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Chefe de logística de quadrilha de furto de combustíveis Preso em Ribeirão
G1
A Polícia Civil desarticulou uma complexa rede criminosa especializada no furto de combustíveis de dutos da Transpetro, culminando na prisão de sete indivíduos e na identificação de um dos principais articuladores logísticos em Ribeirão Preto, São Paulo. A operação, batizada de “Sangria”, revelou um esquema que operava em ao menos três estados – São Paulo, Minas Gerais e Goiás – e causou um prejuízo estimado em mais de R$ 5 milhões à empresa. Wagner de Souza Leite, proprietário de uma transportadora na cidade paulista, é apontado pelas investigações como o responsável pela intrincada operacionalização do transporte do material subtraído. As autoridades continuam a aprofundar as apurações, visando coibir não apenas a subtração do combustível, mas também os severos danos ambientais e à infraestrutura causados por essa prática ilícita.
Operação Sangria desmantela esquema milionário
A “Operação Sangria” atingiu o coração de um esquema de furto qualificado de combustíveis, receptação e organização criminosa que, segundo as investigações, agia com sofisticação e coordenação. O cerne da operação foi desvendar a estrutura logística que permitia o escoamento do diesel e outros derivados de petróleo furtados diretamente dos dutos da Transpetro, uma subsidiária da Petrobras. A ação policial se estendeu por diversas cidades, resultando em prisões estratégicas que revelaram a amplitude e a hierarquia do grupo.
A detenção do articulador logístico
Em Ribeirão Preto, São Paulo, a Polícia Civil efetuou a prisão de Wagner de Souza Leite, apontado como figura central na execução prática da logística do esquema criminoso. Leite, que é proprietário de uma transportadora na região, teria desempenhado um papel crucial na disponibilização de uma frota de caminhões e carretas-tanque, na organização dos deslocamentos e na viabilização do transporte do combustível subtraído. As investigações indicam que ele também gerenciava os fluxos financeiros ilícitos, recebendo e redistribuindo valores conforme as orientações dos escalões superiores da quadrilha. O filho de Wagner, Wagner Silva Leite, também é investigado por suspeita de envolvimento no esquema e permanece foragido, intensificando a busca das autoridades.
Uma rede criminosa com alcance nacional
Além de Wagner de Souza Leite, outras seis pessoas foram detidas por suspeita de participação no esquema. Entre os presos estão Laerte Rodrigues dos Santos, um dos líderes da quadrilha, detido em Campinas (SP); Marcelo Teixeira de Gouveia, proprietário de uma distribuidora em Paulínia (SP), também preso em Campinas; Luis Ricardo Pedrozo da Silva, em Leme (SP); Paulo Henrique de Lima Silva, em Monte Alegre (MG); Emerson Clayton Ramineli, em Goiânia (GO); e Calil Fernando Carneiro, preso em Ribeirão Preto. Calil, que já atuou como motorista, agora desempenhava funções operacionais na preparação dos dutos para o furto. A abrangência das prisões demonstra a capilaridade da quadrilha, com membros atuando em diferentes elos da cadeia criminosa, desde a perfuração dos dutos até a distribuição final do produto.
Estrutura hierárquica e modus operandi
As investigações da Polícia Civil detalharam uma organização criminosa com núcleos bem definidos, operando com uma clara divisão de tarefas e responsabilidades. Essa estrutura permitia a execução de operações complexas de furto, minimizando riscos e maximizando lucros, tudo às custas do patrimônio público e da segurança.
Núcleos especializados e suas funções
A quadrilha era dividida em, pelo menos, três núcleos distintos:
1. Liderança: Laerte Rodrigues dos Santos, conhecido como ‘Mineiro’, é apontado como um dos chefes. Preso em Campinas, ele era o coordenador geral da organização, responsável pelo recrutamento de novos membros, pela definição dos preços do combustível furtado, pela autorização dos carregamentos, direcionamento dos locais de descarregamento e pelo planejamento de novas ações. Marcelo Teixeira de Gouveia, sócio de uma transportadora e também detido em Campinas, atuava diretamente nas negociações de preços, ajustes de documentação e pagamentos, funcionando como um braço financeiro e comercial da liderança.
