Avaliação Enamed: maioria dos estudantes de medicina da região está apta ao

 Avaliação Enamed: maioria dos estudantes de medicina da região está apta ao

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A qualidade da formação médica no Brasil foi novamente colocada em perspectiva com os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que revelou um cenário promissor para os futuros profissionais de saúde na região de Ribeirão Preto, Franca e Barretos, no estado de São Paulo. De acordo com a avaliação, cerca de 89% dos estudantes de medicina que participaram do exame nestas localidades demonstraram proficiência suficiente para exercer a profissão, um índice consideravelmente superior à média nacional. Seis dos sete cursos de medicina analisados na região obtiveram percentuais de proficiência bem acima da média, evidenciando um compromisso com a excelência educacional e a preparação de profissionais qualificados.

Desempenho superior na região

O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) destacou a performance excepcional de diversas instituições de ensino superior localizadas no interior paulista. Os dados revelam que os cursos de medicina de Ribeirão Preto, Franca e Barretos apresentaram resultados de proficiência que superam significativamente as médias nacionais e estaduais, reforçando a reputação da região como um polo de excelência na formação de médicos.

Destaques entre as instituições

Entre as instituições que conquistaram o conceito 5, a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) se sobressaiu com a maior taxa de proficiência da região, atingindo 97,9% entre seus 95 alunos do sexto ano. Este resultado a coloca entre os cinco melhores cursos do país segundo o Enamed. A FMRP-USP atribui parte de seu sucesso à implementação de múltiplas avaliações curriculares internas que complementam o Enamed, como exames práticos que utilizam simulação de consultas médicas (Objective Structured Clinical Exam – OSCE), aplicados desde 1995. A instituição ressalta que o Enamed, sendo uma prova teórica de múltipla escolha, não abrange todas as dimensões da competência médica, como habilidades e atitudes. Para suprir essa lacuna, a FMRP-USP submete seus alunos a exames de habilidades clínicas desde o terceiro ano, nos quais os estudantes realizam atendimentos ou procedimentos em pacientes simulados, recebendo feedback detalhado de professores para aprimoramento contínuo.

Outro destaque positivo foi o UniFACEF, em Franca, cujos estudantes concluintes alcançaram 95,5% de proficiência. A faculdade enfatizou que este resultado expressivo é um reflexo da seriedade de seu projeto pedagógico e do comprometimento de toda a comunidade acadêmica. O índice do UniFACEF é notavelmente superior às médias paulista (68,2%) e nacional (69,7%), superando-as em mais de 25 pontos percentuais, o que atesta a consistência da formação oferecida.

A Faculdade de Ciências da Saúde de Barretos Dr. Paulo Prata (Facisb) também demonstrou um alto nível de proficiência, com 91% de seus alunos considerados aptos, reforçando a qualidade do ensino médico na cidade.

Conceito 4 e desafios em uma instituição

Embora a maioria das instituições da região tenha apresentado resultados excelentes, a avaliação do Enamed também trouxe à tona o desempenho de cursos que, embora satisfatórios, ficaram ligeiramente abaixo dos mais bem avaliados, e um caso de desempenho considerado insatisfatório.

Resultados satisfatórios e o único conceito 2

Os cursos de medicina da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), da Universidade de Franca (Unifran) e do Centro Universitário Barão de Mauá (CBM), que obtiveram conceito 4 no Enamed, registraram níveis de proficiência entre 85,7% e 89,6%. Estes percentuais também são considerados satisfatórios pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pelo exame.

A Reitoria do Centro Universitário Barão de Mauá, que alcançou 89,6% de proficiência, expressou grande satisfação com o resultado. A instituição destacou que, além de ser a melhor entre as instituições privadas de Ribeirão Preto, todos os seus alunos estão aptos a fazer residência médica pelo resultado do ENARE (Exame Nacional de Residência). A Barão de Mauá também possui acreditação pelo Conselho Federal de Medicina através do Sistema de Acreditação de Escolas Médicas (SAEME), o que, segundo a reitoria, ratifica a qualidade de sua formação, que é fruto da atualização do projeto pedagógico, da capacitação permanente do corpo docente e da melhoria dos cenários de prática profissional. A Unifran obteve 88,6% de proficiência, e a Unaerp, 85,7%.

Contudo, um curso em Ribeirão Preto, o do Centro Universitário Estácio, obteve conceito 2 no Enamed, com apenas 45,5% dos alunos considerados proficientes, um índice considerado insatisfatório pelo Inep. A instituição explicou que identificou a necessidade de ajustes técnicos no indicador e de aprimorar o processo de preparação dos alunos para a prova, visando maior engajamento. Segundo a instituição, cerca de dois terços dos mais de 100 alunos participantes ainda estavam no 11º período, sem ter concluído o internato, etapa crucial para a formação integral. Além disso, muitos alunos ainda não estariam focados em exames externos, o que poderia influenciar o resultado. A Estácio ressaltou que possui conceito 4 no ciclo regular de avaliação do Ministério da Educação, um padrão elevado de qualidade, e que os resultados do Enamed não refletem de forma precisa a formação que seus alunos recebem. A instituição se mantém aberta a análises para melhorar o engajamento e os resultados, e à disposição do órgão regulador para contribuir com o aperfeiçoamento do Enamed.

