Motorista que arrastou cachorra até a morte em Igarapava agiu de forma

 Motorista que arrastou cachorra até a morte em Igarapava agiu de forma

G1

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Um grave incidente chocou a população de Igarapava, interior de São Paulo, no último domingo (25), quando um homem de 65 anos foi flagrado arrastando uma cachorra amarrada em sua caminhonete, resultando na morte do animal e de seus dez filhotes não nascidos. O motorista que arrastou a cachorra, identificado como Lourival Ribeiro da Silva, teria agido de forma consciente, ignorando os alertas de outros motoristas que tentaram intervir para salvar a vida do animal. A brutalidade do ato e a alegação de que o motorista estava ciente da situação levantaram uma onda de indignação e questionamentos sobre a responsabilização por crimes de maus-tratos contra animais, que se agravam em casos de óbito. O suspeito foi detido, mas subsequentemente liberado após audiência de custódia, gerando debate.

O incidente em Igarapava: o testemunho ocular

O relato detalhado de uma testemunha ocular oferece uma visão perturbadora dos acontecimentos que levaram à morte cruel de uma cadela prenhe na noite de domingo, 25 de fevereiro, em Igarapava, São Paulo. O motorista de aplicativo Lucas Fachim, que estava na Rua Saldanha Marinho, no bairro Vila Marilene, por volta das 20h, descreveu uma cena de completa negligência e, segundo ele, premeditação por parte do condutor da caminhonete.

A descoberta e as tentativas de alerta

Fachim narra que notou algo incomum ao ver uma cachorra amarrada à traseira de uma caminhonete em movimento. De imediato, a imagem levantou preocupação, e ele, juntamente com outros motoristas, decidiu agir. “A gente estava trafegando sentido a entrada da cidade. (…) A gente sinalizava, buzinava e metia som, luz para que ele parasse o veículo dele para a gente tentar salvar a cachorra”, relatou Fachim. A intenção era clara: cortar a corda e libertar o animal, sem, no entanto, ter certeza se o ato era intencional ou um acidente. As tentativas desesperadas de chamar a atenção do motorista se estenderam por um trecho significativo, demonstrando a urgência e o esforço coletivo para evitar uma tragédia iminente.

A confrontação e a confirmação da consciência

Apesar dos múltiplos sinais, o motorista da caminhonete, Lourival Ribeiro da Silva, de 65 anos, só parou o veículo quando foi “fechado” por outro automóvel, forçando-o a interromper seu percurso. Nesse momento crucial, Lucas Fachim se aproximou e tentou intervir verbalmente. “Eu falei ‘oh, vou cortar a corda, espera’. Ele falou ‘a cachorra é minha’ e arrancou com a caminhonetinha e foi embora de novo”, descreveu o motorista de aplicativo. Essa resposta, segundo Fachim, foi a prova de que Lourival sabia da presença do animal amarrado e de seu sofrimento. “Dá a entender que ele sabia que ela estava ali. Para que ele ia me falar que a cachorra é dele se ele não sabe de cachorro? Ele não sabia nem do que eu estava falando, a única coisa que eu falei foi ‘espera que eu vou cortar a corda’. Ele não sabia do que se tratava. Então ele sabe que era uma cachorra amarrada.” A indiferença do condutor, aliada à sua recusa em permitir o resgate imediato, deixou claro para as testemunhas que o sofrimento do animal não era uma surpresa para ele. Metros adiante, a corda finalmente arrebentou, mas o dano já estava feito. Fachim retornou para checar o animal, mas lamentavelmente, “ela já estava sem vida”.

As consequências e o desdobramento legal

O ato de crueldade teve um desfecho trágico e irreversível, impactando não apenas a vida da cachorra, mas também as vidas de seus filhotes e a comunidade de Igarapava, que reagiu com indignação e tristeza. A repercussão do caso se estendeu para além das fronteiras da cidade, reacendendo debates sobre a legislação de proteção animal no Brasil e a eficácia das punições aplicadas.

