Projeto Seguras inicia terceira edição para combater a violência em São Paulo

 Projeto Seguras inicia terceira edição para combater a violência em São Paulo

© Arquivo Agência Brasil

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A capital paulista testemunha o lançamento da terceira edição do Projeto Seguras, uma iniciativa fundamental na luta contra a violência de gênero. Liderado pela União Brasileira de Mulheres (UBM) e contando com a parceria estratégica do Ministério das Mulheres, este programa visa intensificar as campanhas educativas, preventivas e de combate à violência que afeta mulheres e meninas em todo o país. O Projeto Seguras, que se consolida após dois anos de atividades focadas em formação e engajamento comunitário, agora adota uma abordagem mais prática, direcionada a familiarizar as participantes com os mecanismos de proteção existentes. Em um cenário de crescente preocupação com a segurança feminina, a expansão e a renovação de suas estratégias tornam-se essenciais para empoderar e proteger as mais vulneráveis na cidade.

Uma iniciativa consolidada contra a violência de gênero

O Projeto Seguras representa um esforço contínuo e articulado para enfrentar um dos desafios sociais mais prementes do Brasil: a violência contra mulheres e meninas. Nascido da visão da União Brasileira de Mulheres e fortalecido pela colaboração com o Ministério das Mulheres, o projeto tem se dedicado a construir uma rede de conhecimento e apoio. Desde seu início, há dois anos, o programa já alcançou cerca de duas mil mulheres, oferecendo ferramentas e informações cruciais para que elas possam reconhecer, prevenir e reagir a situações de violência.

A presidente da União Brasileira de Mulheres, Claudia Rodrigues, enfatiza a missão central do projeto. “Nosso objetivo primordial é ampliar o conhecimento sobre a violência praticada contra as mulheres, desmistificando tabus e fornecendo acesso à informação vital”, afirma Rodrigues. Ela destaca que a formação não é um processo unilateral. “Formar essas mulheres e aprender com elas é uma forma que a gente consegue multiplicar o conhecimento, abordando desde o funcionamento do Ligue 180 e a Lei Maria da Penha até questões específicas de cada região dessa cidade.” Essa troca contínua entre organizadoras e participantes é um dos pilares que garantem a relevância e a adaptabilidade das ações do projeto às realidades locais.

Formação teórica e alcance nas periferias

Nas suas duas primeiras edições, o Projeto Seguras concentrou-se intensamente na formação teórica. Por meio de palestras, debates e rodas de conversa, as participantes tiveram acesso a conteúdos essenciais sobre os diferentes tipos de violência, seus ciclos, e os direitos garantidos por lei. A estratégia incluiu a participação ativa de mulheres residentes em regiões mais afastadas dos centros urbanos de São Paulo, locais onde o acesso à informação e aos serviços de apoio muitas vezes é limitado.

Essa abordagem inicial foi crucial para construir uma base sólida de conhecimento, desmistificar conceitos e empoderar as mulheres A escolha por atuar nos bairros periféricos da cidade de São Paulo não é aleatória; são áreas onde a maioria dos chefes de família é composta por mulheres negras, muitas vezes vivendo em condições socioeconômicas precárias e, consequentemente, mais suscetíveis a diversas formas de violência. Ao levar a formação diretamente a essas comunidades, o Projeto Seguras garantiu que o conhecimento sobre temas como o Ligue 180 e as especificidades da Lei Maria da Penha fosse difundido de forma abrangente e contextualizada.

Ação prática e visibilidade para a rede de proteção

A terceira edição do Projeto Seguras marca uma evolução em sua metodologia, complementando a formação teórica com uma abordagem mais prática e imersiva. O foco agora se volta para a divulgação da rotina e do funcionamento dos equipamentos de proteção, por meio de visitas guiadas. As participantes terão a oportunidade de conhecer de perto instituições vitais na rede de apoio à mulher, como as delegacias da mulher e os centros de acolhimento, incluindo a renomada Casa da Mulher Brasileira.

