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Cúpula dos povos: crise climática e impacto nas mulheres em debate
© Sayonara Moreno/Rádio Nacional
Organizações civis e movimentos sociais encerraram as plenárias temáticas da Cúpula dos Povos na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém. O evento, que se iniciou na quinta-feira, antecede as atividades oficiais da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30).
Um dos temas centrais do debate foi o impacto da crise climática sobre as mulheres, com foco nas populações amazônidas e de territórios tradicionais. A indígena Valdenira Hino Kuin ressaltou os efeitos das mudanças climáticas em seus territórios e reiterou a necessidade urgente da demarcação de terras indígenas para garantir a preservação.
“Nós mulheres indígenas viemos dizer sobre a mudança climática que vem nos afetando e as invasões que vem acontecendo. Nós precisamos também da demarcação dos territórios, porque sem territórios demarcados não tem como a gente fazer nossas preservações”, declarou Valdenira.
A Cúpula dos Povos estruturou suas discussões em seis eixos temáticos: Justiça Climática e Reparação; Transição Justa, Popular e Inclusiva; Soberania Alimentar; Direitos Territoriais e das Florestas; Internacionalismo e Solidariedade; e Perspectivas Feministas e dos Povos nos Territórios.
A indígena Lourdes Huanca, da Vía Campesina, representando o Peru, também participou da plenária, enfatizando a importância da terra como Pachamama, algo inegociável. “Não negociamos com nossa mãe Pachamama, não negociamos com a Mãe Terra. Somos rebeldes, por isso, companheiras. Somos perseguidas por defender nossos territórios, por dizer não ao sangue da Pachamama, que é água. Temos que defender nossa mãe Terra, nossa avó, o mar, o rio. Sem água não há vida, por isso estamos conectadas, companheiras”, afirmou Lourdes.
Eunice Guedes, da Articulação de Mulheres Brasileiras, criticou a ausência de financiamento para uma transição energética justa por parte dos países do Norte Global. Ela defendeu a inclusão das demandas das mulheres na Carta dos Povos, um documento que visa apresentar as reivindicações da sociedade civil aos líderes mundiais.
“Mulheres diversas, atingidas, camponesas, indígenas, negras, ribeirinhas, extrativistas, possam dizer que não concordamos com isso, que nós demandamos justiça de gênero para as mulheres. Propondo questões pra gente levar, tanto por documento que a gente vai entregar para o presidente da COP – e nesse documento tem que estar nós, mulheres, as nossas vozes, as nossas demandas”, disse Eunice.
A Carta dos Povos deverá ser entregue à presidência da COP30 durante uma audiência pública programada para este domingo, no campus da UFPA. No sábado, antecedendo a audiência, está prevista a Marcha Global por Justiça Climática, um protesto unificado que ocorrerá nas ruas de Belém e em outras cidades do país.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br