Sem a Itália, a Copa do Mundo perde mais do que uma Seleção

 Sem a Itália, a Copa do Mundo perde mais do que uma Seleção

Foto: Redes Sociais Nazionale Italiana de Calcio

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Por Jairo Giovenardi – @jairogiovenardi

A Copa do Mundo sempre foi mais do que futebol. É memória, identidade e tradição em campo. E quando uma Seleção como a Itália fica fora (de novo!), um pedaço da própria história do torneio deixa de existir. E como torcedor da Squadra Azzurra desde pequeno, isso dói demais!

Estamos falando de uma das camisas mais pesadas do futebol mundial. Uma Seleção que não deveria apenas entrar em campo para competir, mas para impor respeito. Quatro vezes campeã do mundo, bicampeã da Eurocopa, protagonista de decisões, dona de uma identidade que atravessa gerações. Craques e mais craques vestiram e honraram esta camisa. E é justamente por isso que sua ausência pesa tanto.

Porque nem toda Seleção classificada carrega esse tipo de significado. Algumas chegam pelo

momento, mas poucas têm o poder de transformar um jogo comum em capítulo histórico. A Itália sempre teve. Nem todo classificado é protagonista. A Itália sempre foi. Pelo menos até 2006, e lá se vão 20 anos…

Claro, o futebol é justo dentro de suas regras. Se classifica quem joga melhor no ciclo, quem

não perde pênaltis (como Jorginho nas Eliminatórias para a Copa de 22), quem não tem jogador expulso num jogo decisivo (né, Bastoni?), quem é mais eficiente, quem merece naquele recorte de tempo. Mas a Copa do Mundo nunca foi só justiça esportiva. Ela também é construída por narrativas, rivalidades, camisas que contam histórias antes mesmo de a bola rolar. E quando uma dessas histórias fica de fora, o torneio perde em peso, simbologia e identidade. Mesmo tendo um número maior de participantes.

Serei saudosista ao extremo: citei o ano de 2006 e pego como exemplo exatamente a final daquela Copa do Mundo, disputada na Alemanha, em que a Azzurra conquistou o tetra sobre a França. O Estádio Olímpico de Berlim não viu apenas uma decisão. Foi um daqueles momentos que ajudam a eternizar uma competição. E é disso que a Copa vive: de confrontos que vão além do placar, de Seleções que carregam algo maior do que o jogo.

Sem a Itália, sobra espaço. Mas não sobra substituição. Porque há uma diferença clara entre ocupar uma vaga e representar algo dentro dela. Novas seleções surgem no cenário da Copa

do Mundo, crescem e, obviamente, merecem estar ali. Isso faz parte da evolução do futebol.

Mas tradição não se cria de um ciclo para o outro. Não se constrói apenas com classificação.

Algumas vagas são preenchidas. Outras jamais são substituídas!

E como se não bastasse a ausência em campo, surgiu nos últimos dias uma discussão que, por si só, já diz muito sobre o atual momento do futebol italiano: a possibilidade da Itália entrar na Copa do Mundo como convidada, em substituição ao Irã. Deus nos livre de mais esse vexame, e ainda bem que a própria FIFA já afirmou que isso não acontecerá!

Quem não gostaria de ver uma camisa pesada de volta ao maior torneio do futebol? Na prática, porém, isso não faria o menor sentido. A Copa do Mundo não é lugar para atalhos.

Entrar pela porta dos fundos não resgata tradição, apenas compromete ainda mais. Não corrige a ausência, mas escancara o problema. E, no caso da Itália, só aumentaria o fracasso de uma Seleção que, por diferentes razões, não conseguiu se colocar entre as melhores no momento em que mais precisava. E pela terceira vez consecutiva…A Itália faz muita falta ao Mundial, isso é fato! Mas ela precisa voltar pelo caminho que sempre a colocou lá: o mérito! Porque há uma diferença fundamental entre ser convidado e ser classificado.

A Copa do Mundo seguirá sendo grandiosa, como sempre foi. Terá jogos marcantes, surpresas,

novos protagonistas. Mas será impossível ignorar o vazio deixado por quem sempre ajudou a dar sentido ao torneio.

Porque, no fim das contas, há seleções que participam da Copa. E há aquelas que fazem a Copa ser o que ela é.

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