Silas Malafaia se torna réu por injúria contra general do Exército
Especialistas criticam lógica do combate armado para enfrentar facções
© Tomaz Silva/Agência Brasil
Combate armado a facções não soluciona problema no Rio, apontam especialistas.
A insistência em confrontos armados como principal estratégia contra o crime organizado no Rio de Janeiro tem se mostrado ineficaz e contraproducente, resultando apenas em um aumento do número de mortes, conforme análise de especialistas. O sociólogo José Cláudio Souza Alves, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, com mais de três décadas de estudo sobre grupos de extermínio, milícias e tráfico, argumenta que essa abordagem bélica não apresenta resultados positivos.
Alves critica a simplificação do problema como uma mera dicotomia entre “bem contra o mal” ou “polícia contra bandido”, afirmando que essa visão superficial apenas alimenta a atenção midiática em torno das mortes e confrontos, sem abordar as causas profundas da criminalidade.
O sociólogo enfatiza a necessidade de um debate mais aprofundado sobre a complexidade do universo criminal, criticando a busca por projeção política e econômica através da exploração midiática da violência. Ele questiona a falta de direcionamento e a repetição de erros nas estratégias de segurança pública.
Para Alves, o cerne do problema reside na estrutura da segurança pública, que necessita de novas abordagens para interceptar, investigar, rastrear o fluxo financeiro e prender os envolvidos no crime. Além disso, ele ressalta a importância de oferecer alternativas reais de emprego e educação para a população vulnerável, frequentemente aliciada por grupos criminosos. O especialista defende a implementação de um projeto de segurança pública inovador, que nunca foi efetivamente aplicado na região, citando o exemplo da operação no Complexo do Alemão em 2010, cujos resultados não impediram a repetição de cenas semelhantes nos anos seguintes.
O advogado criminalista e pós-doutor em Direitos Humanos, Antônio Gonçalves, compartilha dessa visão crítica, apontando o fracasso de operações policiais com alta letalidade, mesmo após a implementação da ADPF das Favelas pelo STF, que visava reduzir a violência policial no Rio.
Gonçalves questiona o sucesso de operações que resultam em um grande número de mortos, argumentando que isso demonstra uma falta de respeito pela população e uma perpetuação da violência como principal ferramenta do governo estadual. Ele defende a necessidade de focar na investigação financeira das organizações criminosas, visando cortar seus lucros em vez de priorizar o confronto armado.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br