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A vitória de Wagner Moura e o papel da cultura na construção de um país
Por Elsa Oliveira
A vitória de Wagner Moura como melhor ator em filme de drama no Globo de Ouro 2026, cerimônia que aconteceu na noite de 11 de janeiro, e que foi esperada e assistida por milhões de brasileiros, não é apenas o reconhecimento individual a um ator de trajetória sólida e respeitada internacionalmente. Trata-se de um marco simbólico para o Brasil, que reafirma a força da cultura como instrumento de identidade, de desenvolvimento e de consciência coletiva.
O prêmio, concedido ao ator pelo trabalho em “O Agente Secreto”, que aborda o período da ditadura militar, carrega um significado ainda mais profundo. A obra, dirigida por Kleber Mendonça Filho, também premiada na categoria Melhor Filme em Língua Não Inglesa, revisita um passado doloroso, mas necessário de ser lembrado. A arte, ao iluminar esse período sombrio da nossa história, cumpre um papel essencial: o de preservar a memória para que os erros não se repitam. Esquecer é abrir espaço para a distorção; lembrar é um ato de responsabilidade democrática.
Cultura não é adorno. É base. Socialmente, ela forma consciência crítica, fortalece valores e amplia o diálogo sobre quem somos e para onde queremos ir como nação. Economicamente, o cinema brasileiro movimenta cadeias produtivas inteiras, gera empregos, fomenta inovação e projeta o país no mercado internacional, atraindo investimentos e turismo cultural. Politicamente, obras como essas reafirmam o compromisso com a liberdade de expressão, com a verdade histórica e sobretudo, com a DEMOCRACIA.
O momento vivido pelo cinema nacional é especialmente significativo. Em dois anos consecutivos, o Brasil teve os olhos do mundo voltados para sua produção audiovisual. Em 2025, a consagração de Fernanda Torres já havia sinalizado essa retomada potente. Em 2026, a vitória de Wagner Moura consolida esse ciclo virtuoso, mostrando que o cinema brasileiro vive uma fase de maturidade artística, relevância temática e reconhecimento global.
Não é coincidência que esses prêmios estejam ligados a filmes que dialogam com a história política do país. A arte responde ao seu tempo e, ao fazê-lo, ajuda a sociedade a compreender melhor seu passado, enfrentar seu presente e projetar seu futuro.
Celebrar O Agente Secreto é, portanto, celebrar o cinema brasileiro, a cultura nacional e a capacidade do Brasil de transformar memória em reflexão, dor em aprendizado e arte em potência. Investir em cultura é investir em democracia, desenvolvimento e soberania simbólica. E esse reconhecimento internacional reforça algo que já deveríamos saber: um país que valoriza sua cultura e sua história constrói um futuro mais consciente, mais plural e muito mais justo.
Viva o cinema brasileiro!