Família de menina morta por picada de escorpião exige investigação em Atibaia

 Família de menina morta por picada de escorpião exige investigação em Atibaia

Família pede investigação por morte de menina por escorpião

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A cidade de Atibaia, no interior de São Paulo, foi palco de uma tragédia que mobiliza a atenção pública e levanta sérias questões sobre a eficiência dos serviços de saúde em emergências. A família de Valentina Beltrame de Almeida, uma menina de apenas quatro anos, que faleceu após ser vítima de uma picada de escorpião, clama por justiça e exige uma investigação minuciosa sobre as circunstâncias que levaram à sua morte. O caso, ocorrido na última terça-feira, 16 de abril, gerou comoção e acusações diretas contra o atendimento recebido, especialmente a suposta dificuldade na aplicação do soro antiescorpiônico e a ausência de leitos de UTI, que, segundo os familiares, poderiam ter salvado a vida da criança.

O trágico incidente e a dor familiar

A pequena Valentina Beltrame de Almeida brincava inocentemente com sua irmã gêmea na casa da avó, em Atibaia, quando foi surpreendida por um escorpião. A picada no pé da criança deflagrou uma corrida contra o tempo e uma série de eventos que culminariam em sua morte precoce, deixando a família em profunda dor e com um sentimento de injustiça. Segundo relatos dos entes queridos, o desespero e a urgência foram imediatos, buscando socorro médico para a menina.

A picada e os primeiros socorros

Após ser picada, Valentina foi prontamente levada por seus familiares a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) local. Lá, a criança recebeu o atendimento inicial e, diante da gravidade do quadro clínico, a equipe médica indicou a transferência para a Santa Casa de Atibaia, que é a unidade de referência no município para casos envolvendo acidentes com animais peçonhentos. A expectativa era de que na Santa Casa, a menina pudesse receber o tratamento adequado, incluindo a aplicação do soro antiescorpiônico, essencial para neutralizar o veneno. No entanto, o que deveria ser um processo padronizado de salvamento, transformou-se em um foco de questionamentos por parte da família sobre a qualidade e a prontidão do socorro.

As alegações da família e a resposta oficial

A família de Valentina narra uma experiência angustiante e repleta de falhas no atendimento que, em sua visão, foram cruciais para o desfecho fatal. As denúncias se concentram em problemas na aplicação do soro antiescorpiônico e na disponibilidade de leitos de terapia intensiva, sugerindo que a infraestrutura e a capacitação para emergências graves foram insuficientes.

Dificuldades no atendimento e a busca por UTI

Larissa Beltrame, mãe de Valentina, e Adriana Beltrame, avó da menina, relatam momentos de desespero na Santa Casa de Atibaia. Segundo elas, houve grande dificuldade por parte da equipe médica para aplicar o soro antiescorpiônico. “Tentaram pegar uma bomba, a bomba não estava funcionando. Puncionaram um sorinho, aí estourou a veia dela, depois furou de novo, o pezinho dela, tudo, depois de uns 20 minutos conseguiram pegar a veia dela”, descreveu Larissa, detalhando a série de tentativas. A avó, Adriana, complementou a narrativa, afirmando que, embora o soro estivesse disponível, a equipe parecia não saber como aplicá-lo corretamente em Valentina. Essas alegações sugerem uma carência de preparo técnico ou de recursos adequados para lidar com a emergência, gerando angústia e incerteza para a família em um momento crítico.

Adicionalmente, a família questiona veementemente a transferência da criança para Bragança Paulista sem a garantia de um leito de UTI. “A gente quer justiça porque se o médico da Santa Casa falou que ela tinha que ir para a UTI, eu acho que ela tinha que ter chegado direto para a UTI. Porque se ela estivesse na UTI tomando esse medicamento que teria que tomar, eu acho que ela estaria viva”, desabafou Adriana Beltrame, evidenciando a crença de que um acesso imediato e garantido à terapia intensiva poderia ter feito a diferença entre a vida e a morte para a neta. A menina foi transferida para o Hospital Universitário São Francisco (HUSF) em Bragança Paulista, mas, lamentavelmente, não resistiu, vindo a óbito na última terça-feira (16). Seu sepultamento ocorreu na quarta-feira (17), no Cemitério São Sebastião, no bairro Alvinópolis, em Atibaia, sob forte comoção.