Panorama nacional e o futuro da formação médica

A preocupação com a qualidade da formação médica não se restringe à esfera regional. No cenário nacional, o Enamed revelou que cerca de 30% dos cursos avaliados estão na faixa considerada insatisfatória pelo Inep, com pontuações entre 1 e 2. Esse panorama acende um alerta sobre a necessidade de medidas estruturais para garantir a excelência no ensino médico em todo o país.

A preocupação com a qualidade e a proposta do ProfiMed

Para especialistas, estes números são alarmantes e não podem ser subestimados. Um advogado presidente de uma sociedade brasileira de direito médico e bioética, que acompanha o processo há anos, vê nos dados do Enamed um “sinal claro de desequilíbrio na formação médica no país”. Ele argumenta que a expansão acelerada do ensino médico, muitas vezes sem critérios rigorosos e uniformes de qualidade, produziu distorções relevantes.

O especialista enfatiza que o resultado, que coloca mais de 100 cursos de medicina em nível insatisfatório, reforça a urgência de monitoramento permanente, revisão de autorizações e maior responsabilidade institucional das escolas médicas. Segundo ele, quando uma avaliação nacional expõe fragilidades em competências clínicas elementares, o debate transcende o acadêmico e impacta diretamente a segurança do paciente e a responsabilidade profissional. O Enamed, nesse contexto, cumpriu um papel fundamental ao expor esse cenário objetivamente. O desafio agora é transformar esses dados em ações concretas para aprimorar a formação médica no Brasil.

Uma das medidas mais urgentes propostas por especialistas é a implementação do ProfiMed, um exame nacional de proficiência profissional aprovado pelo Senado, inspirado no modelo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O ProfiMed teria como finalidade verificar se o médico recém-formado reúne o conhecimento mínimo necessário para exercer a profissão com segurança, funcionando como uma medida preventiva essencial para a proteção da sociedade e a valorização da boa formação médica.

O papel da residência médica

Além da avaliação da formação básica, outro ponto de atenção levantado por especialistas é a residência médica. Embora não seja obrigatória, a residência é vista como um pilar fundamental para o desenvolvimento completo do médico recém-formado.

Complemento essencial à formação inicial

Especialistas ressaltam que, após a conclusão do curso de medicina, o profissional pode obter o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) e atuar. No entanto, em diversas situações, a atuação sem uma residência médica pode ser considerada “imperita e imprudente”. Um CEO de um grupo preparatório para residência médica avalia que a residência garante uma formação complementar que é absolutamente necessária em muitos setores da medicina.

A residência médica é considerada o “padrão ouro” para o aprimoramento profissional. Ela consiste em um período de estágio remunerado em hospitais e ambulatórios, sob a supervisão de especialistas. Este treinamento supervisionado permite que o médico recém-formado complemente a formação obtida na faculdade, que, muitas vezes, não é suficiente para atender causas específicas ou situações complexas de pacientes. A residência, portanto, oferece a experiência prática e o aprofundamento em uma especialidade que são cruciais para o exercício seguro e competente da medicina.

Perguntas frequentes

O que é o Enamed?
O Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) é uma avaliação criada para aferir o nível de conhecimento e proficiência dos estudantes de medicina no Brasil, buscando garantir a qualidade da formação oferecida pelas instituições de ensino.

Quais foram os principais achados para a região de Ribeirão Preto, Franca e Barretos?
A região demonstrou um desempenho notavelmente superior à média nacional, com cerca de 89% dos estudantes considerados aptos a exercer a profissão. Instituições como a FMRP-USP e o UniFACEF obtiveram os mais altos índices de proficiência, superando 95%.

Por que o exame ProfiMed é considerado importante para a medicina?
O ProfiMed é proposto como um exame nacional de proficiência profissional para médicos, similar ao da OAB, com o objetivo de assegurar que os recém-formados possuam o conhecimento mínimo necessário para exercer a profissão com segurança, protegendo a sociedade e elevando a qualidade da formação médica.

A residência médica é obrigatória no Brasil?
Não, a residência médica não é obrigatória para o exercício da profissão no Brasil. No entanto, é amplamente recomendada por especialistas como uma etapa fundamental para a formação complementar e especializada do médico, garantindo maior competência e segurança na prática clínica.

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Fonte: https://g1.globo.com

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