Ações contra Doni: ex-goleiro processado por não entregar imóveis nos EUA

 Ações contra Doni: ex-goleiro processado por não entregar imóveis nos EUA

Doni: quem é o ex-goleiro da Seleção processado por golpes com investimentos nos EUA

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O ex-goleiro da Seleção Brasileira, Doniéber Alexander Marangon, conhecido como Doni, e sua empresa D32 Wholesale, estão sob os holofotes da justiça norte-americana. A companhia, que atua no setor imobiliário da Flórida, enfrenta uma série de reclamações e processos por alegado descumprimento de contratos. Investidores afirmam que a D32 Wholesale não entregou projetos de construção de imóveis e, em muitos casos, não devolveu os valores pagos, gerando prejuízos financeiros significativos e transtornos urbanos devido ao abandono de obras. A situação culminou em ações judiciais, incluindo um processo onde as compradoras buscam o reembolso de mais de 59 mil dólares, o equivalente a cerca de 306 mil reais. Este cenário levou a audiências e intimações, com o objetivo de esclarecer as responsabilidades da empresa e de seus sócios perante os lesados.

A controvérsia envolvendo a D32 Wholesale

A empresa D32 Wholesale, de propriedade do ex-goleiro Doni e de seu sócio brasileiro Werner Macedo, encontra-se no centro de uma crescente polêmica no mercado imobiliário dos Estados Unidos. Fundada com a proposta de construir residências de médio e alto padrão em condomínios no estado da Flórida, a companhia atraiu recursos de investidores tanto no Brasil quanto no exterior, prometendo rendimentos atrativos de até 15% ao ano. No entanto, o que inicialmente parecia uma oportunidade de investimento lucrativa, transformou-se em uma fonte de dor de cabeça para muitos, com acusações de não cumprimento de acordos e prejuízos financeiros.

A empresa e seus contratos

A D32 Wholesale, com Doni, ex-atleta de clubes renomados como Corinthians, Roma e Liverpool, como um de seus principais nomes, operava com um modelo de negócio que previa a captação de recursos para a construção de imóveis. Contratos detalhados eram firmados com os compradores, estipulando prazos e condições para a entrega das propriedades. Em um exemplo de contrato para a construção de uma casa por quase 200 mil dólares, em Dunnellon, Flórida, o documento, assinado em setembro de 2021, estabelecia um prazo de dois anos para a conclusão do imóvel.

As cláusulas contratuais eram abrangentes, prevendo a contratação de um empreiteiro licenciado para a execução da obra, o pagamento de todas as licenças e alvarás necessários, e até mesmo a instalação de eletrodomésticos de aço inoxidável, como geladeira, fogão, lava-louças e coifa, na entrega da casa. O pagamento era dividido em etapas: um sinal de 5 mil dólares, 34,6 mil dólares após a emissão do alvará de construção, e 163,4 mil dólares na entrega da escritura. Em certos casos, o contrato permitia a quitação por meio de permuta de imóveis.

Além disso, os documentos previam garantias tanto para o vendedor quanto para o comprador. A empresa reservava-se o direito de fazer alterações no projeto sem o consentimento do comprador, desde que fosse para cumprir requisitos do código de construção ou definir a localização de entradas. Por outro lado, o contrato explicitamente proibia a prorrogação da data de conclusão da obra, exceto em situações de força maior, e garantia uma cobertura de dez anos para a estrutura do imóvel. Em caso de rescisão sem justa causa por parte do vendedor, todos os valores pagos deveriam ser devolvidos, acrescidos de juros. Contudo, as reclamações indicam que essas garantias contratuais não foram honradas em diversas situações.

As reclamações dos investidores e o cenário em Palm Bay

As denúncias contra a D32 Wholesale ganharam visibilidade com reportagens em canais de televisão locais da Flórida, que destacaram imóveis abandonados em Palm Bay, causando incômodo aos moradores da região. Além do impacto visual e urbano, o cerne das queixas reside nos prejuízos financeiros sofridos pelos compradores. Muitos alegam não apenas a não entrega dos imóveis prometidos, mas também a falha em receber a devolução dos valores investidos, conforme previsto em contrato.

Um investidor, em entrevista, expressou sua frustração: “Solicitei oficialmente o reembolso e continuo recebendo o mesmo e-mail, pedindo para eu falar com a construtora, que eles entrariam em contato comigo. Até agora, a construtora não me contatou. Só quero meu depósito de volta e seguir em frente.” Essa declaração reflete a angústia de muitos que se veem em um limbo financeiro, com seus investimentos comprometidos e sem perspectivas claras de solução. As reclamações apontam para um padrão de conduta que levanta sérias questões sobre a gestão e a capacidade da D32 Wholesale de cumprir seus compromissos.

