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A convocação de Ancelotti é o primeiro jogo do Brasil na Copa
Foto: Rafael Ribeiro/CBF
Por Jairo Giovenardi – @jairogiovenardi
A Copa do Mundo ainda nem começou oficialmente, mas o Brasil já estará em campo nesta segunda-feira (18). Não haverá bola rolando, estádio lotado ou o hino nacional ecoando antes do apito inicial. Ainda assim, milhões de brasileiros estarão ligados, atentos, ansiosos e prontos para discutir cada escolha da convocação oficial da Seleção Brasileira para o Mundial dos Estados Unidos, México e Canadá.
Porque toda Copa começa muito antes da estreia. E, para o torcedor brasileiro, ela nasce justamente na divulgação da lista final com os 26 convocados.
É fato que a convocação divide famílias, grupos de WhatsApp, mesas de bar e programas esportivos. No pós-lista, cada torcedor se transforma em técnico, enquanto cada nome escolhido carrega um pedaço da esperança de milhões de brasileiros. A sensação é de que o país inteiro começará a respirar Copa do Mundo assim que Carlo Ancelotti divulgar seus homens de confiança na caminhada rumo ao hexa.
A convocação não define apenas jogadores. Ela funciona como gatilho para sonhos, debates, paixões e até revoltas. Afinal, nenhuma lista conseguirá agradar completamente um país com mais de 200 milhões de técnicos espalhados pelas arquibancadas, ruas e redes sociais. E talvez esteja justamente aí uma das maiores forças da Copa do Mundo: mobilizar até quem costuma dizer que não gosta de futebol.
A partir da convocação, o ambiente muda. O comércio pinta suas vitrines de verde e amarelo, o álbum de figurinhas se torna o maior passatempo de jovens e adultos, crianças passam a imitar seus ídolos e as discussões sobre a Copa dominam rodas de conversa que antes falavam apenas dos times de coração, além de política, trabalho ou rotina.
A Copa do Mundo tem esse poder raro de transformar o clima de um país inteiro. E tudo começa justamente na convocação oficial. É ali que nascem os debates sobre quem deveria estar na lista, os questionamentos sobre injustiças, as apostas nos craques capazes de decidir jogos e a esperança de que “dessa vez vai”. O brasileiro pode reclamar, discordar, criticar o treinador e até desacreditar da Seleção em determinados momentos, mas basta a lista ser divulgada para algo diferente acontecer. Aos poucos, o país entra no modo Copa. Tenho 41 anos e ainda não esqueci que Edmundo e Evair ficaram fora da Copa de 94, que Raí, Zinho, Marcelinho, Djalminha e Paulo Nunes poderiam estar em 98, assim como Romário e Alex em 2002, Ganso e Neymar em 2010, Ronaldinho Gaúcho em 2014 e por aí vai. Sim, já tive dias de Parreira, Zagallo, Felipão e Dunga…
Mesmo em tempos de redes sociais aceleradas, de atenção fragmentada e de um futebol cada vez mais globalizado, tenho certeza que a Seleção Brasileira ainda conseguirá provocar uma mobilização que poucos eventos no planeta são capazes de gerar. Porque a Copa mexe com memória afetiva. Ela faz o torcedor lembrar da infância, das ruas pintadas, das buzinas, das bandeiras nas janelas, nos carros e até nas motos, das reuniões em família e dos jogos assistidos ao lado de pessoas que muitas vezes já nem estão mais aqui. Que saudade!
E talvez seja exatamente por isso que a convocação tenha um peso tão simbólico. Ela não anuncia apenas os jogadores que representarão o Brasil. Ela anuncia que a Copa está chegando. Porque, gostando ou não, quando Ancelotti com a sua voz inconfundível anunciar os 26, o Brasil mudará de assunto. E, por alguns instantes, voltará a sonhar junto.