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Agentes públicos detidos no Amazonas sob suspeita de colaborar com facção criminosa
© Mauro Neto/Secom
Uma vasta operação policial no Amazonas resultou na detenção preventiva de pelo menos 13 indivíduos, incluindo agentes públicos detidos em diferentes esferas do poder, sob suspeita de integrar um sofisticado esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A rede criminosa, atribuída à facção Comando Vermelho (CV), teria movimentado cerca de R$ 70 milhões desde 2018. As investigações revelaram a participação de servidores dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, que supostamente auxiliaram na operacionalização do esquema e na ocultação dos lucros ilícitos. A operação, denominada “Erga Omnes”, desvendou um complexo sistema que utilizava empresas de fachada e até mesmo instituições religiosas para dar aparência de legalidade aos recursos obtidos com atividades ilegais, estendendo sua atuação por diversos estados brasileiros.
A operação “Erga Omnes” e a rede criminosa
A Polícia Civil do Amazonas deflagrou uma importante ação que culminou na prisão de 13 pessoas, sob a acusação de envolvimento direto com um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro liderado pela facção criminosa Comando Vermelho. A operação, batizada de “Erga Omnes”, focou em desarticular uma complexa rede que, desde 2018, teria movimentado aproximadamente R$ 70 milhões. O montante era lavado através de empresas de fachada, criadas especificamente para conferir um aspecto lícito ao dinheiro proveniente das atividades criminosas.
As investigações, iniciadas em agosto de 2023, conforme divulgado pelas autoridades policiais, revelaram a preocupante colaboração de integrantes dos três poderes estaduais. Os suspeitos são investigados por uma série de crimes graves, incluindo formação de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A atuação do grupo não se restringia ao Amazonas, expandindo-se para outros estados como Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí, onde mandados judiciais de prisão e busca e apreensão foram executados com o apoio das forças de segurança locais.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) foram cruciais para a identificação de transações financeiras de alto valor realizadas por servidores públicos. Essa base de dados permitiu aos investigadores traçar o rastro do dinheiro e conectar os fluxos financeiros ilícitos à participação de agentes estatais, evidenciando a profundidade da infiltração da organização criminosa em estruturas governamentais.
O papel dos agentes públicos
A participação de agentes públicos no esquema criminoso era multifacetada, conforme detalhado pela Polícia Civil. A colaboração ocorria por meio de suporte logístico, que facilitava a movimentação e distribuição de ilícitos, pela facilitação do acesso à administração pública, o que poderia agilizar processos ou desviar a atenção de fiscalizações, e, crucialmente, pelo fornecimento de informações sigilosas. Essas informações, de caráter privilegiado, eram utilizadas pela facção para antecipar ações policiais ou tomar decisões estratégicas, tornando a organização ainda mais resiliente. A presença de servidores nesses cargos estratégicos “facilitava o trânsito da organização criminosa por diferentes instituições” públicas, criando um ambiente propício para suas operações.
Entre os alvos da ação está Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil, que estava cedida à Casa Civil municipal, atuando como assessora técnica. Informações veiculadas na imprensa amazonense indicam que ela já havia chefiado o gabinete do prefeito de Manaus. Questionamentos feitos à prefeitura sobre outros cargos ocupados por Anabela não obtiveram resposta. A prefeitura, em nota oficial, informou não ser alvo da operação e reiterou seu compromisso absoluto com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições. Assegurou ainda que qualquer servidor público eventualmente investigado responderá individualmente por seus atos, sem prejuízo do funcionamento regular da máquina pública.
Outro nome relevante entre os detidos é Izaldir Moreno Barros, auxiliar judiciário do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM). A Corte, em comunicado, afirmou estar adotando as medidas cabíveis no âmbito administrativo, reforçando seu compromisso com a legalidade, transparência e integridade do Poder Judiciário, e assegurando que não compactua com condutas incompatíveis com os deveres funcionais. A defesa dos acusados Anabela Cardoso Freitas e Izaldir Moreno Barros ainda não foi contatada para posicionamento sobre as acusações.
