Unesp lança graduação inédita em língua e cultura chinesas

 Unesp lança graduação inédita em língua e cultura chinesas

Agência SP

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Em um marco para a educação superior brasileira, o Conselho Universitário da Unesp aprovou, na última terça-feira (10), a criação do curso de graduação em língua e cultura chinesas. Pioneiro no país neste formato, o bacharelado representa um avanço estratégico na formação de profissionais aptos a atuar no crescente intercâmbio entre Brasil e China. A iniciativa visa atender a uma demanda de mercado cada vez mais expressiva, alinhando-se aos objetivos de internacionalização da universidade. Com previsão de início das aulas em agosto de 2026, o curso oferecerá 40 vagas no câmpus de Assis e permitirá aos estudantes uma imersão aprofundada, culminando, para muitos, em uma experiência de duplo diploma internacional.

Uma parceria estratégica para o futuro

A aprovação do curso de língua e cultura chinesas pela Unesp solidifica uma parceria de longa data com instituições chinesas, evidenciando o compromisso da universidade em inovar e expandir suas ofertas educacionais. Este bacharelado, com duração mínima de quatro anos e aulas no período noturno na Faculdade de Ciências e Letras (FCL) de Assis, surge como uma resposta direta às necessidades de um mundo cada vez mais globalizado, onde a China desempenha um papel econômico e cultural central. A nova graduação não apenas formará especialistas no idioma e na cultura chinesa, mas também cultivará uma compreensão aprofundada das complexas relações internacionais.

O diferencial do duplo diploma e a colaboração internacional

O grande atrativo do curso reside na possibilidade de os alunos cursarem os dois anos finais na Universidade de Hubei, na China, por meio de um robusto acordo de cooperação. Esta parceria, que já completa 18 anos de relacionamento com a Unesp em outras frentes, foi formalizada com o aval do Ministério da Educação chinês. Ao final do primeiro biênio no Brasil, entre 15 e 20 graduandos serão selecionados para seguir seus estudos na China. A seleção considerará o nível de proficiência em chinês, o desempenho acadêmico e outros critérios estabelecidos no projeto político-pedagógico.

A oportunidade de obter um duplo diploma, com ênfase em relações comerciais internacionais, é um diferencial sem precedentes na América Latina, como destacou a professora Renata Giassi Udulutsch, diretora da FCL de Assis e uma das idealizadoras da proposta. Ela ressaltou que, nos dois primeiros anos no Brasil, o currículo estará focado intensamente no ensino do idioma chinês. A Universidade de Hubei, por sua vez, comprometeu-se a investir US$ 300 mil anuais na implantação do curso, visando aprimorar a infraestrutura e impactar positivamente a unidade universitária. A Unesp também planeja a contratação de cinco docentes e dois servidores técnico-administrativos para dar suporte à nova graduação.

Impacto e justificativas para a nova graduação

A criação do curso de língua e cultura chinesas pela Unesp não é apenas um feito acadêmico; ela representa um movimento estratégico em diversas frentes. Desde a sua concepção até a aprovação, a proposta passou por um processo interno rigoroso, de dezembro de 2023 a dezembro de 2025, que envolveu ampla participação da comunidade universitária, garantindo que o novo programa atendesse às expectativas e necessidades futuras.

Resposta às demandas de mercado e internacionalização

O Brasil e a China mantêm uma relação comercial robusta, que movimentou cerca de US$ 171 bilhões em 2025, posicionando o país asiático como o principal parceiro comercial brasileiro. Este cenário gera uma demanda crescente por profissionais com domínio da língua e da cultura chinesas, capazes de facilitar e aprimorar esse intercâmbio. A Unesp, que já foi pioneira ao instalar uma unidade do Instituto Confúcio no Brasil em 2008, reforça seu papel na vanguarda da internacionalização da educação.

A reitora Maysa Furlan enfatizou o caráter inovador e “além-fronteiras” do projeto. “Será o primeiro curso em que teremos uma graduação compartilhada: dois anos no Brasil, dois anos na China. É uma oportunidade fantástica para os nossos estudantes, de formação e de vivência sociocultural”, afirmou. O vice-reitor Cesar Martins corroborou, descrevendo o curso como um “grande marco” e “o primeiro de graduação em língua e cultura chinesas na América Latina, digno dos nossos 50 anos, da nossa inovação pedagógica e de estarmos à frente, abrindo uma nova carreira que tem um mercado fabuloso”.

