Lei sobre cultura afro-brasileira completa duas décadas com desafios

 Lei sobre cultura afro-brasileira completa duas décadas com desafios

© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

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Há 22 anos, a legislação que estabeleceu a obrigatoriedade do ensino da história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas brasileiras foi sancionada. A lei, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), visava incluir a temática no currículo oficial e instituiu o dia 20 de novembro como o Dia Nacional da Consciência Negra.

De acordo com o professor de pedagogia da Unilab, Evaldo Ribeiro, a efetivação da lei requer sua aplicação contínua, desde o primeiro dia do ano letivo. Para ele, a legislação representa um instrumento vital na luta contra a discriminação racial no país, transformando o cenário da educação brasileira ao longo de duas décadas.

A lei também abriu caminhos para a adoção de uma postura antirracista, incentivando programas que valorizem a produção e o conhecimento acadêmico de estudantes negros, além da publicação de livros didáticos e obras literárias que apresentem o negro como protagonista.

O professor Evaldo Ribeiro ressalta a necessidade de descolonizar os currículos escolares, argumentando que a população negra é frequentemente negligenciada nos conteúdos tradicionais. Ele defende uma revisão curricular que contemple a história e a cultura afro-brasileira de forma abrangente e representativa.

Dados recentes do Censo Demográfico indicam uma sutil mudança no panorama da percepção racial no Brasil. A proporção de pessoas que se declaram brancas diminuiu de 46,3% para 43%, enquanto o número de pessoas que se autodeclaram pretas aumentou de 7,4% para 9,1%. Apesar desses indicadores, o racismo estrutural e a necessidade de implementar plenamente a lei que garante o ensino da cultura afro-brasileira continuam sendo desafios urgentes no país.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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