2. Logística: Wagner de Souza Leite, preso em Ribeirão Preto, liderava este núcleo. Sua função era crucial para o sucesso da empreitada, garantindo que os veículos adequados estivessem disponíveis e que o transporte do combustível ocorresse de forma organizada e discreta. O papel de seu filho, Wagner Silva Leite, ainda foragido, provavelmente também se encaixava neste setor.
3. Execução: Este núcleo era responsável pela ação direta nos dutos e pelo transporte inicial do produto. Luis Ricardo Pedrozo da Silva, detido em Leme, possuía o conhecimento técnico especializado para a perfuração clandestina dos dutos. Emerson Clayton Ramineli, preso em Goiânia, era um dos motoristas encarregados do transporte direto do combustível subtraído. Calil Fernando Carneiro, preso em Ribeirão Preto, atuava na parte operacional no local do crime, preparando o duto para o furto. Além disso, a polícia investiga a possível colaboração interna de Paulo Henrique de Lima Silva, um vigilante detido em Monte Alegre (MG), suspeito de fornecer informações estratégicas ou facilitar a ação criminosa.
O impacto devastador do furto de combustíveis
O prejuízo financeiro causado à Transpetro, superior a R$ 5 milhões, é apenas uma faceta dos danos provocados por essa modalidade criminosa. As ações de perfuração e furto nos dutos geram um risco imenso de desastres ambientais, como vazamentos de combustíveis que podem contaminar o solo e a água, afetando ecossistemas e comunidades locais. Além disso, a interrupção da operação dos dutos para reparos causa impactos operacionais significativos, podendo levar a atrasos na distribuição de combustíveis e, em casos extremos, ao risco de desabastecimento em determinadas regiões. A própria infraestrutura dutoviária sofre com os danos, exigindo investimentos e tempo para recuperação.
Ações futuras e o combate contínuo
A Operação Sangria teve início após o monitoramento da quadrilha em agosto do ano passado, seguindo um furto em um duto entre Ribeirão Preto e Cravinhos. As ações policiais envolveram o cumprimento de mandados de busca e apreensão em sete cidades, incluindo duas empresas distribuidoras de combustíveis suspeitas de integrar a cadeia de escoamento do produto furtado. Foram apreendidos aparelhos celulares e equipamentos informáticos que passarão por perícia, podendo fornecer novas pistas sobre a rede criminosa.
As autoridades reforçam o compromisso de combater não só a subtração de combustível, mas também as graves consequências desses crimes. A Transpetro, por sua vez, informou que tem registrado um aumento no número de ataques criminosos a seus dutos em São Paulo e Minas Gerais, e destacou sua colaboração contínua com as autoridades competentes, mantendo articulação constante com órgãos de segurança pública, Ministérios Públicos e o Disque Denúncia para combater essa modalidade de crime. O foco da polícia é desarticular completamente essas organizações, prevenindo futuros crimes e protegendo a infraestrutura essencial do país.
Perguntas frequentes
O que é a Operação Sangria?
A Operação Sangria é uma ação da Polícia Civil que visa desarticular uma quadrilha especializada no furto de combustíveis de dutos da Transpetro, atuando em diversos estados do Brasil.
Qual o prejuízo causado pela quadrilha?
As investigações apontam que a quadrilha causou um prejuízo estimado em mais de R$ 5 milhões à Transpetro.
Quais crimes os envolvidos estão sendo acusados?
Os suspeitos devem responder por furto qualificado, receptação e organização criminosa.
Como a Transpetro reagiu a esses furtos?
A Transpetro informou um aumento nos ataques e está colaborando ativamente com as autoridades de segurança pública, mantendo articulação constante com polícias, Ministérios Públicos e o Disque Denúncia para combater essa prática.
Quais são os riscos associados ao furto de combustíveis em dutos?
Além do prejuízo financeiro, há sérios riscos ambientais (vazamentos, contaminação), operacionais (interrupção do abastecimento) e à própria infraestrutura, que pode ser danificada.
Ajude a combater o crime! Se você tiver informações sobre atividades suspeitas envolvendo dutos de combustíveis ou qualquer crime ambiental, denuncie às autoridades competentes ou utilize o Disque Denúncia, contribuindo para a segurança e proteção do nosso patrimônio.
Fonte: https://g1.globo.com