Lula alerta para instabilidade na américa latina e intervencionismo

 Lula alerta para instabilidade na américa latina e intervencionismo

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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Em um discurso enfático em defesa do multilateralismo, o presidente Lula recebeu, nesta segunda-feira, as cartas credenciais de 28 novos embaixadores no Palácio do Itamaraty, em Brasília. O evento solene foi palco para o mandatário expressar sua crescente preocupação com a instabilidade que paira sobre a América Latina e com a influência de intervenções estrangeiras na região.

“Na América Latina e Caribe, vivemos um momento de crescente polarização e instabilidade”, declarou Lula. “Manter a região como zona de paz é nossa prioridade. Somos um continente livre de armas de destruição em massa, sem conflitos étnicos ou religiosos. Intervenções estrangeiras podem causar danos maiores do que o que se pretende evitar.”

A declaração, embora sem citações diretas, surge em um contexto de apreensão em relação à movimentação de navios e submarinos dos Estados Unidos na costa da Venezuela. A preocupação com a presença militar estadunidense no Caribe já havia sido manifestada pelo Brasil e outros 20 países da América Latina há cerca de um mês.

Lula aproveitou a presença dos representantes estrangeiros para ressaltar a importância da COP 30, que será realizada em Belém do Pará. Segundo o presidente, a conferência do clima será um marco “decisivo para o futuro da humanidade” e cobrou dos países, especialmente aqueles que ainda não o fizeram, o envio de suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) para a redução de emissões de carbono.

“Muitos países ainda precisam apresentar as suas NDCs”, enfatizou. “A noção de justiça climática também será crucial. Isso implica em apostar em ações comprometidas com o combate à fome e às desigualdades socioambientais. É preciso um compromisso real de financiamento por parte dos países que mais poluíram ao longo dos últimos 200 anos.”

Ao dar as boas-vindas aos novos embaixadores, Lula reafirmou a prioridade de seu governo em “levar o Brasil de volta à cena internacional”. Ele mencionou o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, com expectativa de assinatura durante a Cúpula do Mercosul em dezembro, no Brasil.

“Nessa ocasião, pretendo cumprir mais uma promessa que é a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, que já espera por mais de 20 anos. As relações com a Europa seguem estratégicas. O acordo é um símbolo contra o recrudescimento do protecionismo. Estamos criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo mais de 700 milhões de pessoas e um PIB de mais de 22 trilhões de dólares.”

Ao concluir seu discurso no Itamaraty, o presidente garantiu aos embaixadores que eles serão “bem tratados e terão atenção”, reforçando a mensagem de que é preciso “fortalecer o multilateralismo”, baseado na “boa relação cordial, comercial, econômica e, sobretudo, pacífica — sem ódio, sem negacionismo e sem ferir o princípio básico da democracia e dos direitos humanos”.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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