Morte de engenheira no ES: prancha solta pode ter causado lesões fatais

 Morte de engenheira no ES: prancha solta pode ter causado lesões fatais

G1

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A Polícia Civil do Espírito Santo está conduzindo uma investigação aprofundada sobre as circunstâncias que levaram à trágica morte da engenheira Mariani Gambarini Vassoler, de 31 anos, em um acidente de trânsito ocorrido na rodovia ES-297, em Mimoso do Sul. A fatalidade, registrada na noite de uma sexta-feira chuvosa, chocou a família e levantou questionamentos importantes sobre a segurança no transporte de objetos em veículos. A principal linha de apuração foca em determinar se uma prancha de surfe, que a vítima transportava solta no carro, pode ter provocado ou agravado as lesões que culminaram em seu óbito. Os laudos periciais são aguardados para esclarecer essa hipótese crucial. Mariani, que viajava de Sorocaba (SP) para passar o Natal com a família em Iriri, no litoral capixaba, tinha planos interrompidos por um destino inesperado. O desfecho dessa investigação poderá reforçar a necessidade de medidas preventivas no trânsito.

Acidente trágico na ES-297

O sinistro que tirou a vida de Mariani Gambarini Vassoler aconteceu na noite de sexta-feira (19), na rodovia ES-297, em um trecho da zona rural do município de Mimoso do Sul, no Sul do Espírito Santo. A engenheira, que morava em Sorocaba, São Paulo, estava a caminho de Iriri, no litoral capixaba, onde passaria as festas de fim de ano com sua família. Ela conduzia seu veículo quando, em uma curva da rodovia, perdeu o controle da direção e colidiu com a lateral de um caminhão que transportava cimento a granel. Policiais que atenderam a ocorrência relataram que a pista estava molhada devido à chuva no momento da batida, um fator que pode ter contribuído para a perda de controle do veículo.

Detalhes da colisão e o resgate

De acordo com relatos repassados à família pela polícia e pelo próprio motorista do caminhão, que permaneceu no local e prestou socorro, o carro de Mariani teria rodado na pista antes de atingir a carreta lateralmente, impactando o lado do passageiro. A batida ocorreu por volta das 22h, a poucas horas do destino final da viagem. O motorista do caminhão foi submetido ao teste de alcoolemia, que resultou negativo, afastando a hipótese de embriaguez.

Um detalhe comovente da tragédia foi a presença do cachorro de Mariani, chamado Chopp, da raça Burriler, de 8 anos. O fiel companheiro sobreviveu ao impacto e, heroicamente, permaneceu ao lado de sua tutora até a chegada das equipes de socorro. Após o resgate, Chopp foi acolhido por familiares da engenheira, que garantiram que ele ficará com a família no Espírito Santo. O veículo de Mariani ficou severamente danificado, com o lado do passageiro e o teto afundados, indicando a violência da colisão e a pressão que a vítima sofreu.

A investigação e a hipótese da prancha

A Polícia Civil, através da Delegacia de Polícia de Mimoso do Sul, sob a coordenação do delegado Daniel Correia Sousa, está empenhada em desvendar todas as nuances do acidente. O foco principal da investigação, além de determinar a dinâmica da colisão, é verificar se uma prancha de surfe que estava no interior do carro de Mariani pode ter tido um papel crucial no desfecho fatal. Parentes da vítima, no dia seguinte ao acidente, já haviam levantado a suspeita de que o objeto, transportado solto entre os bancos dianteiros, poderia ter atingido a cabeça da engenheira no momento do impacto.

Laudos periciais em análise

Para esclarecer as causas da morte e as circunstâncias do acidente, a polícia aguarda a conclusão de dois exames periciais fundamentais: o laudo cadavérico e o laudo de local. O delegado Daniel Correia Sousa explicou a importância de cada um: “O laudo cadavérico tem como objetivo apontar a causa da morte, além de registrar possíveis lesões ou sinais de ferimentos. Ele vai apontar se existe lesão na cabeça compatível com a prancha ou qualquer outra que indique o que houve.” Este documento será crucial para confirmar ou descartar a hipótese de que a prancha causou um corte profundo na lateral da cabeça de Mariani, conforme relatado pela tia da vítima, Bruna Fonseca Gambarini.

Já o laudo de local é um relatório técnico que descreve as condições da rodovia e o ambiente onde o acidente ocorreu, investigando fatores como a visibilidade, o estado do pavimento e se algo na pista poderia ter contribuído para a perda de controle do veículo. Os prazos para a conclusão desses exames variam entre 10 e 90 dias úteis, dependendo da complexidade das análises e da demanda dos órgãos periciais. A Polícia Civil enfatiza que, embora a suspeita da prancha seja forte, nenhuma conclusão será precipitada antes da análise dos resultados técnicos.

Alerta sobre o transporte de objetos no veículo

Embora a investigação sobre a influência da prancha na morte de Mariani esteja em andamento, o delegado Daniel Correia Sousa aproveitou para reforçar um importante alerta de segurança viária. Ele destacou os perigos de transportar objetos soltos dentro do veículo. “A gente não pode afirmar nesse momento que a prancha teve alguma influência no óbito da motorista. Mas podemos alertar as pessoas que transportar objetos soltos dentro do veículo é perigoso e pode causar lesões graves mesmo em acidentes simples,” afirmou o delegado.