Desdobramentos judiciais e ameaças de prisão

A situação da D32 Wholesale e de seus sócios escalou para o âmbito judicial, com o agravamento das ações legais e a imposição de medidas mais severas por parte da Justiça americana. O não comparecimento de representantes da empresa a sessões e audiências tornou-se um ponto crítico, culminando em decisões que indicam a seriedade das acusações.

Ações legais e o não comparecimento

Um dos processos mais emblemáticos contra a D32 Wholesale refere-se ao contrato de construção de uma casa de 200 mil dólares em Dunnellon. A ação tramita desde janeiro do ano passado no Tribunal do Condado de Orange. Diante dos problemas na entrega do imóvel, as compradoras e a empresa chegaram a um acordo extrajudicial em novembro do ano passado, para o pagamento de 59 mil dólares, que incluíam o reembolso de 39,6 mil dólares já pagos pelo projeto, além de juros e custas advocatícias. No entanto, as compradoras alegaram que o acordo não foi cumprido, o que as levou a entrar com a ação cível.

Em abril do ano passado, a defesa das compradoras solicitou a execução do pagamento, e o Tribunal do Condado de Orange determinou um primeiro depoimento dos representantes da D32 Wholesale para setembro do mesmo ano. Contudo, ninguém compareceu. A situação se repetiu em uma audiência agendada para o fim de outubro, onde, novamente, nenhum representante da empresa se apresentou. A ausência reiterada e a falta de justificativas plausíveis diante das determinações judiciais agravaram a posição da empresa e de seus sócios perante a corte.

A intervenção judicial e o novo rumo

Diante do cenário de não comparecimento, em janeiro, o juiz Luis Calderon, do Tribunal do Condado de Orange, tomou uma decisão drástica. Ele marcou uma nova audiência para a terça-feira, 10 de fevereiro, com uma séria advertência: os sócios da D32 Wholesale estariam sujeitos a prisão caso não comparecessem. Essa medida sublinha a impaciência do sistema judicial com o descumprimento das ordens e a gravidade das alegações contra a empresa.

A ameaça de prisão, contudo, surtiu efeito. Na segunda-feira, 9 de fevereiro, um dia antes da audiência decisiva, o escritório Vihlen & Associates foi registrado como o novo representante legal da D32 Wholesale. Este escritório participou da audiência virtual agendada para o dia seguinte, o que evitou a execução da ordem de prisão. Durante essa sessão, foi designada uma nova data para depoimentos em maio, indicando que o processo judicial está progredindo, e os representantes da empresa terão de prestar esclarecimentos sob juramento. Os desdobramentos futuros prometem ser cruciais para a resolução das demandas dos investidores e para a definição das responsabilidades da D32 Wholesale e de seus sócios.

Perspectivas e o futuro do caso

A série de processos e as acusações contra a D32 Wholesale e seu sócio, o ex-goleiro Doni, marcam um momento crítico para a reputação e as operações da empresa no mercado imobiliário dos EUA. As denúncias de não entrega de imóveis e de não devolução de valores, somadas aos desdobramentos judiciais que incluíram ameaças de prisão, evidenciam a seriedade das alegações. A decisão de agendar novos depoimentos para maio representa uma etapa fundamental para que os investidores lesados possam buscar a reparação de seus prejuízos e para que as responsabilidades legais sejam devidamente apuradas. O desenrolar do caso será acompanhado de perto, dada a notoriedade do ex-atleta envolvido e o volume das acusações.

FAQ

Quem é Doni e qual sua relação com a D32 Wholesale?
Doni, cujo nome completo é Doniéber Alexander Marangon, é um ex-goleiro da Seleção Brasileira e de clubes como Corinthians, Roma e Liverpool. Ele é um dos sócios da D32 Wholesale, uma empresa que atua no mercado imobiliário dos Estados Unidos, focada na construção de casas na Flórida.

Quais são as principais acusações contra a empresa D32 Wholesale?
As principais acusações contra a D32 Wholesale incluem o não cumprimento de contratos para a construção de imóveis, a não entrega das propriedades dentro dos prazos estabelecidos e a falta de devolução dos valores pagos pelos investidores, resultando em prejuízos financeiros e abandono de obras.

Por que a Justiça americana ameaçou prender os sócios da D32 Wholesale?
A Justiça americana ameaçou prender os sócios da D32 Wholesale devido ao reiterado não comparecimento de representantes da empresa a sessões de depoimentos e audiências judiciais, mesmo após intimações formais. A medida foi uma forma de garantir o cumprimento das ordens judiciais e a presença dos envolvidos nos trâmites legais.

Para se manter atualizado sobre os próximos capítulos desta investigação e outros desdobramentos importantes, acompanhe as notícias em tempo real.

Fonte: https://g1.globo.com

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