Conferência do clima: entenda os bastidores das negociações globais

 Conferência do clima: entenda os bastidores das negociações globais

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

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As negociações climáticas que culminarão em um possível acordo na COP30, em Belém, representam a etapa final de um processo complexo e extenso que molda a política climática global. Embora a Conferência do Clima da ONU dure apenas alguns dias, ela é precedida por meses de discussões e tratativas.

Ao longo do ano, são realizados diversos diálogos temáticos e técnicos. Os corpos subsidiários, por exemplo, se reúnem em Bonn, sede da Convenção-Quadro para a Mudança do Clima, para consultas técnicas que fornecem informações cruciais para as decisões a serem tomadas na COP.

Atualmente, em Belém, mais de 190 nações estão engajadas em debates intensos sobre diversos documentos. O grande desafio reside na necessidade de consenso para a aprovação de cada um deles. Cada termo é analisado e discutido minuciosamente por negociadores em reuniões fechadas.

Esses negociadores são diplomatas e especialistas indicados por cada país. Observadores também participam das negociações, exercendo influência indireta nas decisões.

O processo se inicia com a definição da pauta pelo país anfitrião, que organiza o fluxo das negociações. Em Belém, as discussões se concentram nos detalhes das metas de redução de emissões de cada país, nos mecanismos de financiamento e nas estratégias de adaptação às mudanças climáticas.

Grupos de trabalho preparam versões das propostas para serem submetidas à presidência da Conferência, visando a aprovação em plenário. Em muitos casos, o documento é validado nesta etapa. Caso contrário, o tema é adiado para a próxima COP. Um exemplo disso é o Fundo de Perdas e Danos, aprovado há duas edições, mas que ainda enfrenta discussões sobre sua operacionalização.

Entre os tópicos mais relevantes em debate na COP30 estão a implementação da transição energética, a proteção de biomas e o financiamento climático internacional.

Indicadores para a adaptação climática já foram definidos no Acordo de Paris, mas agora precisam ser concretizados. Cabe à COP30 implementar esses indicadores e traduzi-los em ações práticas.

Outro exemplo é a aprovação de doações anuais para os países menos desenvolvidos, que ocorreu na última COP. Os negociadores em Belém têm a tarefa de alcançar um consenso para angariar 1,3 trilhão de dólares anuais em doações de governos, bancos e do setor privado.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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