Brasil e Bolívia fortalecem parceria energética e comercial

 Brasil e Bolívia fortalecem parceria energética e comercial

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Em um encontro estratégico no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o novo presidente boliviano, Rodrigo Paz, reiteraram o compromisso de aprofundar a cooperação bilateral, com destaque para o setor energético. O principal objetivo é incrementar a produção de gás na Bolívia e expandir seu volume de importação para o Brasil, consolidando a nação andina como uma fonte segura em um cenário global volátil. A visita oficial, ocorrida em 16 de outubro, sublinhou a energia como pilar fundamental da parceria entre os dois países. Além do gás natural, as discussões abordaram a interconexão de sistemas elétricos, o apoio a biocombustíveis e a diversificação de fontes energéticas, visando otimizar recursos e promover a descarbonização das economias.

Cooperação energética estratégica

A relação energética entre Brasil e Bolívia, com décadas de história, está em vias de ser revitalizada e ampliada, conforme anunciado pelos presidentes Lula e Paz. A Bolívia mantém sua posição como o maior fornecedor de gás natural para o Brasil, um status crucial em um contexto internacional marcado por instabilidades que afetam a segurança do abastecimento de combustíveis.

Ampliação da produção e importação de gás

O presidente Lula destacou o interesse brasileiro em investir na Bolívia para aumentar a produção de gás natural e, consequentemente, o volume exportado para o mercado nacional. A Petrobras, que no passado foi responsável por cerca de 60% da produção boliviana de gás, atualmente opera em aproximadamente 25% do total. A intenção é reverter essa tendência, intensificando os investimentos na área e fortalecendo a parceria estratégica.

O Gasoduto Brasil-Bolívia, peça fundamental na integração energética, que historicamente impulsionou a indústria brasileira e o setor de hidrocarbonetos boliviano, é visto como um ativo para uma integração ainda mais ampla dos mercados de gás do Cone Sul. Além disso, há o potencial de que a infraestrutura contribua para abastecer uma futura fábrica de fertilizantes que o governo boliviano planeja instalar em Puerto Quijaro, gerando sinergias e valor agregado à produção local e regional.

Interconexão elétrica e energias renováveis

Um dos resultados concretos da visita foi a assinatura de um acordo para a interconexão dos sistemas elétricos dos dois países. Este projeto prevê a construção de uma linha de transmissão que conectará a província de Germán Busch, no departamento boliviano de Santa Cruz, ao município de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, Brasil.

A iniciativa visa otimizar o uso dos recursos energéticos existentes em ambas as nações, garantindo o fornecimento de eletricidade a regiões que ainda dependem fortemente de geradores a diesel. Essa mudança representará uma significativa redução de custos e impacto ambiental. Adicionalmente, o Brasil demonstrou disposição em cooperar com a Bolívia no desenvolvimento e produção de biocombustíveis e outros recursos renováveis. Essa colaboração não apenas fortalece a segurança energética e diversifica as fontes de suprimento, mas também apoia a descarbonização das economias regionais, alinhando-se às metas globais de sustentabilidade e eficiência.

Fortalecimento de laços econômicos e de segurança

Além da pauta energética, a reunião presidencial em Brasília abordou uma gama diversificada de temas, reforçando a natureza multifacetada da parceria bilateral. Foram discutidos desde a integração física e o combate a ilícitos transnacionais até o fomento ao comércio, investimentos, cooperação para o desenvolvimento e questões migratórias e consulares.

Revitalização do comércio bilateral e novas oportunidades

Apesar de o Brasil ser o segundo maior parceiro comercial da Bolívia, o intercâmbio entre os dois países tem apresentado uma queda preocupante nos últimos anos. Em 2013, a balança comercial atingiu um pico de US$ 5,5 bilhões, mas em 2025 esse valor foi de apenas US$ 2,6 bilhões.

O presidente Lula enfatizou a disposição de empresários brasileiros em investir e impulsionar novas parcerias, identificando amplas oportunidades em diversos setores. Ele mencionou áreas como alimentos, laticínios, material genético, sementes, frutas, algodão, cana-de-açúcar e soja. Além disso, aprofundar a cooperação em biotecnologia, com o apoio de instituições como a Embrapa, foi apontado como um caminho promissor para o aumento do intercâmbio comercial e tecnológico entre as duas nações.

