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Iphan tomba a antiga sede do dops no rio de janeiro
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
A antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), localizada no coração do Rio de Janeiro, foi oficialmente tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A decisão, anunciada nesta quarta-feira, leva em consideração tanto o valor arquitetônico do imóvel quanto sua importância histórica como palco de repressão política e tortura.
O edifício, construído em estilo eclético com inspiração francesa, testemunhou momentos sombrios da história do país, servindo como centro de operações durante diferentes regimes. O tombamento visa preservar a memória dessas práticas e transformar o local em um memorial dedicado às vítimas, atendendo a uma antiga reivindicação de movimentos sociais e do Ministério Público Federal (MPF).
O processo de tombamento teve início em 2001, impulsionado pela Associação de Amigos do Museu da Polícia Civil, com o objetivo inicial de proteger o valor arquitetônico do prédio. No entanto, o pedido ganhou força em 2025, quando o Iphan, acionado pelo MPF e com o apoio de diversas organizações da sociedade civil, concluiu o processo. As entidades consideram o prédio um símbolo da violência estatal.
A decisão do Iphan surge logo após a prisão de dois generais condenados por tentativa de golpe de Estado em 2023, o que confere à medida um significado simbólico ainda maior.
Para ex-presos políticos, como Cecília Coimbra, uma das fundadoras do Grupo Tortura Nunca Mais, o tombamento representa um passo importante para a construção de uma política efetiva de memória. Durante os anos de repressão, diversas figuras importantes da história brasileira passaram pelo Dops, incluindo Nise da Silveira, Abdias Nascimento e Olga Benário.
O diretor do Iphan, Andrey Schlee, destacou a importância de homenagear os historiadores que sofreram durante a ditadura e que dedicaram suas vidas a denunciar as violências testemunhadas no local. O historiador José Ricardo Oriá Fernandes, relator do processo, ressaltou que o tombamento atende a determinações do MPF e da Comissão da Verdade, promovendo os direitos humanos e combatendo discursos negacionistas.
Além do Dops, outros locais utilizados pela ditadura militar também estão sendo considerados para tombamento, como o Doi-codi, também no Rio de Janeiro, a Casa da Morte, em Petrópolis (RJ), e o Casarão 600, em Porto Alegre.
O palacete do Dops, construído para abrigar a Polícia Federal, possuía tecnologias de vigilância avançadas para a época, incluindo isolamento acústico e estrutura panóptica. Apesar de seus detalhes ornamentais, como molduras decoradas, vitrais e uma cúpula cilíndrica, o edifício sofreu com a falta de conservação após a transferência da capital para Brasília.
O prédio, que já abrigou o embrião do Museu da Polícia Civil, também foi palco do resgate do acervo da Coleção Nosso Sagrado, composto por objetos de religiões de matriz africana apreendidos pela polícia entre 1889 e 1964.
Com o tombamento, o prédio do Dops passa a integrar um conjunto de bens destinados a preservar a memória das lutas em defesa da democracia. O imóvel não poderá ser alterado, devendo ser restaurado e gerido pelo governo federal em conjunto com a sociedade civil, conforme recomendação do Iphan. O presidente do órgão, Leandro Grass, afirmou que o tombamento preserva a memória dos anos de ditadura e repara as vítimas.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br