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Últimos corpos da operação no rio deixam o IML
© Joédson Alves/Agência Brasil
As famílias dos mortos da Operação Contenção, realizada pelo governo do Rio de Janeiro nos complexos da Penha e do Alemão, começaram a deixar o Instituto Médico Legal (IML) com os corpos de seus entes queridos. Até o dia 31, a Polícia Civil informou que restavam apenas 8 corpos para serem identificados.
Apesar do alívio em encerrar a busca por seus familiares, a indignação com a tragédia é palpável entre os parentes. Karine Beatriz, grávida, esteve no IML para reconhecer o corpo de seu esposo, Wagner Nunes Santana, pai de seu futuro bebê, após três dias de procura na mata. Ela relatou que ele foi encontrado em um lago na Serra da Misericórdia, na Penha.
“Após três dias de buscas consegui localizar o corpo, mas alívio eu só vou ter com respostas para as perguntar que não vão calar: de onde vem pena de morte, se existe presídio, presídio é apenas enfeite? Até quando vai isso?”, questionou Karine, referindo-se à letalidade das operações policiais no Rio. “Temos crianças assustadas, uma comunidade abalada, é muita dor”, desabafou.
Karine enfatizou que, independentemente do envolvimento de Wagner com o crime, ele era um pai de família, trabalhador e responsável pelo sustento da casa. “Independente dos erros dele, ele era trabalhador, era família, semana passada, estava ajudando a erguer uma casa na comunidade, ajudou a fazer o ‘cabelo maluco’ da minha filha. Tenho uma filha de 9 anos, que não era filha dele e ele fez o cabelo dela para escola, levou para brincar, sabe, são momentos que não vão voltar”, lamentou.
Segundo Karine, o corpo de Wagner foi retirado do lago com um tiro na testa, porém a polícia não esclareceu as circunstâncias de sua morte. Ela denunciou execuções na ação policial, afirmando que “eles não vieram prender ninguém, eles foram para matar. É até mesmo quem se entregou, eles mataram”.
De acordo com o balanço mais recente sobre a Operação Contenção, divulgado na sexta-feira, 99 pessoas foram identificadas pelo IML. Desse total, 42 possuíam mandados de prisão pendentes e 78 tinham envolvimento com atividades criminosas. Treze eram de outros estados, como Pará, Bahia, Amazonas, Ceará, Paraíba e Espírito Santo.
O governo do estado justificou a operação como uma forma de conter a expansão de uma facção criminosa, apesar de não ter conseguido prender os líderes do grupo. As investigações indicavam que membros da facção recebiam treinamento em armamento, tiro, explosivos e táticas de combate nas áreas visadas.
As investigações também revelaram que o fluxo de caixa da facção nessas áreas movimentava cerca de 10 toneladas de drogas por mês. “Tanto o Alemão quanto a Penha serviam como polos de abastecimento, distribuindo drogas e armas para outras comunidades controladas pelo grupo criminoso”.
Em meio aos questionamentos sobre a eficácia e os custos da operação, bem como a alta letalidade, o governador defendeu a ação, afirmando que “o trabalho de investigação e inteligência foi adequado, todos perigosos e com ficha criminal”.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br