Assessor preso desviava milhões e declarava amor em vídeos à ex-namorada

 Assessor preso desviava milhões e declarava amor em vídeos à ex-namorada

G1

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Frederico Goz Biagi, de 53 anos, preso sob suspeita de desviar pelo menos R$ 11 milhões de investimentos, demonstrava afeto e prometia amor em vídeos direcionados a uma de suas ex-namoradas, que também figura como vítima do esquema fraudulento. Em gravações, o assessor de investimentos tecia elogios e expressava gratidão pela relação, celebrando o tempo juntos.

As investigações da Polícia Federal revelam que Biagi, inicialmente, agia sozinho, mas, com o aumento dos valores desviados, abriu uma empresa de investimentos, chegando a desviar recursos dos próprios sócios. A proximidade com mulheres de alto poder aquisitivo era parte fundamental da estratégia do assessor, transformando o vínculo afetivo em oportunidade de negócio para desviar valores.

“Estas vítimas eram escolhidas em razão do seu poder econômico dentro da sociedade. A partir disso, ele começava uma engenharia social, que, além da questão do investimento financeiro, se tornava próximo dessas pessoas, inclusive mantendo relacionamento com mulheres”, afirmou um delegado da Polícia Federal.

Antes de criar a própria empresa, Biagi trabalhou em um escritório de assessoria de investimentos entre 2020 e 2023. Agora, ele pode responder por diversos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, incluindo gestão fraudulenta, apropriação de recursos de investidor, fraude à fiscalização, e contabilidade paralela. As penas somadas podem variar de 10 a 37 anos de reclusão.

A prisão de Frederico Biagi ocorreu durante a Operação Stop Loss da Polícia Federal em Poços de Caldas, Minas Gerais. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Ribeirão Preto, São Paulo e Rio de Janeiro.

As investigações apontam que Biagi utilizava o dinheiro dos clientes em benefício próprio, realizando operações de day trade que resultaram na perda dos recursos investidos. Entre as vítimas, estão médicos e aposentados. Para manter o engano, o assessor fraudava documentos e inseria informações falsas nos sistemas. Pelo menos dez pessoas já prestaram depoimento relatando terem sido vítimas do golpe.

Inicialmente, Biagi prometia rendimentos exorbitantes, mas depois passou a oferecer até 2%, um valor considerado “dentro do padrão” para evitar suspeitas. A estratégia permitia que, caso algum cliente solicitasse o resgate do dinheiro, o assessor pudesse entregar a quantia sem grandes prejuízos.

O assessor divulgava valores totais aos clientes, incluindo aqueles que já havia desviado. Assim, ao declararem o montante à Receita Federal, as vítimas pagavam impostos sobre um dinheiro que não possuíam mais.

Fonte: g1.globo.com

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