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Decifrando os Rótulos: A Diferença Crucial entre Alimentos Processados e Ultraprocessados
Divulgação/Governo de São Paulo
No universo da alimentação moderna, a proliferação de produtos industrializados nos supermercados muitas vezes gera confusão. Perguntas como 'alimento processado é o mesmo que alimento industrializado?' ou 'como identificar um ultraprocessado?' são comuns entre consumidores que buscam escolhas mais saudáveis. A chave para desvendar esses dilemas reside na compreensão do grau e do propósito do processamento de cada item. Entender a metodologia de classificação dos alimentos não apenas elucida as diferenças, mas também capacita o indivíduo a tomar decisões alimentares mais conscientes e alinhadas com o bem-estar.
A Classificação dos Alimentos: Do In Natura ao Industrializado
É fundamental reconhecer que nem todo alimento que passa por uma indústria é inerentemente prejudicial. Conforme explica a nutricionista Nadine Marques, doutora em Saúde Pública e pesquisadora da Cátedra Josué de Castro da Faculdade de Saúde Pública da USP, a distinção reside no *tipo* de processamento. A Classificação Nova categoriza os alimentos em: *in natura*, aqueles consumidos em sua forma original ou muito próxima a ela; *minimamente processados*, que passam por intervenções como limpeza, secagem ou moagem para prolongar sua vida útil ou facilitar o consumo; *ingredientes culinários*, como óleos e açúcares, derivados de alimentos in natura; *alimentos processados*; e, por fim, os *ultraprocessados*.
O processamento mínimo é exemplificado pelo arroz, que é limpo, seco e descascado para consumo. Já os alimentos processados envolvem técnicas mais elaboradas, mas que ainda mantêm a essência do alimento original. Um queijo, por exemplo, resulta da adição de fermento lácteo, enzimas coagulantes e sal ao leite. Esse processo milenar não só confere novas características sensoriais – como textura, aparência e sabor – mas também aumenta a durabilidade do produto. Nesses casos, a industrialização pode ser benéfica, tornando os alimentos mais seguros, acessíveis e diversificando as opções alimentares sem descaracterizar o ingrediente base.
Ultraprocessados: Quando o Propósito do Processamento Muda
A fronteira entre um alimento processado e um ultraprocessado é marcada por uma mudança significativa no propósito e na extensão do processamento. Enquanto no primeiro é possível identificar facilmente o alimento de origem, os ultraprocessados são produtos formulados com base em partes de alimentos, como farinhas refinadas, óleos vegetais, e proteínas isoladas, aos quais se adiciona uma vasta gama de aditivos. Estes 'aditivos cosméticos' são empregados para conferir cor artificial, sabor pronunciado, textura homogênea e apelo sensorial, características que não se conseguem reproduzir em uma cozinha doméstica.
Esse nível extremo de processamento descaracteriza completamente os alimentos originais, transformando-os em produtos que oferecem alta margem de lucro para a indústria e longa durabilidade nas prateleiras. A pesquisadora Nadine Marques enfatiza que esses produtos são resultado da fragmentação de alimentos para gerar ingredientes industriais, onde uma série de aditivos é essencial para que o produto se torne palatável e resistente ao tempo, sem a necessidade de aguardar processos naturais, como a fermentação. É a lógica de formulação, e não apenas a composição, que os define.
Desmistificando o Conceito de 'Ultraprocessados do Bem'
A ideia de 'ultraprocessados do bem' é um equívoco, pois a Classificação Nova transcende a análise puramente nutricional. Mesmo que um produto ultraprocessado apresente um rótulo nutricional aparentemente 'bom', a classificação leva em conta a extensão e o propósito do processamento. Produtos que resultam da manipulação de partes de alimentos, uso intensivo de aditivos para ganho industrial e características sensoriais artificiais se enquadram na categoria de ultraprocessados, independentemente de sua composição final de nutrientes.
Os impactos à saúde humana do consumo crescente de ultraprocessados vão além da simples contagem de calorias ou vitaminas. A presença de uma complexa mistura de aditivos e o armazenamento prolongado em embalagens plásticas são fatores que contribuem para o desenvolvimento de condições como obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes, certos tipos de câncer e até mesmo problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, segundo estudos recentes. Portanto, a avaliação deve ser mais ampla do que apenas o que é declarado na tabela nutricional.
O Guia do Consumidor Consciente: Como Identificar Ultraprocessados
Para identificar um alimento ultraprocessado, a dica principal é ir além das chamadas e destaques atraentes na parte frontal do rótulo, mesmo que a lupa já ofereça um primeiro indício. O consumidor deve focar na lista de ingredientes do produto. Uma lista muito extensa, que começa com partes de alimentos ou ingredientes culinários como amido, óleos vegetais e açúcar, e é seguida por uma série de substâncias com nomes difíceis de ler e pronunciar – como aromatizantes, realçadores de sabor, corantes, espessantes e emulsificantes – é um forte indicativo de que se trata de um ultraprocessado. Essa 'regra de ouro', inspirada em guias alimentares, é fundamental para escolhas mais informadas.
Ao adotar essa prática de leitura atenta dos rótulos e compreender os diferentes níveis de processamento, os consumidores podem fazer escolhas que verdadeiramente impactam sua saúde e bem-estar. A conscientização sobre o que realmente estamos ingerindo é o primeiro passo para uma alimentação mais saudável e um futuro com menos doenças relacionadas ao estilo de vida.
Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br