É importante notar que as 40 vagas para a nova graduação não são vagas adicionais. Elas foram remanejadas do curso de Letras oferecido no câmpus de Assis, que sinalizou o desejo de reduzir sua oferta de 140 para 100 vagas, adaptando-se à demanda atual e otimizando os recursos da universidade.

Inovação pedagógica e perspectivas profissionais

O currículo do curso de língua e cultura chinesas foi desenhado para formar profissionais com domínio da língua e da cultura chinesas, preparados para atuar em relações comerciais internacionais e tradução de textos. Os egressos desenvolverão competências linguísticas e culturais, uma sólida formação humanística e o preparo necessário para se inserirem em nichos profissionais específicos do intercâmbio entre os dois países. Podem atuar desde o ensino da língua até órgãos de relações externas e grandes empresas.

A pró-reitora de Graduação da Unesp, Celia Maria Giacheti, destacou a importância de discutir a inovação nos cursos de graduação, utilizando o novo bacharelado como exemplo. Ela ressaltou o intenso trabalho em equipe, desde a unidade até a Reitoria, e a ampla discussão em todas as instâncias. “O sucesso na aprovação deste curso nos faz refletir que os nossos cursos de graduação precisam, no momento, pensar em reestruturação e inovação para trazer mais alunos para a Unesp, preencher nossas vagas e seguir construindo uma excelente formação aos nossos alunos”, pontuou.

O professor Luis Antonio Paulino, diretor do Instituto Confúcio na Unesp, acompanhou de perto as negociações com a Universidade de Hubei. Ele ponderou que, com a criação deste curso, a Unesp consolida sua trajetória de relacionamento com a China e oferece uma contribuição significativa para o Brasil. “No momento em que, dentro deste quadro geopolítico global, cada vez se faz mais necessário que o Brasil diversifique as parcerias, consolide suas relações neste chamado Sul Global para enfrentar os novos desafios que vão se colocando”, afirmou Paulino, ressaltando a relevância do programa no contexto internacional.

Um novo horizonte para a educação brasileira

A aprovação do curso de graduação em língua e cultura chinesas pela Unesp representa um divisor de águas na educação superior do Brasil. Mais do que uma nova oferta de ensino, trata-se de um investimento estratégico no desenvolvimento de capital humano qualificado para navegar nas complexas e crescentes relações entre o Brasil e a China, o maior parceiro comercial do país. A iniciativa não apenas alça a Unesp a um novo patamar de internacionalização e inovação pedagógica, mas também oferece aos futuros estudantes uma oportunidade ímpar de formação global, com vivência multicultural e a chance de obter um duplo diploma em uma das economias mais dinâmicas do mundo. Este curso é um testemunho da visão da universidade em preparar seus alunos para os desafios e as oportunidades do século XXI, solidificando seu papel como um agente transformador da sociedade.

Perguntas frequentes

Onde será oferecido o curso de língua e cultura chinesas da Unesp?
O curso será oferecido na Faculdade de Ciências e Letras (FCL) do câmpus de Assis, no período noturno.

Qual é o principal diferencial dessa nova graduação?
O principal diferencial é a possibilidade de os estudantes cursarem os dois anos finais na Universidade de Hubei, na China, e obterem um duplo diploma com ênfase em relações comerciais internacionais.

Quantas vagas serão ofertadas e quando começam as aulas?
Serão ofertadas 40 vagas, e a previsão é que a primeira turma ingresse em agosto de 2026, com o início do Vestibular Unesp Meio de Ano 2026.

Como o curso foi financiado?
A Universidade de Hubei comprometeu-se a investir US$ 300 mil por ano na implantação do curso, especialmente em melhorias de infraestrutura. A Unesp também planeja a contratação de docentes e servidores.

O curso permite formação exclusivamente no Brasil?
Sim, o curso possibilita que os estudantes se formem integralmente no Brasil, com ênfase em tradução, ou estudem metade do percurso universitário na China, com ênfase em relações comerciais internacionais.

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Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br

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