Um ano do desabamento: igreja de ouro em Salvador ainda fechada

 Um ano do desabamento: igreja de ouro em Salvador ainda fechada

© Maiara Cerqueira/MinC

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A Igreja de São Francisco de Assis, um dos mais esplêndidos exemplares do barroco brasileiro e mundial, completa um ano desde o trágico desabamento de uma parte de seu teto em Salvador. Conhecida popularmente como “Igreja de Ouro” devido à sua exuberante ornamentação, a edificação, situada no coração do histórico Pelourinho, permanece com as portas fechadas ao público desde o fatídico 5 de fevereiro do ano passado. O incidente, ocorrido por volta das 14h30, chocou o país ao resultar na morte de uma jovem turista e ferir outras cinco pessoas, lançando luz sobre a urgência na preservação do patrimônio histórico. Desde então, a comunidade e as autoridades enfrentam o desafio da restauração e a persistente busca por justiça e responsabilização.

A tragédia que silenciou a igreja de ouro

Há um ano, o Brasil e o mundo voltaram os olhos para a Bahia com a notícia do desabamento de parte do telhado da centenária Igreja de São Francisco de Assis, no Pelourinho. O evento, que ceifou a vida da turista Giulia Righetto, de apenas 26 anos, e deixou outras cinco pessoas feridas, expôs a vulnerabilidade de nosso vasto patrimônio histórico. Giulia, natural de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, estava em uma visita turística à capital baiana, desfrutando da beleza arquitetônica do templo junto ao namorado e amigos, quando a estrutura cedeu de forma abrupta e inesperada.

A perda e a busca por justiça

O impacto da queda foi devastador. Além da tragédia humana, o acidente gerou um clima de comoção e revolta, questionando a manutenção e a segurança de edifícios históricos de grande valor. Desde o dia do desabamento, a Igreja de São Francisco de Assis, que anualmente atraía milhares de fiéis e turistas, permanece inacessível. Um ano após o ocorrido, a dor da perda de Giulia Righetto ainda ressoa, e a busca por justiça segue sem respostas concretas. Até o momento, nenhuma pessoa ou instituição foi responsabilizada judicialmente pelo incidente, uma situação que agrava a sensação de impunidade e a incerteza sobre a fiscalização e a responsabilidade civil em casos de falhas estruturais em bens tombados. Em memória da vítima e em um gesto de fé e esperança, uma missa será celebrada nesta quinta-feira, às 17h, na Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, templo vizinho ao local do acidente, reforçando o luto da comunidade e a persistência da fé.

O complexo desafio da restauração e o futuro do templo

O fechamento da Igreja de São Francisco de Assis representa não apenas uma perda religiosa e cultural, mas também um significativo impacto para o turismo e a economia local do Pelourinho, um dos cartões-postais mais visitados de Salvador. A edificação, erguida entre os séculos XVII e XVIII, é um patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e reconhecida como uma das sete maravilhas de origem portuguesa no mundo, atestando sua imensa relevância. Sua restauração é, portanto, uma prioridade nacional e um desafio complexo que envolve múltiplos atores e cifras elevadas.

Esforços emergenciais e a busca por financiamento

Desde o desabamento, o Iphan tem coordenado uma série de obras emergenciais no local para estabilizar a estrutura e iniciar os primeiros passos para sua recuperação. No entanto, um ano depois, ainda não há uma previsão de conclusão para esses trabalhos iniciais. Esta semana, o instituto trouxe uma notícia alvissareira ao anunciar que aproximadamente R$ 20 milhões serão investidos na restauração da igreja e do Convento de São Francisco, um complexo arquitetônico inseparável, por meio de recursos do Novo PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal. Contudo, essa quantia representa apenas uma fração do custo total estimado para a reforma completa. A projeção para a revitalização integral do complexo é de quase R$ 90 milhões, um valor que reflete a complexidade da intervenção em um edifício histórico com detalhes artísticos e construtivos únicos, que exigem mão de obra especializada e materiais específicos para sua preservação autêntica. Diante da lacuna financeira, a Comunidade Franciscana da Bahia já manifestou a intenção de lançar uma campanha nacional de arrecadação de fundos. O objetivo é mobilizar a sociedade civil, empresas e outros parceiros para complementar os recursos necessários, garantindo que a “Igreja de Ouro” possa, um dia, reabrir suas portas e continuar a deslumbrar gerações futuras.

Perspectivas e o legado de um patrimônio ferido

O primeiro aniversário do desabamento do teto da Igreja de São Francisco de Assis em Salvador serve como um doloroso lembrete da fragilidade do nosso patrimônio histórico e da urgência em sua preservação. Enquanto as obras emergenciais avançam a passos lentos e a busca por responsabilização judicial continua, a esperança de que este ícone do barroco retorne ao seu esplendor permanece viva. A mobilização de recursos governamentais e a iniciativa da comunidade franciscana são passos cruciais, mas a jornada rumo à recuperação total é longa. Que este marco seja um catalisador para ações mais eficazes de proteção e manutenção, assegurando que tragédias como a que vitimou Giulia Righetto não se repitam e que a Igreja de Ouro continue a contar sua história por muitos séculos.

Perguntas frequentes sobre o desabamento da Igreja de São Francisco

Quando ocorreu o desabamento do teto da Igreja de São Francisco de Assis?
O desabamento de parte do telhado ocorreu em 5 de fevereiro do ano passado, por volta das 14h30.

Quantas pessoas foram afetadas e quem foi a vítima fatal?
O incidente resultou na morte de uma turista de 26 anos, Giulia Righetto, natural de Ribeirão Preto (SP), e deixou outras cinco pessoas feridas.

Qual o status atual da igreja e quais são os planos para sua restauração?
A Igreja de São Francisco de Assis permanece fechada ao público desde o desabamento. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) coordena obras emergenciais, e foi anunciado um investimento de R$ 20 milhões do Novo PAC para a restauração, embora o custo total do complexo seja estimado em quase R$ 90 milhões. A Comunidade Franciscana da Bahia planeja uma campanha nacional de arrecadação de fundos para complementar os recursos.

Houve responsabilização judicial pelo acidente?
Até o momento, um ano após o desabamento, ninguém foi responsabilizado judicialmente pelo ocorrido.

Acompanhe as atualizações sobre o progresso das obras e a campanha de restauração da Igreja de São Francisco de Assis para garantir a preservação deste inestimável patrimônio para as futuras gerações.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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