Para dinamizar essa relação, o presidente Rodrigo Paz liderará um evento empresarial em São Paulo, na terça-feira (17), com a participação de aproximadamente 120 empresários bolivianos, visando explorar ativamente novas frentes de comércio e investimento. Essa iniciativa segue o rastro de ações prévias, como a presença de mais de 100 empresas brasileiras na Expocruz, em Santa Cruz de la Sierra, a maior feira multissetorial da América do Sul, em setembro de 2025.

Combate ao crime transnacional e turismo

Um dos atos de cooperação cruciais assinados durante a visita focou no fortalecimento da coordenação contra o crime organizado transnacional. O objetivo é aprimorar as ações de prevenção, investigação, repressão e sanção de crimes de alta complexidade e impacto regional, como o tráfico de pessoas, narcotráfico, lavagem de dinheiro, mineração ilegal, tráfico de armas, crimes cibernéticos e ambientais. Esta cooperação é vital para a segurança e estabilidade de ambos os países e da região.

Outro acordo selado durante a visita presidencial abordou a cooperação turística. O foco principal é a promoção do turismo entre as duas nações e o investimento na formação e qualificação de profissionais da área, visando impulsionar o setor e gerar novas oportunidades econômicas, beneficiando as populações de fronteira e o desenvolvimento regional.

Infraestrutura para integração regional

Ainda no contexto da integração e facilitação do comércio, a expectativa em torno da construção da segunda ponte ligando Brasil e Bolívia foi destacada. A ponte sobre o Rio Mamoré conectará Guajará-Mirim, em Rondônia (Brasil), a Guayarámerin, no departamento boliviano de Beni. Parte das Rotas de Integração Sul-Americana, a obra tem previsão de início em 2027.

O presidente Lula explicou que essa infraestrutura, inserida no “Quadrante Rondon”, será fundamental para melhorar a conectividade dos produtores brasileiros e bolivianos aos portos do Chile e do Peru. Isso possibilitará o escoamento de mercadorias pelo Oceano Pacífico, facilitando o acesso aos mercados asiáticos e abrindo novas rotas para a exportação e importação, impulsionando a competitividade e o desenvolvimento econômico.

Perspectivas futuras

A visita do presidente boliviano Rodrigo Paz ao Brasil representa um marco significativo na reafirmação e expansão das relações bilaterais. As discussões e acordos firmados, que abrangem desde a estratégica cooperação energética até o combate ao crime organizado transnacional e a promoção do comércio e turismo, demonstram um alinhamento claro entre as duas nações em busca de desenvolvimento mútuo e integração regional. A disposição em investir na produção de gás boliviano e a interconexão elétrica reforçam a segurança energética e a sustentabilidade de longo prazo para ambos os países.

Ao mesmo tempo, as iniciativas para revitalizar o comércio e impulsionar a infraestrutura, como a construção da ponte sobre o Rio Mamoré, projetam um futuro de maior conectividade e acesso a mercados globais. A cooperação em áreas como a biotecnologia e energias renováveis pavimenta o caminho para economias mais diversificadas e resilientes. Em um cenário global dinâmico, a parceria Brasil-Bolívia se posiciona como um exemplo de como a colaboração pode gerar benefícios mútuos e fortalecer a estabilidade regional.

Perguntas frequentes

1. Quais os principais acordos firmados entre Brasil e Bolívia durante a visita?
Os principais acordos incluem a cooperação energética para aumentar a produção e importação de gás natural da Bolívia, a interconexão dos sistemas elétricos via uma nova linha de transmissão, a intensificação da cooperação no combate ao crime organizado transnacional, e a promoção do turismo e do comércio bilateral.

2. Como a Petrobras se encaixa nos planos de cooperação energética com a Bolívia?
A Petrobras tem um histórico de décadas de atuação na Bolívia, sendo fundamental na construção da integração energética. Embora sua participação na produção boliviana de gás natural tenha diminuído, há um interesse renovado em ampliar os investimentos da estatal para incrementar a produção e o volume exportado para o Brasil, reforçando a parceria.

3. Quais são as expectativas para o comércio bilateral após a visita?
Apesar de uma queda recente no intercâmbio comercial, há grande expectativa de revitalização. Empresários brasileiros e bolivianos buscam novas oportunidades em setores como alimentos, laticínios, biotecnologia e produtos agrícolas. A construção da segunda ponte sobre o Rio Mamoré e eventos empresariais, como o que o presidente Paz abrirá em São Paulo, visam impulsionar significativamente o comércio e os investimentos.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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