A recomendação oficial é clara: objetos pequenos ou grandes devem ser transportados no porta-malas, onde há menos risco de se tornarem projéteis em caso de colisão ou freada brusca. No caso de itens como pranchas de surfe, a orientação é utilizar um rack apropriado no teto do veículo. O delegado também estendeu o alerta para o transporte de animais de estimação, aconselhando que sejam sempre levados presos em caixas de transporte ou cintos de segurança específicos, pois um animal solto pode se assustar e distrair o motorista, causando acidentes.

A jornada de Mariani e o companheiro fiel

Mariani Gambarini Vassoler, uma engenheira de 31 anos, morava há quase um ano em Sorocaba, onde trabalhava em uma empresa de estofados de alto padrão. Ela era descrita pela família como uma pessoa que amava esportes e vivia uma vida ativa. Sua viagem de Sorocaba para Iriri, no Espírito Santo, tinha um motivo especial: passar o Natal e o Réveillon na casa de sua mãe. Mariani já havia feito esse trajeto de avião diversas vezes, mas, nesta ocasião, decidiu ir de carro para poder levar seu amado cachorro Chopp, que ela carinhosamente considerava “praticamente um filho”.

Planos de Natal interrompidos

A viagem de Mariani começou cedo, antes das 6h, com previsão de chegada em Iriri por volta das 22h. A engenheira estava ansiosa para reencontrar a família e amigos, com quem mantinha contato constante durante o percurso. Para evitar o Rio de Janeiro, ela optou por um trajeto alternativo, passando pela Estrada do Aço, em Minas Gerais, e por Além Paraíba, na Zona da Mata, antes de chegar à Rodovia ES-297, onde o acidente ocorreu.

Durante o caminho, Mariani fez uma parada especial com Chopp no Santuário de Aparecida, onde tirou fotos e compartilhou a alegria da viagem. Essa parada, segundo a família, indicava que ela chegaria um pouco mais tarde do que o previsto. A família monitorava a viagem de perto, com Mariani fazendo videochamadas com a mãe e enviando sua localização em tempo real para que os parentes pudessem acompanhar seu trajeto. A última comunicação foi um momento de alegria antes da terrível notícia que a polícia traria pouco depois.

O percurso monitorado pela família

O tio de Mariani, Romeu Gambarini, relatou a ansiedade e a alegria da sobrinha em reencontrar a família. “Ela manteve contato com a gente a viagem inteira. Fez videochamada com a mãe e mandou a localização para a gente acompanhar, monitorar e saber onde ela estava durante todo o trajeto”, explicou. Infelizmente, a alegria da expectativa foi substituída pela dor da perda quando a ligação da polícia informou sobre o acidente. O corpo de Mariani Gambarini Vassoler foi enterrado no sábado (20), em Iriri, deixando familiares e amigos em luto e à espera de respostas.

Perspectivas futuras e segurança no trânsito

A tragédia que vitimou a engenheira Mariani Gambarini Vassoler em Mimoso do Sul é um lembrete contundente dos perigos inerentes ao trânsito e da importância da segurança veicular. A Polícia Civil continua a trabalhar diligentemente para consolidar todas as provas, aguardando os laudos periciais que serão decisivos para determinar a causa exata da morte e as circunstâncias que levaram ao acidente. O desfecho desta investigação não apenas trará clareza para a família de Mariani, mas também poderá reforçar a conscientização sobre a necessidade de transportar objetos e animais de estimação de forma segura, minimizando riscos em situações inesperadas.

Perguntas Frequentes

Quem era Mariani Gambarini Vassoler e onde ocorreu o acidente?
Mariani Gambarini Vassoler era uma engenheira de 31 anos, moradora de Sorocaba (SP), que faleceu em um acidente de trânsito na rodovia ES-297, em Mimoso do Sul (ES), enquanto viajava para passar o Natal com a família em Iriri.

Qual a principal suspeita que a polícia investiga sobre a causa da morte?
A Polícia Civil investiga se uma prancha de surfe, transportada solta dentro do carro de Mariani, pode ter provocado ou agravado lesões fatais na cabeça da engenheira durante a colisão.

Por que é perigoso transportar objetos soltos no carro?
Objetos soltos no interior do veículo podem se transformar em projéteis perigosos em caso de acidente, freadas bruscas ou impactos, causando lesões graves aos ocupantes, mesmo em acidentes considerados simples. A recomendação é transportá-los no porta-malas ou em racks externos apropriados.

O que aconteceu com o cachorro de Mariani após o acidente?
O cachorro de Mariani, Chopp, sobreviveu ao acidente e permaneceu ao lado de sua tutora até a chegada do socorro. Posteriormente, foi resgatado por familiares e ficará sob os cuidados da família no Espírito Santo.

Para mais informações sobre segurança no trânsito e atualizações sobre este caso, acompanhe nossa cobertura e nossas redes sociais.

Fonte: https://g1.globo.com

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