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Igreja católica lenta em ajudar vítimas de abuso, aponta relatório
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Um relatório anual divulgado nesta quinta-feira pela Comissão de Proteção à Criança do Vaticano critica a alta hierarquia da Igreja Católica pela lentidão em fornecer apoio às vítimas de abuso sexual cometido por membros do clero e na implementação de novas medidas de proteção em escala global.
A Igreja, com seus 1,4 bilhão de fiéis, tem sido abalada por décadas por escândalos de abuso e acobertamento em diversos países, o que afetou sua credibilidade e resultou no pagamento de centenas de milhões de dólares em indenizações.
O relatório critica os líderes da Igreja por não informarem as vítimas sobre o andamento de suas denúncias de abuso e se bispos negligentes foram punidos. Além disso, a comissão alega que seus próprios pedidos de informações sobre os protocolos de proteção nem sempre foram atendidos, e que a Igreja não forneceu todos os detalhes solicitados.
“Em muitos casos, as vítimas relatam que a Igreja respondeu com acordos vazios, gestos performativos e uma recusa persistente de se envolver com as vítimas de boa fé”, afirma o relatório.
A comissão do Vaticano, estabelecida pelo papa Francisco em 2014, já enfrentou diversas renúncias de membros ao longo dos anos e só publicou seu primeiro relatório anual no ano passado. O novo documento, com 103 páginas, é o mais extenso produzido pela comissão até o momento e critica a liderança da Igreja, sem mencionar nomes específicos.
O tema central do relatório é a reparação às vítimas de abuso, mas também avalia os esforços de proteção da Igreja em 22 países e em um importante departamento do Vaticano: o Dicastério para a Evangelização, responsável por supervisionar as operações da Igreja na maioria das nações em desenvolvimento.
O relatório aponta que o dicastério possui apenas um funcionário encarregado de lidar com questões de proteção. A falta de clareza na divisão de tarefas em casos de abuso, com outros departamentos do Vaticano, “pode criar confusão e atrasos no início das investigações e no tratamento das queixas”.
Entre os países avaliados no relatório está a Itália, um reduto católico que tem demorado a lidar com o abuso por parte do clero. O documento critica os bispos italianos por não colaborarem estreitamente com a comissão do Vaticano, destacando que apenas 81 das 226 dioceses católicas da Itália responderam a um questionário sobre práticas de proteção. Em contraste, a Coreia do Sul apresentou uma taxa de participação de 100%.
A comissão antiabuso é a primeira do gênero na Igreja Católica. O Papa Francisco, que faleceu em abril, priorizou o combate ao abuso por parte do clero durante seu papado de 12 anos, com resultados variáveis.
O Papa Leão XIV, eleito em maio para suceder Francisco, já se reuniu diversas vezes com os membros da comissão e nomeou um novo presidente para o grupo, um arcebispo francês, em julho.
Uma das principais iniciativas de Francisco foi a criação de um sistema global para que católicos denunciem suspeitas de abuso ou acobertamento por parte de bispos. Sobreviventes e defensores das vítimas têm pedido ações adicionais, incluindo uma política global de tolerância zero para padres acusados de abuso.
O relatório desta quinta-feira critica o Vaticano pela falta de transparência sobre quando bispos são removidos do cargo por questões relacionadas a abuso ou acobertamento. O Vaticano raramente divulga os motivos para a remoção de um bispo, mesmo em casos envolvendo abuso, optando por informar que o papa aceitou a renúncia do bispo.
“A falta de responsabilidade dos líderes da Igreja foi uma questão frequentemente levantada pelas vítimas”, diz o relatório. “A comissão enfatiza a importância de comunicar publicamente os motivos da renúncia e/ou remoção, quando a decisão estiver relacionada a casos de abuso ou negligência.”
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br