Essa nova fase é estratégica. Ao proporcionar o contato direto com esses espaços, o projeto busca desmistificar o processo de busca por ajuda, reduzir o medo e a insegurança que muitas mulheres sentem ao se aproximarem dessas instituições, e mostrar, na prática, como o sistema de proteção funciona. Ver os espaços, entender os procedimentos e interagir com os profissionais responsáveis pode ser um divisor de águas para mulheres que hesitam em denunciar ou buscar apoio, transformando o abstrato em algo tangível e acessível. A iniciativa visa preencher a lacuna entre o conhecimento dos direitos e a confiança no acesso à justiça e à segurança.

Fortalecendo a resposta em meio à escalada de feminicídios

A importância do Projeto Seguras e de suas ações ganha contornos ainda mais urgentes diante da alarmante escalada de casos de feminicídio no país. Claudia Rodrigues reitera a necessidade premente de programas como este para enfrentar essa realidade devastadora. “Nós precisamos, cada vez mais, de programas e de projetos como esse. Para que um conjunto maior de mulheres entenda quais são os caminhos, quais são os canais de diálogo para poder enfrentar “, pontua a presidente da UBM.

Além de focar no empoderamento feminino, o projeto também lança um olhar crítico sobre o papel da sociedade na perpetuação da violência de gênero. Rodrigues enfatiza a necessidade de uma mudança cultural profunda. “Nós precisamos que os homens sejam mais formados, que os garotos, que essa geração mais nova seja de garotos formados longe da misoginia”, destaca, sublinhando que a erradicação da violência de gênero passa necessariamente pela educação e pela desconstrução de padrões machistas desde a infância. Ao integrar a formação prática e a conscientização sobre a urgência do problema, o Projeto Seguras se posiciona como um elo crucial na corrente de ações destinadas a proteger e transformar a vida de mulheres em São Paulo e, por extensão, no Brasil.

Contribuindo para um futuro sem violência

O Projeto Seguras, em sua terceira edição na capital paulista, reafirma seu compromisso inabalável com a prevenção e o combate à violência contra mulheres e meninas. Ao combinar formação teórica com visitas práticas a equipamentos de proteção, a iniciativa não apenas educa, mas também empodera, conectando as participantes diretamente aos recursos que podem salvar vidas. Em um momento crítico de escalada de casos de feminicídio, a importância de programas como este se torna ainda mais evidente. O projeto ilumina os caminhos para a denúncia e o apoio, ao mesmo tempo em que clama por uma mudança cultural fundamental, incentivando a educação de futuras gerações de homens e meninos livres da misoginia. Com mais de duas mil mulheres já impactadas, o Projeto Seguras demonstra ser um farol de esperança e uma ferramenta essencial na construção de uma sociedade mais justa e segura para todos.

Perguntas frequentes

O que é o Projeto Seguras?
O Projeto Seguras é uma iniciativa da União Brasileira de Mulheres, em parceria com o Ministério das Mulheres, que desenvolve campanhas educativas para prevenir e combater a violência contra mulheres e meninas, oferecendo formação e acesso a informações cruciais sobre direitos e mecanismos de proteção.

Qual o foco da terceira edição do projeto?
A terceira edição do Projeto Seguras inova ao focar em visitas práticas a equipamentos de proteção, como delegacias da mulher, centros de acolhimento e a Casa da Mulher Brasileira. O objetivo é familiarizar as participantes com esses locais e mostrar como buscar ajuda de forma mais eficaz e confiante.

Quantas mulheres já foram beneficiadas pelo Projeto Seguras?
Desde o seu início, o Projeto Seguras já alcançou cerca de duas mil mulheres, proporcionando formação e informações sobre seus direitos e os caminhos para enfrentar a violência.

Como o projeto contribui para a prevenção da violência de gênero?
O projeto contribui de diversas formas: empoderando mulheres com conhecimento sobre seus direitos (como a Lei Maria da Penha e o Ligue 180), desmistificando o acesso aos serviços de proteção, e promovendo a conscientização sobre a necessidade de educar homens e meninos para construir uma cultura livre de misoginia.

Para mais informações detalhadas sobre as atividades e como apoiar o Projeto Seguras, visite o site oficial ubmcapitalsp.org.br.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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