Nações do Atlântico Sul fortalecem compromisso por paz e desenvolvimento sustentável
Feminicídio em São Bernardo: homem envia nudes e ameaça Antes de matar
G1
Uma tragédia chocou São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, com o brutal feminicídio de Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, dentro da joalheria onde trabalhava, no Shopping Golden Square. O crime, cometido por seu ex-namorado, Cássio Henrique da Silva Zampieri, de 25, na última quarta-feira (25), é o ápice de uma série de violências e ameaças que a jovem vinha sofrendo há quase um ano. Antes do assassinato, Cássio enviou fotos íntimas de Cibelle para a loja e a perseguiu intensamente, por meio de redes sociais e mensagens, evidenciando uma obsessão perigosa que culminou na perda da vida de Cibelle, apesar de a vítima possuir uma medida protetiva.
A escalada da violência e a perseguição incessante
Histórico de ameaças e o rompimento
O relacionamento de cinco anos entre Cibelle Monteiro Alves e Cássio Henrique da Silva Zampieri chegou ao fim há quase um ano, em um rompimento que Cássio nunca aceitou. Desde então, a vida de Cibelle transformou-se em um calvário de perseguição e intimidação. Cássio não apenas se recusava a aceitar o término, mas também demonstrava intensa irritação ao descobrir que a jovem seguia em frente e estava com outra pessoa. A obsessão do agressor manifestava-se através de diversas formas de ameaça, incluindo o envio de fotos nuas de Cibelle para o grupo de WhatsApp da loja Vivara, onde ela trabalhava, e para outros colegas.
As ameaças não se limitavam ao ambiente profissional; elas se estendiam por todas as plataformas de comunicação. Mensagens por WhatsApp e até mesmo por PIX eram utilizadas por Cássio para aterrorizar Cibelle. Em uma das trocas de mensagens, Cibelle expressou claramente seu desejo de distância: “Eu não quero mais contato com você”. A resposta de Cássio revelava sua natureza controladora e perigosa: “Problema teu. Quem decide isso não é só você. E eu já falei”. Em outras mensagens de teor ainda mais agressivo, Cássio escreveu: “Que morra mesmo. Eu quero é que se f. Já iria resolver parte dos meus problemas. Era a terra te comendo e eu comendo as vagabundas aqui. E você sentando no colo do capeta lá embaixo”. A situação era tão grave que Cibelle registrou diversos boletins de ocorrência por violência doméstica contra o ex-namorado. Ela chegou a relatar a amigas o medo constante que sentia: “Meu ex tá na portaria da minha casa, mano”, escreveu. “Parece cena de filme de terror. É sério. Se ele tivesse entrado, eu já tinha era morrido. Isso sim. Liguei pra polícia. Eu tô com medo de verdade”.
A falta de eficácia da medida protetiva
Apesar dos registros policiais e da gravidade das ameaças, a Justiça havia concedido a Cibelle uma medida protetiva, com o objetivo de impedir que Cássio se aproximasse dela. No entanto, o documento, que deveria garantir sua segurança, mostrou-se ineficaz diante da persistência e da obsessão do agressor. Cibelle, consciente da fragilidade de sua proteção, desabafou em um áudio enviado a uma amiga: “A medida só funciona se ele for pego em flagrante. Ele precisa me bater pra acontecer alguma coisa”. Essa declaração trágica revela a percepção de muitas vítimas sobre a insuficiência das medidas legais quando confrontadas com a violência obstinada de seus agressores. Cássio ignorou completamente a ordem judicial, continuando a persegui-la e a ameaçá-la, culminando no desfecho fatal que a jovem tanto temia.
O ataque fatal e a detenção do agressor
O crime na joalheria Vivara
O cenário do crime foi a joalheria Vivara, onde Cibelle trabalhava. Cássio Henrique da Silva Zampieri adentrou o estabelecimento portando uma faca e uma arma falsa, ambas ocultas em sua mochila. Ao se deparar com o agressor, Cibelle tentou desesperadamente fugir, mas foi impiedosamente perseguida e esfaqueada diversas vezes, com ferimentos concentrados na região do pescoço. A violência do ataque deflagrou pânico entre as funcionárias e os clientes presentes, que correram em busca de segurança.
