Catedral de Ribeirão Preto: Restauração completa prevista em 4 anos

 Catedral de Ribeirão Preto: Restauração completa prevista em 4 anos

G1

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A Catedral Metropolitana de São Sebastião, um ícone arquitetônico e religioso no coração de Ribeirão Preto, iniciou um ambicioso projeto de restauração com previsão de conclusão em quatro anos. O templo centenário, que apresenta sinais de desgaste estrutural, é um dos principais cartões-postais da cidade e um patrimônio de grande valor histórico e cultural. A primeira fase das obras, concentrada na estabilização da base do edifício, já está em andamento, visando garantir a longevidade e segurança da estrutura. Apesar dos desafios iniciais, incluindo uma interrupção temporária, as atividades religiosas prosseguem, assegurando que a fé e a comunidade permaneçam ativas durante todo o processo de revitalização deste marco da fé e da história local.

O desafio da restauração centenária

A Catedral Metropolitana de São Sebastião, localizada na região central de Ribeirão Preto, está passando por um extenso processo de restauração que deverá ser finalizado em quatro anos. A previsão foi anunciada pelo pároco da igreja, padre Francisco Jaber Zanardo Moussa. As obras, iniciadas em 1º de dezembro do ano passado, foram motivadas por sinais de desgaste apresentados pelo edifício centenário. Atualmente, os esforços se concentram na base da catedral, uma fase crucial que, segundo o pároco, tem duração estimada de pelo menos um ano.

A urgência das intervenções estruturais

A intervenção na base da catedral é fundamental para a estabilização da estrutura. Estão sendo realizados acertos no terreno abaixo da igreja, com a colocação de suportes que permitirão a continuidade das obras de fundação. O projeto de restauro prevê uma complexa, mas necessária, intervenção nas bases do templo para compensar a fragilidade de sua fundação original. Essa etapa inicial tem um custo estimado de R$ 2 milhões, de um total de R$ 14 milhões previstos para a recuperação completa do templo.

Em 19 de dezembro, o serviço precisou ser interrompido temporariamente após a detecção de uma movimentação na estrutura da torre, o que intensificou as rachaduras já existentes. Essa paralisação levou à celebração da tradicional Missa do Galo no centro social da comunidade. No entanto, a Catedral de São Sebastião reabriu suas portas aos fiéis em 6 de janeiro deste ano e a expectativa é que não haja mais interrupções nas atividades religiosas. As missas de Páscoa, por exemplo, a segunda data mais importante para os fiéis, deverão ser celebradas normalmente, mesmo em meio ao restauro. Além da fundação, o planejamento inclui a troca do telhado, cujas obras devem começar após o período de chuvas, em abril.

O prédio, construído entre 1904 e 1918, seguiu padrões da época que hoje se mostram vulneráveis. Erguida sobre pedras mais largas do que a própria construção, mas que alcançavam apenas dois metros de profundidade, a fundação carecia das vigas e estacas modernas, que atingem camadas mais profundas do solo. Com o tempo, o crescimento urbano e o intenso tráfego no entorno, essas estruturas antigas cederam, resultando em rachaduras cada vez maiores que ameaçavam a integridade do edifício. A intervenção atual visa corrigir essa fragilidade primordial, garantindo a solidez e segurança da catedral para as próximas gerações.

História, arte e significado religioso

A Catedral Metropolitana de São Sebastião não é apenas um local de culto, mas um dos principais cartões-postais de Ribeirão Preto e um valioso patrimônio do estado, reconhecido por sua importância religiosa e artística. Projetada pelo arquiteto sueco Carlos Ekman em estilo neogótico, sua construção, entre 1904 e 1918, contou com o apoio e o empenho da população local.

O legado cultural e a figura do padroeiro

Ao longo dos anos, a beleza da igreja foi enriquecida com obras de arte significativas. O artista plástico Benedito Calixto ilustrou o interior com pinturas sobre a vida de São Sebastião, padroeiro da cidade, enquanto a cúpula ganhou cores vibrantes pelas mãos de Nicolau Biagini, e os afrescos laterais foram produzidos por Joaquim d’Athaide.

Em 1958, a Catedral de São Sebastião foi elevada à condição de Arquidiocese de Ribeirão Preto, passando a congregar paróquias de 20 cidades da região. Seu reconhecimento como patrimônio histórico e cultural foi oficializado em 2009, quando o prédio foi tombado pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural de Ribeirão Preto (Conpacc), e novamente em 2014, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat), sublinhando sua relevância para o estado de São Paulo.

Em 20 de janeiro, Dia de São Sebastião, a catedral celebra seu padroeiro com uma série de eventos, incluindo missas e uma procissão. A história de São Sebastião, o santo protetor de Ribeirão Preto, remonta ao século III. Nascido na França, ele foi um soldado romano que secretamente professava e defendia a fé cristã. Por sua crença, foi perseguido pelo Imperador Diocleciano. Condenado à morte, Sebastião foi flechado e dado como morto, mas foi resgatado e cuidado por uma mulher. Recuperado, voltou a desafiar o imperador, sendo novamente martirizado, desta vez com bolas de chumbo. Seu primeiro milagre é atribuído à cura de uma grande peste que assolava Roma, afetando tanto pessoas quanto plantações, o que o consagrou como protetor da agropecuária e do campo, além de ser invocado contra pestes, epidemias, fome, guerras, tempestades e doenças em animais.

Um futuro restaurado para um patrimônio vivo

A restauração da Catedral Metropolitana de São Sebastião representa um compromisso inegável com a preservação da história, da arte e da fé que ela simboliza para Ribeirão Preto e toda a região. Mais do que uma obra estrutural, é um investimento na memória coletiva e na continuidade de um espaço que há mais de um século serve como farol de espiritualidade e marco cultural. A manutenção das atividades religiosas durante o processo demonstra a resiliência da comunidade e o desejo de manter viva a chama da fé, mesmo diante dos desafios. Ao final dos quatro anos, a catedral não apenas terá sua integridade física recuperada, mas reafirmará seu papel vital como um patrimônio vibrante e acessível para as futuras gerações, perpetuando seu legado para a Arquidiocese e todos os seus fiéis e visitantes.

Perguntas frequentes sobre a restauração da catedral

Quanto tempo deve durar a restauração completa da Catedral de Ribeirão Preto?
A previsão é que a restauração completa da Catedral Metropolitana de São Sebastião seja concluída em quatro anos a partir do início das obras.

A Catedral permanecerá aberta aos fiéis durante as obras?
Sim, a igreja foi reaberta em 6 de janeiro e a expectativa é que não haja novas interrupções. As atividades religiosas, incluindo missas e celebrações importantes como a Páscoa, continuarão a ser realizadas normalmente.

Qual o principal motivo da necessidade da restauração?
O prédio centenário apresenta sinais de desgaste estrutural, incluindo rachaduras decorrentes de uma fundação antiga e superficial. Essa fragilidade original, combinada com o crescimento urbano e o intenso tráfego no entorno, tornou a intervenção urgente e necessária.

Qual o custo total estimado para o projeto de restauração?
O custo total previsto para a recuperação completa do templo é de R$ 14 milhões. A fase primordial de intervenção nas bases da catedral, que está em andamento, tem um custo estimado de R$ 2 milhões.

Para acompanhar de perto o andamento das obras e as novidades sobre a Catedral Metropolitana de São Sebastião, visite o templo ou acompanhe os comunicados oficiais da Arquidiocese de Ribeirão Preto.

Fonte: https://g1.globo.com

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