Posições das unidades de saúde

Diante das graves acusações, a Prefeitura de Atibaia e as unidades de saúde envolvidas se manifestaram publicamente. Em nota, a Prefeitura de Atibaia e a Santa Casa do município lamentaram profundamente a morte da criança e garantiram que toda a assistência foi prestada, seguindo os protocolos estabelecidos para casos de acidentes com escorpiões. A prefeitura detalhou que, após a chegada à UPA e a indicação de transferência, Valentina foi atendida na Santa Casa de Atibaia, onde o soro antiescorpiônico foi infundido na dosagem recomendada, seguindo os protocolos previstos no Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), do Ministério da Saúde.

A diretora da Santa Casa de Atibaia, Daniele Borges, reafirmou em entrevista que o médico responsável pelo atendimento seguiu rigorosamente os protocolos indicados, após contato com o Centro de Referência para picadas de animais peçonhentos. A prefeitura também informou que o soro foi aplicado na Santa Casa e, posteriormente, durante o transporte via SAMU até Bragança Paulista, para garantir a continuidade do tratamento em trânsito.

O Hospital Universitário São Francisco (HUSF), em Bragança Paulista, onde Valentina faleceu, confirmou que a paciente deu entrada na urgência com sinais de envenenamento grave, já tendo recebido o soro antiescorpiônico na unidade de origem. O HUSF declarou que o corpo clínico realizou o protocolo para Acidentes por Escorpiões, conforme orientação do Ministério da Saúde. Apesar de todos os esforços e suporte intensivo, o estado clínico da criança evoluiu de forma rápida e severa devido à intensa ação tóxica do veneno, resultando em complicações cardíacas e, infelizmente, no óbito. A administração municipal de Atibaia informou que está apurando o ocorrido e prestou solidariedade aos familiares da menina.

Conclusão

A trágica morte de Valentina Beltrame de Almeida levanta um clamor por transparência e responsabilização, com a família buscando justiça e respostas claras sobre o atendimento recebido. Enquanto os familiares apontam falhas cruciais na aplicação do soro e na gestão da transferência para um leito de UTI, as instituições de saúde envolvidas reiteram que todos os protocolos foram seguidos e que todos os esforços foram empreendidos para salvar a criança. Este doloroso incidente ressalta a importância de um sistema de saúde robusto, com profissionais capacitados e recursos adequados para lidar com emergências de alta complexidade, especialmente aquelas que envolvem o tempo de resposta e a correta aplicação de tratamentos específicos. A expectativa é que as investigações em curso possam esclarecer todos os pontos levantados, oferecer um desfecho justo para a família de Valentina e, principalmente, fortalecer os protocolos de atendimento a fim de evitar que tragédias semelhantes se repitam no futuro.

FAQ

1. O que fazer imediatamente em caso de picada de escorpião?
Em caso de picada, é crucial lavar o local com água e sabão, aplicar compressas mornas para aliviar a dor e procurar atendimento médico o mais rápido possível, preferencialmente em uma unidade de referência. É fundamental não tentar sugar o veneno, fazer torniquetes ou aplicar produtos caseiros.

2. Qual a importância do soro antiescorpiônico?
O soro antiescorpiônico é o tratamento específico e vital para neutralizar as toxinas do veneno do escorpião. Sua aplicação precoce e correta é fundamental para evitar complicações graves, como falência de órgãos e choque, e pode ser determinante para a recuperação do paciente, especialmente em crianças, que são mais vulneráveis aos efeitos do veneno.

3. Como é o protocolo de atendimento para acidentes com animais peçonhentos?
Os protocolos, como os definidos pelo Ministério da Saúde, incluem a rápida identificação da gravidade do caso (leve, moderado ou grave), aplicação do soro antiescorpiônico (se indicado e na dosagem correta), monitoramento contínuo dos sinais vitais do paciente e, em casos graves, a transferência imediata para unidades de terapia intensiva para suporte avançado e manejo de complicações.

Mantenha-se informado sobre este caso e outros desenvolvimentos regionais, buscando sempre fontes confiáveis de notícias para compreender a fundo os fatos.

Fonte: https://g1.globo.com

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