Folia de Reis no Museu Vassouras celebra a tradição do Vale do Café

 Folia de Reis no Museu Vassouras celebra a tradição do Vale do Café

© Lourenço Parente/Divulgação

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O Museu Vassouras, situado no coração do Vale do Café, no estado do Rio de Janeiro, recentemente se transformou em palco vibrante para a secular Folia de Reis, um dos mais importantes pilares da cultura popular brasileira. Nos dias 3 e 4 de janeiro, o espaço acolheu cortejos, cantos, bandeiras ricamente bordadas e passos que ressoam séculos de devoção e fé. Este encontro singular não apenas celebrou a riqueza do folclore local, mas também reforçou o compromisso da instituição com a salvaguarda e a valorização dos saberes populares, bem como das expressões culturais que forjam a identidade multifacetada da região. A iniciativa destacou a relevância de manter viva uma tradição passada de geração em geração, conectando o presente ao legado histórico e cultural de Vassouras.

O resgate da Folia de Reis em Vassouras

A Folia de Reis, manifestação cultural e religiosa que celebra a jornada dos Reis Magos até o presépio, encontrou no Museu Vassouras um espaço ideal para sua reafirmação. Longe de ser apenas um espetáculo, o evento constitui um verdadeiro resgate e uma homenagem à cultura ancestral do Vale do Café. O museu, ao abrir suas portas para a Folia, não apenas sediou um evento, mas também se posicionou como um guardião da memória e um incentivador da continuidade de tradições que são a espinha dorsal da identidade local. A atmosfera foi preenchida com a sonoridade de violas e pandeiros, o brilho das bandeiras e a emoção dos cânticos, transportando os presentes para uma experiência imersiva na cultura popular.

Um evento simbólico e cultural

Receber as Folias de Reis no Museu Vassouras transcendeu a mera organização de um evento; representou um gesto simbólico profundo. A diretora artística da instituição, Catarina Duncan, destacou a importância dessa iniciativa. “Aqui, testemunhamos a valorização do sagrado, da cultura intrínseca ao território do Vale do Café e, acima de tudo, das pessoas que dedicam suas vidas a manter viva essa tradição tão especial”, afirmou Duncan. Ela sublinhou que a programação permitiu aos visitantes a oportunidade de não só apreciar duas importantes folias da região, mas também de participar ativamente de atividades educativas e de uma roda de poesia e rima. Essa abordagem multidisciplinar visou aprofundar a conexão do público com a Folia de Reis, tornando-a uma experiência educativa e sensorial completa. A presença das Folias no museu enfatizou o valor inestimável do patrimônio imaterial e a necessidade de espaços que fomentem a sua perpetuação, fortalecendo a rede de cultura e memória do estado do Rio de Janeiro.

Programação detalhada e vivências

A programação do evento foi cuidadosamente elaborada para oferecer uma imersão completa na Folia de Reis, abrangendo desde os cortejos tradicionais até atividades que incentivaram a participação e a criatividade do público. A agenda foi distribuída ao longo dos dois dias, garantindo que diversas facetas da tradição fossem exploradas e compartilhadas com visitantes de todas as idades, reforçando a transmissão cultural de forma dinâmica e interativa.

Cortejos, cantos e devoção

No sábado, 3 de janeiro, a partir das 16h, o museu foi palco do vibrante cortejo da Jornada Jardim do Éden. Conduzida com maestria pela Mestra Rita de Cássia, o grupo desfilou pelos espaços do museu, encantando os presentes com seus cantos tradicionais, acompanhados pelo som envolvente de violas e pandeiros. A bandeira, ricamente ornamentada e portadora de profundo simbolismo, guiava a jornada, representando a fé e a união dos foliões. Em seguida, às 17h, foi a vez da Jornada Descendentes de Davi, liderada pelos Mestres Tiago Meirelles e Lelê, dar continuidade ao cortejo. Este momento foi particularmente significativo, pois demonstrou a força coletiva da tradição e a harmoniosa convivência entre diferentes gerações de foliões, que juntos celebram e perpetuam os ensinamentos e a devoção da Folia de Reis. A sequência dos cortejos permitiu uma vivência contínua e aprofundada da manifestação, com cada grupo trazendo sua particularidade e energia.

Transmissão de saberes e criatividade

A programação seguiu no domingo, 4 de janeiro, com atividades que visaram ampliar o encontro entre público e tradição. Das 10h às 12h, o Educativo do Museu Vassouras promoveu a Oficina de Bandeiras de Folia. Aberta a visitantes de todas as idades, a oficina focou na bandeira, elemento central e sagrado das jornadas. A bandeira, que concentra símbolos religiosos, histórias familiares e marcas do território, foi o ponto de partida para a criação coletiva. A proposta da oficina era estimular a imaginação e a expressão, utilizando materiais diversos e promovendo uma rica troca de saberes. A atividade conectou o fazer manual às memórias e à cultura do Vale do Café, permitindo que cada participante criasse sua própria representação e entendesse a profundidade simbólica por trás de cada bordado e cor.