O desfecho trágico e o futuro dos filhotes

A cachorra, já debilitada e ferida, não resistiu aos ferimentos extensos e à exaustão causados pelo arrastamento. Ela foi levada a um hospital veterinário, mas infelizmente, todos os esforços foram em vão. A situação foi ainda mais dolorosa com a confirmação de que a cadela estava prenhe de dez filhotes, todos eles perdidos devido à crueldade do ato. A imagem do animal sem vida, após a corda se soltar, deixou uma marca profunda nas testemunhas e em todos que tomaram conhecimento do caso. A dor física e o trauma sofridos pela cachorra antes de sua morte prematura destacam a barbárie do ocorrido, transformando o incidente em um símbolo da luta contra os maus-tratos a animais e da busca por justiça.

A prisão, a alegação e a liberdade provisória

Lourival Ribeiro da Silva foi detido em flagrante pela Polícia Civil, acusado do crime de abuso contra animais, com o agravante da morte da cachorra. Contudo, em uma audiência de custódia subsequente, o homem obteve o direito de responder ao processo em liberdade. Em seu depoimento à Polícia Civil, Lourival apresentou uma versão que diverge radicalmente do testemunho das pessoas que tentaram alertá-lo. Ele alegou que seu neto de 7 anos poderia ter amarrado o animal à traseira da caminhonete e que ele próprio não percebeu a cachorra presa ao veículo, pois teria saído com pressa. A defesa de Lourival, por sua vez, reforçou a alegação de inocência de seu cliente, afirmando que ele não teve culpa no incidente e que estaria “abalado com o que aconteceu”. Essa justificativa contrasta diretamente com o relato das testemunhas, que indicam plena consciência e indiferença por parte do motorista, levantando sérias questões sobre a veracidade de sua defesa e a responsabilidade penal que poderá ser atribuída no decorrer das investigações.

Análise e repercussão

O caso do motorista que arrastou a cachorra até a morte em Igarapava expõe um conflito gritante entre o testemunho de uma ação consciente e a alegação de um acidente trágico. A liberdade provisória de Lourival Ribeiro da Silva, enquanto as investigações prosseguem, ressalta a complexidade da aplicação da lei em casos de maus-tratos a animais, especialmente quando há discrepâncias nos depoimentos. A morte da cachorra e de seus filhotes evoca uma forte reação pública, clamando por justiça e por uma punição exemplar que sirva de alerta contra a crueldade. É fundamental que as autoridades aprofundem as investigações para elucidar os fatos e garantir que a responsabilidade seja devidamente atribuída, em respeito à vida animal e à indignação social gerada por este lamentável evento.

Perguntas frequentes

Onde e quando ocorreu o incidente?
O incidente ocorreu na noite do domingo, 25 de fevereiro, por volta das 20h, na Rua Saldanha Marinho, no bairro Vila Marilene, em Igarapava, no interior de São Paulo.

Qual foi a reação do motorista ao ser alertado por outras pessoas?
Segundo testemunhas, o motorista Lourival Ribeiro da Silva foi alertado por buzinas, luzes e sons de outros veículos que tentavam fazê-lo parar. Ele só parou ao ser “fechado” por outro carro. Ao ser confrontado, ele teria dito “a cachorra é minha” e arrancou novamente com a caminhonete, ignorando o pedido para que a corda fosse cortada.

Qual é a situação legal atual do suspeito?
Lourival Ribeiro da Silva foi preso em flagrante pelo crime de abuso contra animais, agravado pela morte da cachorra. No entanto, após uma audiência de custódia, ele obteve o direito de responder ao processo em liberdade.

Qual a pena para crimes de maus-tratos a animais no Brasil?
No Brasil, a Lei nº 14.064/2020 alterou a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98) para aumentar a pena para crimes de maus-tratos contra cães e gatos. A pena atual é de reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição da guarda. Para outros animais, a pena é de detenção de 3 meses a 1 ano e multa.

Se você presenciar ou tiver conhecimento de casos de maus-tratos a animais, denuncie imediatamente às autoridades competentes, como a Polícia Militar, a Polícia Civil ou órgãos de proteção animal, para que a justiça seja feita e novas vidas sejam protegidas.

Fonte: https://g1.globo.com

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