A lavagem de dinheiro e o alcance nacional
A estratégia de lavagem de dinheiro adotada pelo grupo era complexa e abrangia diversos mecanismos. Empresas de logística, constituídas para fins aparentemente lícitos, eram na realidade usadas como fachada para disfarçar a distribuição de drogas para todo o território nacional. Segundo os investigadores, as operações dessas empresas não apresentavam movimentações financeiras compatíveis com atividades regulares. Elas não realizavam a compra de insumos nem negociavam com outras empresas do ramo legítimo. Suas únicas transações financeiras eram com traficantes e com os servidores públicos envolvidos no esquema, demonstrando a artificialidade de suas operações.
As drogas eram adquiridas na cidade de Tabatinga, na fronteira do Amazonas, e os valores transacionados por meio de empresas fantasmas estabelecidas no Amazonas e no Pará. Esse dinheiro, após ser “lavado”, era então distribuído para outras partes do Brasil. Para dificultar a identificação do grupo criminoso e suas operações financeiras, até mesmo igrejas evangélicas eram utilizadas. Um dos líderes da organização, por exemplo, apresentava-se como evangélico e atuava em uma igreja localizada no bairro Zumbi dos Palmares, na zona leste de Manaus, usando essa fachada para operar e movimentar recursos sem levantar suspeitas imediatas. A tática demonstra o nível de sofisticação e a capacidade de camuflagem da organização criminosa em sua tentativa de se infiltrar e operar impunemente.
Repercussão e posicionamento das instituições
A Operação Erga Omnes, ao expor a suposta participação de agentes públicos em um esquema de tráfico e lavagem de dinheiro, gerou significativa repercussão. As instituições públicas envolvidas, a Prefeitura de Manaus e o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), prontamente emitiram comunicados para esclarecer suas posições. A Prefeitura de Manaus enfatizou que não é alvo da operação e que a atual administração mantém um compromisso absoluto com a legalidade, transparência e respeito às instituições. A nota destacou que qualquer servidor público investigado responderá individualmente por seus atos, sem comprometer o funcionamento da administração.
De forma similar, o TJ-AM informou que está adotando as medidas cabíveis no âmbito administrativo, reafirmando que preza pela legalidade, transparência e integridade do Poder Judiciário. A Corte deixou claro que não compactua com quaisquer condutas incompatíveis com os deveres funcionais de seus membros. As declarações das instituições visam resguardar a imagem e a integridade do serviço público, ao mesmo tempo em que garantem a responsabilização individual dos envolvidos, conforme a lei. A investigação prossegue para apurar todas as responsabilidades e ramificações do esquema.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que é a Operação Erga Omnes?
A Operação Erga Omnes é uma ação policial deflagrada no Amazonas que investiga e combate um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro liderado pela facção criminosa Comando Vermelho, com a suspeita de envolvimento de agentes públicos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Quais os principais crimes investigados na operação?
Os crimes investigados incluem formação de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Quantos agentes públicos foram detidos e em quais poderes atuavam?
Ao menos 13 pessoas foram detidas preventivamente, e entre elas estão agentes públicos com atuação nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Amazonas.
Como o dinheiro ilícito era lavado pelo esquema?
O dinheiro era lavado principalmente por meio de empresas de fachada, muitas delas de logística, que simulavam atividades lícitas para movimentar os recursos. Além disso, foi identificado o uso de igrejas evangélicas para dificultar a identificação do grupo criminoso.
Qual o montante de dinheiro movimentado pelo esquema desde 2018?
Segundo as investigações, o esquema criminoso movimentou aproximadamente R$ 70 milhões desde 2018.
Mantenha-se informado sobre os desdobramentos desta e de outras investigações importantes para a transparência e a justiça em nosso país.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br