A intervenção policial e a prisão de Cássio
A polícia foi acionada e rapidamente chegou ao local. Os agentes tentaram conter Cássio, que se recusava a se entregar e apontava a arma, que, naquele momento, ainda não se sabia ser uma réplica. Diante da ameaça iminente e da recusa do agressor em se render, os policiais reagiram, atirando em sua perna para imobilizá-lo. Testemunhas filmaram os momentos de tensão, a negociação e os disparos dentro da joalheria. Cássio foi internado e permanece sob escolta policial em um hospital, com estado de saúde estável. A Justiça já decretou sua prisão preventiva. Pouco depois de assassinar Cibelle, Cássio enviou vídeos e áudios para seus familiares, nos quais confessava o crime e expressava intenção de se suicidar: “Eu matei a Cibele. E eu vou morrer agora. Eu vou me matar”, afirmou em uma das gravações, cercado pelos policiais. “Me segurei ao máximo pra não fazer… eu matei a Cibelle.” Outra gravação demonstra a premeditação do crime: “Eu tô dentro da loja. O único jeito agora é eles me matar. Eu tô com a peça, eles não sabem . Eu vou morrer, irmão”, disse ele. O caso está sob investigação do 2º Distrito Policial (DP) de São Bernardo, e Cássio será transferido para um Centro de Detenção Provisória (CDP) assim que receber alta médica.
Repercussão e luto
O impacto na comunidade e apoio às vítimas
O feminicídio de Cibelle Monteiro Alves no Shopping Golden Square gerou grande comoção e levantou novamente o debate sobre a violência de gênero no Brasil. A morte da jovem, após meses de perseguição e ameaças ignoradas pela medida protetiva, ressalta a urgência de aprimorar mecanismos de proteção às vítimas e de conscientização sobre os sinais de relacionamentos abusivos. Em notas oficiais, tanto o Shopping Golden Square quanto a joalheria Vivara lamentaram profundamente a morte de Cibelle e informaram que estão prestando todo o apoio necessário à família enlutada da funcionária. O caso serve como um trágico lembrete da persistência da violência contra a mulher e da necessidade de uma resposta mais eficaz da sociedade e do sistema de justiça.
Perguntas frequentes sobre o caso
P1: O que é feminicídio e como se aplica a este caso?
Feminicídio é o assassinato de uma mulher cometido por razões da condição de sexo feminino, ou seja, quando o crime envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo/discriminação à condição de mulher. No caso de Cibelle, configura-se como feminicídio devido ao histórico de violência doméstica, perseguição e ameaças por parte do ex-namorado, Cássio, que não aceitava o fim do relacionamento.
P2: Quais eram as ameaças que Cibelle sofria antes do crime?
Cibelle sofria uma intensa perseguição que incluía o envio de fotos íntimas para o local de trabalho dela, ameaças de morte explícitas por redes sociais e mensagens de texto, inclusive por PIX. Cássio chegou a ir até a portaria da casa de Cibelle, demonstrando a gravidade da obsessão.
P3: Cássio Henrique da Silva Zampieri foi preso? Qual seu estado de saúde?
Sim, Cássio foi detido e baleado na perna pela polícia durante a intervenção no shopping. Ele está internado sob escolta policial, com estado de saúde estável, e a Justiça decretou sua prisão preventiva. Após receber alta, será transferido para um Centro de Detenção Provisória.
P4: Onde e quando ocorreu o feminicídio de Cibelle Monteiro Alves?
O feminicídio de Cibelle Monteiro Alves ocorreu na última quarta-feira (25) na joalheria Vivara, localizada dentro do Shopping Golden Square, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.
Se você ou alguém que conhece está sofrendo violência doméstica, não hesite em buscar ajuda. Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou procure uma delegacia especializada. Sua vida importa.
Fonte: https://g1.globo.com