Assassinatos de jornalistas Em 2025: recorde global com Israel sob foco

 Assassinatos de jornalistas Em 2025: recorde global com Israel sob foco

© Hatem Khaled/Reuters/proibida reprodução

Compatilhe essa matéria

Em 2025, o mundo testemunhou um número alarmante e sem precedentes de assassinatos de jornalistas, com um total de 129 profissionais de imprensa mortos no exercício da profissão. Este marco sombrio representa o mais alto registro em mais de três décadas, evidenciando uma escalada global na violência contra aqueles que buscam informar. A maioria esmagadora desses assassinatos de jornalistas — 86 para ser exato — ocorreu em meio a conflitos armados, com as Forças de Defesa de Israel apontadas como responsáveis por dois terços dessas mortes, principalmente em Gaza. A preocupante tendência sublinha não apenas os perigos enfrentados em zonas de conflito, mas também a crescente fragilidade da liberdade de imprensa em diversas regiões do planeta, onde a impunidade se estabelece como um fator catalisador.

A escalada sem precedentes na violência contra a imprensa

O ano de 2025 ficará marcado na história como o período de maior letalidade para jornalistas em décadas. Um relatório recente, divulgado por uma organização internacional de defesa da imprensa, revelou que 129 profissionais foram assassinados no desempenho de suas funções. Este número superou todos os registros anteriores da entidade, que acompanha a violência contra jornalistas há mais de trinta anos, sublinhando uma crise profunda na proteção da liberdade de imprensa e na segurança de seus profissionais.

A maior parte dessas fatalidades, 104 das 129 mortes, ocorreu em zonas de conflito. Gaza, em particular, emergiu como o epicentro dessa tragédia, com 86 profissionais de imprensa mortos e suas mortes atribuídas às Forças de Defesa de Israel. Esta estatística alarmante significa que Israel foi responsável por dois terços dos assassinatos de jornalistas registrados em 2025. A situação em Gaza destacou a vulnerabilidade extrema dos jornalistas palestinos, que compõem a maioria esmagadora das vítimas neste contexto.

Além do conflito em Gaza, outras regiões também contribuíram para o aumento devastador. Cinco países concentraram 84% das mortes: Israel (86 profissionais de imprensa), Sudão (9 mortes), México (6), Rússia (4) e Filipinas (3). Embora o número de jornalistas assassinados na Ucrânia e no Sudão tenha apresentado um aumento significativo, o cenário palestino dominou as estatísticas. A organização ressalta que os conflitos armados atingiram níveis históricos em todo o mundo, criando um ambiente perigoso e sem precedentes para a imprensa.

A face da impunidade e o risco global

A impunidade é identificada como um dos principais motores por trás do recorde de assassinatos de jornalistas. A ausência de investigações transparentes e a falta de responsabilização dos perpetradores criam um ciclo vicioso de violência. “O crescente número de mortes de jornalistas em todo o mundo é alimentado por uma cultura persistente de impunidade para ataques à imprensa: muito poucas investigações transparentes foram conduzidas”, afirma a entidade em seu relatório.

A omissão de líderes governamentais em proteger a imprensa e em responsabilizar seus agressores estabelece um precedente perigoso. Essa falha não apenas perpetua a violência em zonas de guerra, mas também encoraja ataques em países onde não há conflitos armados declarados, como ilustram os casos de mortes na Índia, no México e nas Filipinas. Tais cenários demonstram que a proteção dos jornalistas é uma responsabilidade global, transcendendo as fronteiras dos conflitos.

A presidente da organização de defesa da imprensa enfatiza a urgência da situação, afirmando que esses assassinatos ocorrem em um momento em que o acesso à informação é “mais importante do que nunca”. Para ela, os ataques à imprensa servem como um dos principais indicadores de ataques a outras liberdades. “Muito mais precisa ser feito para evitar esses assassinatos e punir os perpetradores. Todos nós estamos em risco quando os jornalistas são mortos por veicular uma notícia”, declara. O relatório ainda lembra que os assassinatos de jornalistas violam o direito internacional humanitário, que categoriza os profissionais de imprensa como civis e estipula que nunca devem ser alvos deliberados.

