Butantan Acelera Análise de Vacinas com Plataforma Robótica de Ponta

 Butantan Acelera Análise de Vacinas com Plataforma Robótica de Ponta

Sistema automatizado vai otimizar teste que avalia a resposta imune de indivíduos vacinados. Fot…

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O Instituto Butantan, referência global em pesquisa e produção de imunobiológicos, deu um passo significativo em seu processo de avaliação da eficácia de vacinas. Por meio de uma parceria estratégica com a Loccus do Brasil, a instituição implementou uma plataforma automatizada e robotizada para diagnósticos, que promete transformar a rotina do Centro para Vigilância Viral e Avaliação Sorológica (CeVIVAS), seu núcleo especializado no monitoramento de vírus e na análise sorológica.

A Revolução da Microneutralização Automatizada

A nova tecnologia automatiza integralmente o processo de microneutralização, um teste crucial que verifica a resposta imune de indivíduos vacinados. Esse exame detecta a presença e a capacidade de anticorpos em inibir ou neutralizar infecções virais. Com a introdução desse sistema, o Butantan projeta uma economia substancial de recursos, uma redução drástica nos prazos de análise e uma autonomia operacional sem precedentes. A diretora do Centro de Desenvolvimento Científico (CDC) do Instituto Butantan e coordenadora do CeVIVAS, Sandra Coccuzzo, destaca que a automação assegurará maior precisão, reprodutibilidade e rastreabilidade nos resultados, minimizando a variabilidade associada ao erro humano e os riscos de contaminação das amostras.

A Necessidade da Transição Tecnológica

A decisão de automatizar reflete uma evolução contínua no CeVIVAS. Anteriormente, os ensaios de microneutralização eram qualitativos, apenas indicando a presença ou ausência de anticorpos. A equipe técnica já havia aprimorado o processo para mensurar a quantidade exata de anticorpos, desenvolvendo uma curva padrão reprodutível, o que permitiu o escalonamento dos ensaios. No entanto, a expansão da área de Ensaios Clínicos do Butantan gerou um aumento exponencial no volume de amostras, tornando o processo manual insustentável.

Até então, grande parte dessas amostras era enviada para análise em laboratórios parceiros internacionais, impactando diretamente os custos e prolongando os prazos. A expectativa é que, com a automação interna, o tempo de análise de aproximadamente 20.000 amostras seja reduzido de cerca de seis meses para meros 40 dias, conferindo ao Butantan maior agilidade e controle. A pesquisadora científica e coordenadora do CeVIVAS, Maria Carolina Elias Sabbaga, relembra a importância da automação durante a pandemia de Covid-19, período em que o CDC estabeleceu uma parceria pioneira com a Loccus, culminando no LabMóvel, um laboratório itinerante essencial para o diagnóstico e sequenciamento genômico do SARS-CoV-2.

Operação Autônoma e Detalhes do Sistema Robótico

O processo manual completo de microneutralização é complexo, envolvendo etapas como cultura celular, diluição seriada, adição de vírus e reagentes, incubação prolongada (até 20 horas), lavagem e leitura por fluorescência. Todo esse fluxo exigia a constante movimentação manual de placas entre diversos equipamentos.

O novo sistema automatizado é uma estação totalmente integrada. Ele inclui um braço robótico com garra, que se desloca autonomamente entre os equipamentos necessários para a execução do teste, como pipetadores, lavadora, leitora de placas e estufa. Este conjunto opera de forma contínua, do início ao fim do dia, sem necessidade de intervenção manual. O braço robótico manipula ponteiras e reagentes, enquanto o pipetador executa as diluições. A estufa, com sua capacidade de identificar a posição exata de cada placa, garante o cumprimento preciso dos tempos de incubação. Após a lavagem automatizada das impurezas, a leitura por variação de fluorescência identifica a concentração de anticorpos protetores nas amostras.

Segundo os engenheiros da Loccus, o sistema robotizado tem a capacidade de processar 50 placas por semana. Para realizar o mesmo volume de trabalho manualmente, seria necessário um time de aproximadamente 20 pessoas.

O Valor do Capital Humano na Era da Automação

Mais do que otimizar processos, a automação visa valorizar o capital humano do Instituto Butantan. A equipe do CeVIVAS é composta essencialmente por mestres e doutores, pesquisadores altamente qualificados que, com a eliminação das tarefas manuais repetitivas, terão mais tempo para se dedicar a atividades de alto valor agregado. Isso inclui aprofundamento na análise de dados, concepção de novas pesquisas e impulsionamento da inovação, fortalecendo ainda mais o papel do Butantan na vanguarda da ciência e saúde pública.

Essa conquista representa não apenas um avanço tecnológico, mas um investimento estratégico na capacidade do Butantan de responder rapidamente a futuras demandas de saúde, consolidando sua posição como um pilar fundamental na pesquisa e desenvolvimento de vacinas no Brasil e no mundo.

Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br

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