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Zona azul de Piracicaba: 83% da arrecadação vai Para Empresa privada
G1
A gestão do estacionamento rotativo, popularmente conhecido como Zona Azul, na cidade de Piracicaba, São Paulo, tem gerado um volume expressivo de recursos financeiros. A análise da arrecadação do serviço revela uma significativa divisão de valores entre a administração municipal e a empresa privada responsável pela operação. Dados indicam que a maior parte dos milhões arrecadados anualmente é destinada à concessionária, com uma parcela menor sendo revertida para fundos públicos ligados ao trânsito. Este modelo de repasse, estabelecido em contrato, levanta discussões sobre a eficiência e a transparência na aplicação desses recursos, que impactam diretamente o dia a dia dos motoristas e a organização viária da cidade.
A divisão dos recursos da Zona Azul em Piracicaba
A operação da Zona Azul em Piracicaba é um exemplo claro de gestão delegada à iniciativa privada, um modelo previsto pela legislação de trânsito brasileira. Contudo, a distribuição da arrecadação proveniente do estacionamento rotativo na cidade tem sido objeto de atenção devido à expressiva fatia que permanece com a empresa concessionária em comparação com o montante destinado ao município.
Modelo de repasse e dados financeiros
O sistema de estacionamento rotativo de Piracicaba, operado pela Piracicaba Digital SPE Ltda., funciona sob um modelo de repasse contratual específico. Nele, a empresa não recebe um percentual fixo sobre a sua margem de lucro, mas sim uma parcela significativa do valor total arrecadado. O acordo estabelece que, do montante bruto coletado, 17% são repassados à Prefeitura de Piracicaba, enquanto os 83% restantes ficam com a concessionária.
Para o ano de 2025, por exemplo, as projeções indicam que a arrecadação total da Zona Azul alcançará aproximadamente R$ 3.242.366,20. Deste valor, R$ 551.202,25 seriam destinados aos cofres municipais, enquanto a maior parte, R$ 2.691.163,95, ficaria sob a gestão da empresa privada.
Este modelo de repasse foi formalizado em um contrato assinado em março de 2023, após um processo licitatório que teve início em 2021. Desde o começo da atual concessão, em junho de 2023, a arrecadação da Zona Azul somou R$ 7.344.158,85 até a projeção de 2025. Neste período, o município recebeu R$ 1.248.577,90, e a concessionária acumulou R$ 6.096.503,85.
É relevante notar que, mesmo sem alterações na área de abrangência ou nas tarifas cobradas, a arrecadação da Zona Azul tem demonstrado um crescimento consistente ano a ano.
A distribuição anual dos valores arrecadados na Zona Azul de Piracicaba se deu da seguinte forma:
2023 (sete meses):
Arrecadação total: R$ 1.230.469,25
Repasse à Prefeitura (17%): R$ 209.179,77
Valor com a empresa (83%): R$ 1.021.289,48
2024:
Arrecadação total: R$ 2.872.323,40
Repasse à Prefeitura (17%): R$ 488.294,98
Valor com a empresa (83%): R$ 2.384.028,42
2025 (projeção):
Arrecadação total: R$ 3.242.366,20
Repasse à Prefeitura (17%): R$ 551.202,25
Valor com a empresa (83%): R$ 2.691.163,95
Importante ressaltar que os valores mencionados referem-se exclusivamente à arrecadação do estacionamento. As multas aplicadas por infrações na Zona Azul não estão incluídas nestes cálculos; elas são integralmente revertidas para o fundo de trânsito municipal, administrado pela prefeitura.
O destino da parcela municipal e a gestão do serviço
A administração do estacionamento rotativo, embora delegada à iniciativa privada em Piracicaba, mantém uma interface crucial com o poder público municipal, especialmente no que tange ao destino da parcela arrecadada que lhe compete. A transparência na aplicação desses fundos e a compreensão do propósito do serviço são fundamentais para a população.
Aplicação dos fundos e propósito do estacionamento rotativo
Os 17% da arrecadação da Zona Azul destinados à Prefeitura de Piracicaba são minuciosamente alocados para diferentes fundos públicos, com o objetivo de reinvestir esses recursos em melhorias e ações relacionadas ao trânsito da cidade. A Secretaria Municipal de Segurança Pública, Trânsito e Transportes é a responsável pela gestão, fiscalização e controle tanto da arrecadação quanto dos repasses.
Os valores são distribuídos da seguinte forma:
5% são direcionados ao Fundo de Sinalização Viária, visando a manutenção e aprimoramento da sinalização horizontal e vertical nas vias urbanas.