Conflitos e táticas letais: Gaza e o uso de drones

O cenário de Gaza em 2025 foi especialmente devastador para os jornalistas. Entre os casos mais notórios, destaca-se o de Hossam Shabat, correspondente palestino de 23 anos da Al Jazeera no Qatar. Ele foi assassinado em março de 2025 durante um ataque israelense ao seu carro, perto do hospital Beit Lahia, no Norte de Gaza. Shabat era um dos jornalistas mais proeminentes que permaneceram na região para cobrir o conflito. Israel o acusou de ser um atirador do Hamas, sem, contudo, apresentar qualquer evidência para sustentar tais alegações.

Outro caso chocante é o do repórter da Al Jazeera, Anas al-Sharif. Ele havia alertado publicamente que sua vida estava em perigo após difamações repetidas e infundadas por parte de Israel. Após anos de ameaças, Al-Sharif foi tragicamente assassinado em agosto de 2025, juntamente com outros três jornalistas da Al Jazeera e dois freelancers, durante um ataque a uma tenda que abrigava jornalistas perto do Hospital Al-Shifa. Estes exemplos ilustram a perigosa realidade enfrentada pelos jornalistas em Gaza, onde a linha entre civil e combatente parece se dissolver sob fogo cruzado.

Novas ameaças: drones e a fragilidade do estado de direito

Além dos conflitos armados convencionais, a organização de defesa da imprensa também alertou para a emergência de novas táticas letais, como o uso crescente de drones em ataques a profissionais de imprensa. O número de mortes de jornalistas por drones saltou de apenas duas em 2023 para impressionantes 39 óbitos em 2025. Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, os drones têm sido empregados por ambos os lados tanto para ataques quanto para vigilância.

Em 2025, a Rússia intensificou sua guerra de drones, utilizando-os para atacar repetidamente civis na Ucrânia, incluindo jornalistas. Os quatro jornalistas mortos na Ucrânia no ano passado foram vítimas de drones russos. Este foi o primeiro ano em que a organização registrou explicitamente assassinatos de jornalistas por drones durante o conflito Rússia-Ucrânia, sinalizando uma evolução preocupante nas táticas de guerra e seus impactos sobre a imprensa.

Para além das zonas de conflito direto, a entidade também destacou que um estado de direito fraco, facções criminosas operando com impunidade e líderes políticos corruptos são fatores que contribuíram para a morte de profissionais de imprensa em diversos países. Bangladesh, Colômbia, Guatemala, Honduras, Índia, México, Nepal, Peru, Filipinas, Paquistão e Arábia Saudita são citados como exemplos onde essas condições propiciam um ambiente perigoso. Em algumas dessas nações, os assassinatos de jornalistas tornaram-se alarmantemente comuns. Pelo menos um jornalista foi morto no México e na Índia anualmente nos últimos 10 anos, e o mesmo padrão se repete em Bangladesh e na Colômbia — assim como em Israel — nos últimos cinco anos.

Perspectivas e desafios futuros

O cenário de 2025 serve como um alerta severo para a comunidade internacional sobre a urgência de proteger a liberdade de imprensa e a segurança dos jornalistas. O recorde de mortes não é apenas uma estatística, mas um reflexo da crescente desvalorização da informação independente e da erosão dos direitos humanos fundamentais. A impunidade, a intensificação de conflitos e a emergência de novas ameaças, como o uso de drones, desenham um futuro desafiador para a profissão. A responsabilidade de garantir que os jornalistas possam desempenhar seu papel vital sem medo de represálias recai sobre governos, organizações internacionais e a sociedade civil. Proteger a imprensa significa proteger o direito de todos à informação e à verdade, pilares essenciais de qualquer sociedade democrática.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quantos jornalistas foram mortos em 2025?
Em 2025, um total de 129 jornalistas foram assassinados no exercício da profissão, marcando o maior número registrado em mais de três décadas.

Qual país registrou o maior número de mortes de jornalistas em 2025?
Israel registrou o maior número de mortes, com 86 profissionais de imprensa mortos, principalmente em Gaza, atribuídas às Forças de Defesa de Israel.

Quais são as principais causas do aumento de mortes de jornalistas?
As principais causas incluem a intensificação de conflitos armados, uma cultura persistente de impunidade, o estado de direito fraco em certas nações e o uso crescente de drones em ataques.

Como a morte de jornalistas afeta a sociedade?
A morte de jornalistas compromete o acesso à informação, enfraquece a liberdade de imprensa e serve como um indicador de ataques a outras liberdades fundamentais, prejudicando a transparência e a democracia.

Acompanhe as notícias sobre a proteção de jornalistas e a liberdade de imprensa global. Sua atenção é crucial para combater a impunidade e garantir o direito de todos à informação.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Relacionados