesar de difícil de estudar devido ao comportamento arisco, é predominantemente carnívora, com registros de furões abatendo preás e serpentes. O faro aguçado e a agilidade sugerem que também possa predar aves e ninhos em árvores baixas. Embora carnívoro, também consome algumas frutas.
Seus hábitos são predominantemente diurnos a crepusculares, mas também há registros de atividades noturnas. Formam casais monogâmicos, e os filhotes acompanham os pais até o início da fase adulta. Sua ferocidade, agilidade e inteligência os tornam caçadores eficientes, capazes de abater presas potencialmente perigosas, como serpentes venenosas.
Apesar de algumas lacunas no conhecimento sobre a reprodução da espécie, sabe-se que tanto adultos quanto jovens são sociáveis e brincalhões quando não estão caçando. Há relatos de indivíduos brincando com suas presas, similar ao comportamento dos felinos.
Em relação ao status de conservação, o furão-pequeno é classificado como “Least Concern” (pouco preocupante) tanto pela lista mundial da IUCN quanto pela brasileira do ICMBio. A dificuldade de observação está mais relacionada ao seu comportamento furtivo do que a populações pequenas.
O pesquisador destaca ainda curiosidades sobre o comportamento da espécie, como a ferocidade e implacabilidade na predação, principalmente em grupo, a sociabilidade e esperteza, mesmo em adultos, e a habilidade como nadadores e escaladores. A inteligência da espécie, demonstrada pela grande massa cerebral em relação ao corpo, pode ser observada no vídeo do flagrante, onde os membros se reúnem e enfrentam em grupo uma ameaça maior, o observador. Essa estratégia é incomum entre as espécies, com exceção de animais como as ariranhas.
Fonte: g1.globo.com