5% são aplicados no Fundo de Educação para o Trânsito, com o intuito de promover campanhas educativas e programas de conscientização para motoristas e pedestres.
7% são destinados ao Fundo Municipal de Trânsito, que financia diversas ações e projetos relacionados à gestão e fiscalização do trânsito na cidade.
A cobrança pelo estacionamento rotativo em vias públicas é uma prática amparada pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que confere aos municípios a competência para instituir e administrar o serviço. A delegação à iniciativa privada, como ocorrido em Piracicaba, é uma opção legalmente prevista. O principal objetivo da Zona Azul, segundo as autoridades de trânsito, é aumentar a rotatividade das vagas de estacionamento em áreas de grande demanda, como o centro comercial. Essa medida visa facilitar o acesso de consumidores ao comércio local e contribuir para a organização do fluxo de veículos, reduzindo congestionamentos e otimizando o uso do espaço público.
Apesar da clareza nos objetivos, a empresa Piracicaba Digital SPE Ltda. não forneceu informações sobre os custos operacionais do sistema da Zona Azul nem sobre os benefícios diretos que a população recebe com a operação da concessionária quando questionada.
Modernização e retirada de parquímetros
Em um movimento que sinaliza a modernização e a adaptação do serviço às novas tecnologias, a Piracicaba Digital iniciou, em dezembro de 2025, o processo de retirada de metade dos parquímetros da Zona Azul em Piracicaba. Dos 190 equipamentos instalados, 95 foram desativados.
A justificativa para essa medida é a crescente adesão aos métodos de pagamento digital. Segundo a concessionária, 86% dos pagamentos pelo uso da Zona Azul já são realizados por meios eletrônicos. Com essa mudança, a forma de pagamento do estacionamento rotativo concentra-se em três canais principais: o aplicativo de celular, o site oficial da Zona Azul e os pontos de venda credenciados, espalhados pelo comércio local. Esta transição reflete uma tendência observada em diversas cidades, onde a conveniência e a praticidade dos pagamentos digitais têm se sobreposto à necessidade de equipamentos físicos.
Conclusão
A Zona Azul de Piracicaba, com seu modelo de concessão à iniciativa privada, exemplifica a complexidade da gestão de serviços públicos essenciais. A expressiva parcela da arrecadação destinada à empresa concessionária, em contraste com a fatia municipal, levanta questionamentos pertinentes sobre o equilíbrio financeiro da operação e o retorno público do serviço. Embora a prefeitura destine sua porção dos recursos para fundos de trânsito, educação e sinalização, a falta de transparência sobre os custos operacionais da concessionária impede uma análise completa da relação custo-benefício para a cidade. A modernização do sistema, com a remoção de parquímetros em favor de pagamentos digitais, reflete uma adaptação tecnológica que, espera-se, traga maior eficiência e comodidade aos usuários.
FAQ
O que é a Zona Azul de Piracicaba e como funciona?
A Zona Azul de Piracicaba é um sistema de estacionamento rotativo pago em vias públicas, gerenciado por uma empresa privada (Piracicaba Digital SPE Ltda.) sob concessão da prefeitura. O objetivo é aumentar a rotatividade das vagas em áreas de grande demanda, facilitando o acesso ao comércio e organizando o trânsito. Os usuários pagam pelo tempo de uso da vaga, atualmente de forma predominantemente digital.
Qual a divisão da arrecadação da Zona Azul entre a prefeitura e a empresa?
Pelo modelo contratual em vigor, 83% do valor arrecadado com o estacionamento na Zona Azul é destinado à empresa concessionária, a Piracicaba Digital SPE Ltda. Os 17% restantes são repassados à Prefeitura de Piracicaba.
Para onde vai a parcela da prefeitura da arrecadação da Zona Azul?
A parcela da prefeitura (17%) é distribuída entre três fundos públicos: 5% para o Fundo de Sinalização Viária, 5% para o Fundo de Educação para o Trânsito e 7% para o Fundo Municipal de Trânsito. A Secretaria Municipal de Segurança Pública, Trânsito e Transportes é responsável pela gestão e fiscalização desses recursos.
Por que os parquímetros foram removidos da Zona Azul de Piracicaba?
A retirada de metade dos parquímetros (95 de 190) em dezembro de 2025 foi justificada pela alta adesão aos métodos de pagamento digital. Segundo a concessionária, 86% dos pagamentos já eram realizados via aplicativo, site ou pontos de venda credenciados, tornando os equipamentos físicos menos necessários.
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Fonte: https://g1.globo.com