A força da palavra e da poesia

O encerramento do evento, às 16h do domingo, foi marcado pela Roda de Poesias dos Soldados da Divina Irmandade do Oriente. Neste momento, a palavra falada se uniu à música e ao gesto, ampliando ainda mais a experiência sensível da folia. A roda de poesia reforçou o caráter de transmissão oral e comunitária da Folia de Reis, onde narrativas, rimas e improvisos carregam a história, a fé e os valores de uma comunidade. Foi um momento de profunda conexão, onde a arte da palavra cantada e declamada celebrou a essência da tradição, mostrando como a poesia é um veículo poderoso para a manutenção da memória e da identidade cultural do Vale do Café. A combinação de elementos visuais, sonoros e performáticos criou uma experiência holística e memorável para todos os presentes.

Impacto e relevância para o Vale do Café

O encontro de Folias de Reis no Museu Vassouras transcendeu os dias de sua realização, deixando um legado duradouro para a comunidade e para o cenário cultural do Vale do Café. Ao integrar cortejos vibrantes, educação patrimonial e a riqueza da poesia, o evento reafirmou o papel fundamental do museu não apenas como um repositório de artefatos históricos, mas como um espaço dinâmico e vivo de escuta e circulação de culturas. Essa abordagem fortalece os vínculos com as comunidades locais, reconhecendo a potência das manifestações populares que, incansavelmente, continuam a escrever a história de Vassouras e do interior fluminense.

Diálogo entre gerações e comunidade

A Folia de Reis, por sua natureza coletiva e de transmissão oral, é um poderoso elo entre gerações. A participação de mestres experientes ao lado de jovens foliões nas jornadas Jardim do Éden e Descendentes de Davi, bem como a oficina de bandeiras que uniu crianças, jovens e adultos, demonstraram na prática essa vital troca de saberes. O evento promoveu um diálogo contínuo entre o passado e o presente, garantindo que as ricas narrativas, os cantos e os rituais da Folia de Reis não se percam no tempo, mas sejam revitalizados e adaptados por novas vozes e olhares. Esse intercâmbio é crucial para a vitalidade da tradição e para o sentimento de pertencimento da comunidade.

A arte contemporânea encontra a tradição

Além da programação intensamente dedicada à Folia de Reis, o Museu Vassouras integrou um elemento surpreendente: a visita especial do artista Pandro Nobã em torno de suas obras “Ao longe” e “Céu na Terra”. Essas obras, que fazem parte do eixo “Vapor” da exposição “Chegança”, foram apresentadas em um contexto que permitiu um diálogo inovador entre a arte contemporânea e a tradição ancestral da Folia de Reis. Essa integração ressaltou a capacidade do museu de ser um espaço plural, capaz de abrigar e conectar diferentes manifestações artísticas e culturais, mostrando que a tradição não é estática, mas pode ser reinterpretada e enriquecida por novas perspectivas, ampliando o entendimento sobre a identidade cultural do Vale do Café.

Conclusão

O evento da Folia de Reis no Museu Vassouras, realizado nos dias 3 e 4 de janeiro, foi um sucesso retumbante, que sublinhou a riqueza e a resiliência da cultura popular brasileira. Ao reunir devoção, arte, educação e a participação ativa da comunidade, o museu não apenas celebrou uma tradição milenar, mas também reforçou seu papel essencial como um centro vivo de cultura e memória. A iniciativa demonstrou a capacidade de revitalizar e perpetuar saberes ancestrais, garantindo que a Folia de Reis continue a ser um elo vital entre as gerações e um pilar da identidade do Vale do Café, inspirando a valorização contínua de suas manifestações culturais.

FAQ

O que é a Folia de Reis?
A Folia de Reis é uma manifestação cultural e religiosa popular brasileira que celebra a visita dos três Reis Magos ao menino Jesus, após seu nascimento. Realizada principalmente entre o Natal e o Dia de Reis (6 de janeiro), envolve cortejos com cantos, instrumentos musicais, danças e personagens característicos, percorrendo casas e recebendo doações.

Qual foi o principal objetivo do evento no Museu Vassouras?
O principal objetivo do evento foi reafirmar a tradição da Folia de Reis no Vale do Café, valorizando os saberes populares e as expressões culturais que moldam a identidade da região. O Museu Vassouras buscou ser um espaço de resgate, celebração e transmissão intergeracional dessa manifestação cultural.

Que tipos de atividades foram oferecidas durante o evento?
A programação incluiu cortejos de duas jornadas de Folia de Reis (“Jardim do Éden” e “Descendentes de Davi”), uma Oficina de Bandeiras de Folia para todas as idades e uma Roda de Poesias com os “Soldados da Divina Irmandade do Oriente”, além da integração de obras de arte contemporânea do artista Pandro Nobã.

Convidamos a todos a continuar explorando e apoiando as ricas manifestações culturais do Vale do Café, mantendo viva a chama da tradição e da arte em nossa região.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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