Desmistificando a Radiação em Exames de Imagem: Especialista Esclarece Dúvidas e Riscos Reais

 Desmistificando a Radiação em Exames de Imagem: Especialista Esclarece Dúvidas e Riscos Reais

Agência Brasil

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A solicitação de exames de imagem por profissionais de saúde frequentemente levanta uma série de questionamentos e apreensões na população, especialmente em relação aos potenciais efeitos da radiação. Muitos pacientes admitem sentir receio, enquanto outros não conseguem identificar claramente quais são os riscos associados. Essa incerteza gera dúvidas que podem, inclusive, impactar a adesão a tratamentos e diagnósticos cruciais. Para lançar luz sobre essas preocupações, o médico radiologista João Rafael Carneiro detalha a utilização da radiação em procedimentos de imagem, distinguindo os métodos e esclarecendo os parâmetros de segurança.

O Universo de Dúvidas: A Preocupação dos Pacientes

A apreensão em torno da radiação é um sentimento comum. Cidadãos como a aposentada Marise Santana expressam preocupação com a frequência dos exames, admitindo desconhecer a dimensão exata dos riscos envolvidos. Similarmente, a cozinheira Ana Pereira compartilha a inquietação, citando especificamente exames como a mamografia, que, segundo informações que circulam, estariam associados a altas doses de radiação prejudiciais ao organismo. Já Taiana Bonfim, recicladora, revela que seu temor surgiu após ter contato com diversas informações e matérias que relacionam a exposição à radiação, mesmo em exames diagnósticos, ao desenvolvimento de condições graves de saúde, como o câncer.

Desvendando os Métodos: Radiação Ionizante e Não Ionizante

Para dissipar os mitos, o Dr. João Rafael Carneiro esclarece que nem todos os exames de imagem utilizam radiação ionizante. Enquanto a radiografia (raio-X), a tomografia computadorizada e a mamografia empregam essa forma de energia, a ultrassonografia e a ressonância magnética funcionam com princípios físicos distintos, não utilizando radiação ionizante. O médico ressalta o marco histórico que a radiografia representou, ao permitir a visualização interna do corpo sem a necessidade de cirurgias invasivas para um diagnóstico preciso. Com a evolução da tecnologia, surgiram métodos cada vez mais sofisticados, alguns com radiação e outros sem, todos contribuindo para diagnósticos mais assertivos e menos invasivos.

A Segurança da Exposição: Protocolos e Limites de Dose

O radiologista enfatiza que a avaliação da exposição à radiação é realizada caso a caso, seguindo rigorosos protocolos de segurança internacionais. Embora a radiação ionizante, de fato, possa causar danos à saúde humana, incluindo o risco de câncer, isso ocorre apenas sob condições de exposição a doses elevadas e contínuas. A prática médica atual garante que as doses utilizadas em exames diagnósticos de rotina sejam mínimas e extremamente controladas, não se enquadrando nos patamares que representariam um perigo significativo.

Desmistificando os Números da Exposição

Para ilustrar a segurança, o Dr. Carneiro apresenta exemplos práticos. Uma dose anual considerada segura para a população é, em média, de 50 milisieverts (mSv). Em contrapartida, uma tomografia de abdômen expõe o paciente a menos de 10 mSv, o que significa que seriam necessárias, no mínimo, cinco tomografias do tipo em um ano para sequer se aproximar do limite seguro. No caso da mamografia, a dose média é de apenas 0,4 mSv, demandando mais de 100 exames ao longo de um ano para alcançar o mesmo patamar. Similarmente, mais de uma centena de radiografias seriam necessárias anualmente. Esses dados demonstram que, ocasionalmente, um paciente realizar um exame de imagem com radiação é uma prática médica amplamente reconhecida como totalmente segura e benéfica.

O Verdadeiro Risco: A Postergação do Diagnóstico

O especialista alerta para o que considera o maior risco para a saúde do paciente: o adiamento ou a recusa em realizar um exame de imagem necessário devido a temores infundados. Deixar de buscar um diagnóstico precoce pode resultar na perda da melhor janela de oportunidade para um tratamento eficaz. Em diversas condições de saúde, a detecção em estágios iniciais é determinante para o prognóstico e para o sucesso da intervenção terapêutica. A recomendação, portanto, é sempre procurar um médico capacitado e com conhecimento para indicar o exame mais assertivo, baseando-se em evidências científicas e na real necessidade clínica.

Em suma, embora a preocupação com a radiação em exames de imagem seja compreensível, as evidências científicas e os rigorosos protocolos de segurança indicam que o risco associado a exames diagnósticos bem indicados é mínimo. O foco deve ser na busca por diagnósticos precisos e precoces, que são essenciais para a manutenção da saúde e para o sucesso de tratamentos, sempre sob a orientação de profissionais qualificados.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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