Eleições 2026: Advocacia-Geral da União detalha condutas proibidas a agentes públicos
Mãe de jovem morto no rio recebe prêmio internacional de direitos humanos
© Tomaz Silva/Agência Brasil
Ana Paula Gomes de Oliveira, defensora de direitos humanos de 48 anos, foi agraciada com o prêmio Martin Ennals, reconhecido como o “Nobel dos Direitos Humanos”. A homenagem destaca sua atuação na denúncia da violência estatal e na defesa de mães e familiares de vítimas da letalidade policial.
Moradora da favela de Manguinhos, no Rio de Janeiro, Ana Paula se tornou uma referência após a morte de seu filho Johnatha, em 2014, durante uma operação policial. Johnatha, na época com 19 anos, foi atingido nas costas por um disparo efetuado por um agente da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em meio a um confronto entre policiais e moradores. O caso permanece sem resolução definitiva, aguardando um novo julgamento.
Transformando o luto em luta, Ana Paula cofundou o movimento Mães de Manguinhos, um coletivo de mulheres negras que denuncia o racismo institucional e exige responsabilização do Estado em casos de homicídios, prisões ilegais e outras violações. Sua atuação se estende à Rede de Assistência às Vítimas da Violência de Estado (Raave), que oferece suporte psicossocial às famílias e promove propostas de reformas legislativas.
A trajetória de resistência de Ana Paula foi retratada no programa “Caminhos da Reportagem”, na edição “Mães de Luta”, que recebeu menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Ela também participou do especial/podcast “Mães que Lutam”, onde compartilhou sua experiência e perspectivas sobre a violência e o racismo.
“Sinto que uma parte de mim morreu com meu filho. Através da minha luta, encontrei uma maneira de manter meu papel materno. Se eu parar de fazer isso, eu morro”, afirma a ativista.
Apesar das ameaças e intimidações que enfrenta, Ana Paula permanece como uma das vozes mais atuantes no país no combate ao racismo e à violência policial. Após uma operação policial que resultou em 121 mortes no Rio de Janeiro, ela defendeu a implementação de mecanismos de regulação e transparência nas operações realizadas em favelas.
“O que a gente está cobrando é que as operações policiais aconteçam dentro da legalidade, assim como acontece em outras regiões onde as pessoas têm nível econômico maior e as coisas acontecem com respeito”, declarou.
Ana Paula ainda complementou: “A ditadura acabou para a classe média e para os artistas. Na favela, ela nunca terminou. A prática de tortura, de desaparecimentos forçados e assassinatos continua, por meio do braço armado do Estado”.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br